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O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se esta terça-feira de emergência, após a morte de três “capacetes azuis” no sul do Líbano, uma zona de confrontos entre Israel e o movimento pró-Irão Hezbollah.
A França solicitou a reunião, que terá início às 10h00 (14h00 em Lisboa), enquanto Israel ordenou ao exército que expandisse a “zona de segurança” no Líbano, onde juntou os ataques aéreos a uma incursão terrestre iniciada em meados de março.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) informou que está a investigar a morte de três militares indonésios, no espaço de 24 horas, em dois incidentes separados no sul do território libanês.
A FINUL, que conta com cerca de 8.200 soldados provenientes de 47 países, anunciou que dois soldados morreram na segunda-feira devido ao impacto de um projétil no veículo em que se deslocavam, perto de Bahi Hayan, no distrito de Marjayún, no sul do Líbano.
O veículo integrava uma coluna sob comando de militares espanhóis.
Num comunicado enviado às redações, a missão da ONU no Líbano reporta uma “explosão de origem desconhecida” que destruiu o veículo em que seguiam os seus efetivos, tendo um outro militar ficado gravemente ferido e um quarto com ferimentos ligeiros.
No domingo, morreu outro “capacete azul”, também de nacionalidade indonésia, num outro ataque de origem desconhecida.
O exército de Israel declarou esta terça-feira que estava a investigar os incidentes e instou o público a não assumir que era responsável.
“Estes incidentes estão a ser minuciosamente examinados para esclarecer as circunstâncias e determinar se resultaram de atividades do Hezbollah ou do exército israelita”, disse o exército na plataforma de mensagens Telegram.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a responsabilidade pelos ataques contra posições israelitas no sul do Líbano e afirmou ter lançado mísseis contra uma base do serviço de informações nos arredores de Telavive.
O exército israelita anunciou na segunda-feira que um soldado foi morto e outro gravemente ferido em combates nesta zona, elevando para seis o número de soldados mortos desde 0 2 de março.
O Líbano foi arrastado para a guerra entre Israel e os Estados Unidos contra o Irão, por um ataque do Hezbollah contra Israel, a 2 de março, em retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dos bombardeamentos israelo-americanos em Teerão em 28 de fevereiro.
Desde então, os ataques israelitas no Líbano já mataram mais de 1.200 pessoas e feriram mais de 3.600, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde libanês.
Na segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português apelou ao respeito pela integridade do Líbano e considerou que os ataques contra a FINUL “e a violação do seu mandato são injustificáveis”.
A ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos mais recentes incidentes mortais.
O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, alertou que ataques deliberados contra soldados de operações da paz são graves violações do direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.