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Rússia prolonga por três meses fornecimento de gás à Sérvia e a metade do preço

Gazprom vai continuar a fornecer gás à Sérvia, com novo acordo que garante o "segundo melhor preço na Europa". O volume de 6 milhões de metros cúbicos por dia irá se prolongar por mais três meses.

Agência Lusa
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O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, anunciou esta segunda-feira que a Rússia vai continuar a fornecer gás à Sérvia nos próximos três meses por metade do preço atualmente praticado no mercado europeu.

A gigante estatal russa Gazprom vende gás à Sérvia ao abrigo de um acordo que expira na terça-feira, 31 de março, mas Vucic disse ter alcançado um compromisso com o homólogo russo, Vladimir Putin, para prosseguir com o abastecimento.

“Em vez de 690 dólares (599 euros, ao câmbio atual) por cada mil metros cúbicos (de gás), que é o preço atual, pagaremos 320-330 dólares (entre 277 e 286 euros). Creio que se trata do segundo melhor preço na Europa, depois da Bielorrússia. Estou muito grato a Putin por isso“, declarou Vucic, citado pela agência sérvia Tanjug.

O volume acordado, de seis milhões de metros cúbicos por dia, poderá aumentar em caso de necessidade, como um frio invulgar ou outras evoluções imprevistas, especificou o governante.

Vucic afirmou ter fechado este acordo com Putin numa “conversa boa, exaustiva e construtiva”, que durou cerca de 50 minutos e na qual abordaram todas as questões de cooperação mútua.

O contrato de fornecimento de gás tinha sido renovado no final de dezembro de 2025 e dois meses antes Vucic tinha informado que a Gazprom se recusou a assinar uma prorrogação de longo prazo.

Na altura, o Presidente sérvio sugeriu que a posição russa visava pressionar Belgrado a não nacionalizar a empresa petrolífera NIS, maioritariamente controlada pela Gazprom e sujeita a sanções dos Estados Unidos desde outubro.

Em 31 de dezembro, os Estados Unidos concederam uma licença temporária à NIS, o que lhe permitiria retomar a produção até 23 de janeiro.

Em 20 de janeiro deste ano, o Governo sérvio anunciou um acordo preliminar para vender a NIS à empresa húngara MOL, com a aprovação da Gazprom.

Foi desta forma que Belgrado resolveu a pressão dos Estados Unidos e da União Europeia para reduzir a presença da Rússia no seu setor energético, em resultado das sanções impostas às empresas russas após a guerra na Ucrânia.

Praticamente 80% do gás que a Sérvia consumiu em 2024 (cerca de 2.212 milhões de metros cúbicos, de um total aproximado de 2.800 milhões) provinha da Rússia.

Cerca de 13% foi importado do Azerbaijão e quase 7 % foi coberto pela produção interna. Apesar de ser um país candidato à adesão à União Europeia, a Sérvia mantém relações estreitas com a Rússia.

O gás, tal como o petróleo, subiu de preço devido à guerra no Médio Oriente iniciada em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.