A taxa de inflação homóloga em março atingiu os 2,7%, segundo a estimativa rápida do INE, o que significa uma aceleração de 0,6 pontos face ao dado de fevereiro. Os dados ainda estão sujeitos a confirmação (que serão anunciados a 13 de abril). Os preços aceleraram nesse mês, em que os efeitos da guerra do Irão começaram a sentir-se nos combustíveis.
Em fevereiro, a inflação homóloga tinha ficado nos 2,1%.
O INE diz mesmo que a “aceleração do IPC é quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis”. Isso mesmo se nota na subida referente aos produtos energéticos. Se em fevereiro a evolução ainda tinha sido, em termos homólogos, negativa (-2,17%), agora em março disparou para 5,76%, superada pela variação dos preços dos produtos agrícolas que atingiu 6,38%. Ainda assim, na contabilização média anual os produtos energéticos ainda têm uma evolução negativa.
A chamada inflação subjacente (que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos por serem mais voláteis) subiu 2%, mais 0,1 pontos percentuais que em fevereiro.
Face ao mês anterior, a variação de preços global foi de 2%, quando só à conta dos produtos energéticos a subida foi de 6,67%.

As projeções já apontavam para uma subida da inflação, ainda em níveis contidos. Em todos os países europeus, que já comunicaram as inflações, está a haver aceleração dos preços. O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, está a fazer subir os preços do petróleo, gás natural e produtos refinados, valores que já chegaram ao consumidor. A sua transmissão ao resto da economia é mais gradual, mas os preços alimentares já vinham a subir.
https://observador.pt/especiais/porque-e-mais-dificil-voltar-a-subir-imposto-sobre-combustiveis-do-que-sobre-os-alimentos/
Nas últimas projeções publicadas, o Banco de Portugal admite que a inflação volte ao patamar dos 3% ainda este ano. Nas projeções trimestrais aponta para um IHPC (índice harmonizado de preços, o que serve de comparação internacional) de 2,2%,
3,1%, 2,9% e 2,9% no primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres, respetivamente. É com um olhar atento na inflação que se admite que o BCE possa este ano aumentar as taxas de juro em três momentos, admitindo-se que o primeiro possa ser já em abril.
https://observador.pt/especiais/em-junho-ou-ate-mais-cedo-em-abril-bce-admite-voltar-as-subidas-de-juros-por-causa-da-guerra-no-irao/
Segundo os dados do Eurostat, divulgados esta terça-feira, há já países da zona euro com taxas acima dos 3%. Só Malta e Itália mantiveram o nível da taxa de inflação que tinha sido registada em fevereiro nos 2,3% e nos 1,5% respetivamente. Itália é dos países com taxa de inflação das mais baixas da zona euro: 1,5%, equivalente à de Chipre. França ainda tem uma taxa abaixo dos 2%. Fixou-se, em março, nos 1,9%. São assim apenas três os países da zona euro que têm taxas abaixo dos 2%.

No conjunto da zona euro, o Eurostat estima que a inflação de março tenha ficado nos 2,5%, acima dos 1,9% de fevereiro. Também aqui foram os preços dos produtos energéticos a acelerar a inflação de março. Em termos homólogos estes preços dispararam 4,9%.