A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, considerou esta terça-feira que a poupança de energia é “muito útil” para fazer face à imprevisibilidade dos mercados devido ao conflito no Médio Oriente.
“A conservação de energia é sempre algo muito útil em crise ou sem ser em crise, especialmente, numa altura em que os preços estão tão altos e que há alguma incerteza em relação ao futuro”, afirmou.
Maria da Graça Carvalho falava aos jornalistas, em Alcácer do Sal, a propósito do encontro extraordinário para discutir a segurança do aprovisionamento energético, na sequência do conflito no Médio Oriente.
Apesar de esta ser uma das questões que pretende levar ao encontro extraordinário com os ministros da Energia da União Europeia, a governante destacou que Portugal “está melhor do que os outros países” em termos de poupança energética.
“Temos feito muito. Estamos melhor do que os outros países, em termos de renováveis, de poupança de energia, na eletrificação das habitações e dos transportes”, argumentou.
Questionada pelos jornalistas, a ministra disse ainda que, durante o encontro, que se realiza por videoconferência, irá “propor uma coordenação” entre os Estados-membros, para que “o ênfase seja na poupança” energética.
“Se o preço está caro e se pode haver um cenário de problema de abastecimento o que temos de fazer é poupar, sem criar alarmismos, sem prejudicar a economia“, defendeu.
O encontro dos ministros da Energia da União Europeia — que não constava da agenda da presidência cipriota do Conselho e foi anunciado na passada sexta-feira — surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.
A UE enfrenta, assim, uma crise energética marcada não pela escassez imediata de fornecimento, mas pelo aumento acentuado dos preços de energia.
Embora a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás, petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias.