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Enquanto reforça a presença militar no Médio Oriente, com milhares de soldados e fuzileiros a caminho da região, o Pentágono está a preparar operações terrestres no Irão que poderão prolongar-se ao longo de “semanas”, avança o The Washington Post (WP), que cita fontes ligadas às autoridades norte-americanas. Os planos, altamente confidenciais, antecipam uma possível nova fase do conflito — mais direta e potencialmente mais arriscada — caso Donald Trump decida avançar para uma escalada. Esta segunda-feira, o Presidente dos EUA desvendou possíveis alvos na sua rede social: centrais elétricas e de dessalinização, poços de petróleo, e a Ilha de Kharg — na mesma publicação que sinalizava avanços nas negociações.
As autoridades ouvidas pelo WP, sob anonimato, afastam o cenário de uma invasão terrestre em larga escala, mas não descartam incursões conduzidas por forças de Operações Especiais e tropas de infantaria convencionais. Na Truth Social, apesar dos avanços nas negociações “com UM NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL”, Trump repetiu um aviso claro: se não houver acordo em breve, o conflito poderá intensificar-se.
“Foram feitos grandes progressos, mas, se por qualquer motivo não se chegar a um acordo em breve — o que provavelmente acontecerá — e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto ao tráfego’, concluiremos a nossa adorável ‘estadia’ no Irão, explodindo e destruindo completamente todas as suas centrais elétricas, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as estações de dessalinização!), que propositadamente ainda não ‘tocámos'”, escreveu.
Os alvos iranianos que ameaçou têm sido, segundo ele, poupados deliberadamente. Semanas antes, a 16 de março, Trump já tinha indicado que não pretendia atingir zonas petrolíferas, mas admitiu que essa posição poderia mudar. “Destruímos tudo na ilha, exceto a zona onde se encontra o petróleo… não queríamos fazer isso, mas vamos fazê-lo”, afirmou numa conferência de imprensa de acordo com a Time. “Basta uma simples palavra e os oleodutos também desaparecerão, mas levará muito tempo a reconstruí-los”, advertiu.
Apesar dos ziguezagues retóricos, um ex-responsável da defesa, familiarizado com os planos, garantiu que nada está a ser improvisado e que decorre um planeamento extenso por detrás das cortinas. “Isto já foi analisado. Houve simulações. Não é uma decisão de última hora”, disse. Tomar território iraniano poderia pressionar Teerão e reforçar a posição de Washington em futuras negociações, mas traz um problema imediato: proteger as tropas destacadas no terreno.
Outro antigo elemento das autoridades militares dos EUA acredita que a Guarda Revolucionária iraniana se prepara para resistir e transformar a ilha petrolífera de Kharg (apelidada por Trump como a “joia da coroa do Irão”) no epicentro da defesa do país. Pessoas próximas dos planos militares norte-americanos dizem ao jornal que a ilha pode ser conquistada com relativa facilidade — o verdadeiro desafio será manter as tropas seguras depois da chegada. “É preciso dar cobertura às pessoas na ilha de Kharg”, afirmou um dos ex-responsáveis. “Conquistá-la não é difícil. Proteger os homens depois de chegarem lá, sim.”
https://observador.pt/especiais/uma-unidade-de-fuzileiros-pode-invadir-kharg-mas-nao-a-consegue-ocupar-operacao-para-colocar-botas-no-terreno-ainda-e-muito-arriscada/
No domingo, o presidente do parlamento iraniano, Mohamed-Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de planear secretamente uma ofensiva terrestre contra o Irão, mesmo enquanto declaravam publicamente esforços diplomáticos para acabar com o conflito. No Telegram da Press TV, rede iraniana que transmite em inglês e francês, o antigo comandante da Guarda da Revolução afirmou: “O inimigo dá sinais públicos de que está disposto a negociar, enquanto planeia secretamente uma invasão terrestre. (…) As nossas forças estão preparadas para enfrentar quaisquer tropas terrestres dos EUA, e a nossa resposta é clara: nunca aceitaremos a humilhação”.
Ainda não se sabe quais planos do Pentágono Donald Trump vai aprovar — se todos, alguns ou nenhum. Nos últimos dias, a Casa Branca alternou entre sinais de desaceleração do conflito e alertas sobre uma possível escalada militar. Embora o Presidente tenha mostrado interesse no avanço das negociações, a porta-voz Karoline Leavitt avisou que, caso o Irão não abandone o seu programa nuclear e continue a ameaçar os EUA e aliados, Trump estará “preparado para desencadear o inferno”, segundo o jornal. “É função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade. Isso não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão.”