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ONU pede ajuda para mais de 200 mil pessoas que fugiram do Líbano para Síria

Refugiados do Líbano "chegam exaustos, traumatizados e com poucos pertences" e precisam de "apoio urgente", diz ACNUR. ONU pede apoio já que fundos estão a menos de 30% do financiamento necessário.

Agência Lusa
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A ONU pediu esta terça-feira à comunidade internacional ajuda para financiar a operação de ajuda aos refugiados na Síria, país que, este mês, recebeu mais de 200 mil pessoas em fuga dos bombardeamentos de Israel ao Líbano.

Estes refugiados, que “chegam exaustos, traumatizados e com poucos pertences” precisam de “apoio urgente”, disse o representante interino do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Síria, Aseer T.E. al-Madaien, em conferência de imprensa esta terça-feira realizada em Genebra, na Suíça.

Para conseguir a ajuda necessária, o ACNUR precisa de cerca de 282 milhões de euros em 2026, sendo que está a menos de 30% do financiamento necessário, adiantou o representante da agência da ONU, apelando a um “apoio urgente”.

De acordo com Aseer T.E. al-Madaien, as autoridades sírias contabilizaram, entre 2 e 27 de março, a entrada de 180 mil sírios e 28 mil libaneses nos três pontos oficiais de passagem entre os países.

“A grande maioria é síria, incluindo refugiados que fugiram da Síria no passado em busca de segurança no Líbano e que agora são forçados a fugir novamente, mas também há sírios que há muito consideravam regressar a casa”, afirmou o responsável do ACNUR, acrescentando que há uma grande quantidade de libaneses em fuga também.

Segundo referiu, “as necessidades imediatas das pessoas que chegam à Síria vindas do Líbano incluem alimentação, abrigo, assistência médica, meios de subsistência e apoio com a documentação civil“.

Face às necessidades, o ACNUR aumentou, em colaboração com as autoridades sírias, a sua presença nas fronteiras “para garantir serviços de proteção e assistência em tempo útil”.

“As nossas equipas estão no terreno, a trabalhar com outros parceiros da ONU e organizações não-governamentais (ONG), bem como com voluntários, e aproveitando a nossa rede de centros comunitários ativos, para interagir com as famílias que chegam e responder às necessidades urgentes em áreas que recebem um grande número de retornados —incluindo Alepo, ArRaqqa, Damasco Rural, Idlib, DeirezZor, Dar’a e Homs”, explicou.

O representante da agência de refugiados garantiu que o ACNUR já conseguiu ajudar centenas de famílias, prestando assistência jurídica para tratar de documentos civis, como certidões de nascimento ou de casamento.

Além disso, distribuiu água a 30.000 pessoas em trânsito, entregou bens essenciais como cobertores, lonas de plástico e mantimentos para crianças, tendo também organizado o transporte para mais de 3.500 pessoas chegarem aos seus destinos finais.

“Estamos também a trabalhar com parceiros para realizar melhorias nas infraestruturas, como a instalação de postes de iluminação solar, para melhorar a segurança nos pontos de atravessamento”, disse Aseer T.E. al-Madaien, reiterando a necessidade de financiamento.

“Muitas famílias que regressam descrevem um misto de dificuldades e incertezas. Como me disse há dias um pai sírio que fugiu do Líbano após intensos bombardeamentos, regressaram à Síria — o seu país de origem — depois de terem passado por tanto sofrimento. Agora, só esperam que a situação aqui melhore”, descreveu.

É preciso “permanecer ao lado deles para ajudar a sustentar o seu regresso e reintegração, como temos feito para apoiar os mais de 3 milhões de sírios — refugiados e deslocados internos — que regressaram voluntariamente a casa desde dezembro de 2024”, concluiu.