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(A) :: PSD e CDS vão chamar "o reformado e pensionista na Flórida" Centeno ao parlamento para explicar previsões (erradas) de défice

PSD e CDS vão chamar "o reformado e pensionista na Flórida" Centeno ao parlamento para explicar previsões (erradas) de défice

PSD e CDS vão chamar "o reformado e pensionista na Flórida" Centeno ao parlamento para explicar previsões (erradas) de que haveria um défice em 2025 – que acabou por ser um excedente de 0,7% do PIB.

Edgar Caetano
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O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno vai ser chamado ao parlamento para explicar porque é que o supervisor previu um défice das contas públicas em 2025, uma previsão que manteve até à sua substituição (por Álvaro Santos Pereira), quando a execução orçamental acabou por ser de um excedente de 0,7% do PIB. O primeiro a anunciar essa chamada ao parlamento foi o PSD e, depois, também o CDS disse que iria chamar “o reformado e pensionista na Flórida” Centeno para que explique não só as previsões (erradas) de que haveria um défice em 2025 mas, também, o “polémico negócio” da construção da nova sede do supervisor.

Além de Centeno, também a líder do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Nazaré Costa Cabral, deverá ser chamada pela mesma razão, já que também o CFP teve previsões que não se confirmaram nem sequer de forma aproximada. Aos olhos de Miranda Sarmento, o CFP tem feito “críticas políticas” desde que o PSD-CDS subiu ao poder.

Miranda Sarmento foi ouvido no parlamento, nesta terça-feira, para uma audição regimental e lembrou que “as instituições são muito importantes” e “temos de preservar a credibilidade dessas instituições”. Mas, sobre as previsões das duas instituições, “não sei como fazem os modelos”, mas o ministro das Finanças diz que ficou “surpreendido” por ver o CFP fazer uma previsão em setembro de 2025 na véspera de o INE anunciar uma grande revisão (positiva) do PIB – algo que teve um impacto muito grande em todos os cálculos orçamentais.

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Quanto ao Banco de Portugal, onde Mário Centeno foi entretanto substituído por Álvaro Santos Pereira, “o Banco de Portugal faz previsões orçamentais desde 2023, o BCE não faz, a Reserva Federal dos EUA também não”. “Não farei qualquer consideração, cada um que está no espaço político e público pode fazer os seus corolários, não tenho dúvidas de que as pessoas que dirigem estas instituições irão continuar a fazer todos os possíveis para fazer previsões credíveis”, atirou o ministro das Finanças, evitando referir o nome de Mário Centeno.

O deputado do PSD Hugo Carneiro tinha dito que Centeno “instrumentalizou o Banco de Portugal” para fomentar a sua “agenda própria e, eventualmente, política”. Miranda Sarmento confirmou que as previsões do Banco de Portugal foram sempre certeiras até 2024, depois deixaram de o ser. “Quem gosta de pensar o país e diz que se pensa pouco o país”, não terá qualquer problema em vir ao Parlamento para explicar as previsões erradas, afirma o ministro, numa “farpa” a Mário Centeno.

Pouco depois, Paulo Núncio, do CDS-PP, juntou-se ao PSD na chamada ao parlamento do “pensionista e reformado na Flórida” Mário Centeno para explicar o “erro colossal” que cometeu nas previsões orçamentais para 2025 e, também, para dar mais explicações sobre o “polémico negócio da nova sede” do Banco de Portugal. António Mendonça Mendes, deputado do PS, fez uma interpelação à mesa para recomendar a Paulo Núncio que leia “A interpretação dos sonhos” dada o seu constante enfoque em Mário Centeno nas suas intervenções políticas no parlamento.