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(A) :: Pentágono prepara "semanas" de operações terrestres no Irão. Trump celebra avanços nas negociações, mas traça os próximos alvos

Pentágono prepara "semanas" de operações terrestres no Irão. Trump celebra avanços nas negociações, mas traça os próximos alvos

Autoridades afastam invasão em larga escala, mas admitem planos para incursões terrestres. Trump ameaça "explodir" centrais elétricas e de dessalinização, poços de petróleo e a "joia da coroa".

Mariana Furtado
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Enquanto reforça a presença militar no Médio Oriente, com milhares de soldados e fuzileiros a caminho da região, o Pentágono está a preparar operações terrestres no Irão que poderão prolongar-se ao longo de “semanas”, avança o The Washington Post (WP), que cita fontes ligadas às autoridades norte-americanas. Os planos, altamente confidenciais, antecipam uma possível nova fase do conflito — mais direta e potencialmente mais arriscada — caso Donald Trump decida avançar para uma escalada. Esta segunda-feira, o Presidente dos EUA desvendou possíveis alvos na sua rede social: centrais elétricas e de dessalinização, poços de petróleo, e a Ilha de Kharg — na mesma publicação que sinalizava avanços nas negociações.

As autoridades ouvidas pelo WP, sob anonimato, afastam o cenário de uma invasão terrestre em larga escala, mas não descartam incursões conduzidas por forças de Operações Especiais e tropas de infantaria convencionais. Na Truth Social, apesar dos avanços nas negociações “com UM NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL”, Trump repetiu um aviso claro: se não houver acordo em breve, o conflito poderá intensificar-se.

“Foram feitos grandes progressos, mas, se por qualquer motivo não se chegar a um acordo em breve — o que provavelmente acontecerá — e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto ao tráfego’, concluiremos a nossa adorável ‘estadia’ no Irão, explodindo e destruindo completamente todas as suas centrais elétricas, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as estações de dessalinização!), que propositadamente ainda não ‘tocámos'”, escreveu.

Os alvos iranianos que ameaçou têm sido, segundo ele, poupados deliberadamente. Semanas antes, a 16 de março, Trump já tinha indicado que não pretendia atingir zonas petrolíferas, mas admitiu que essa posição poderia mudar. “Destruímos tudo na ilha, exceto a zona onde se encontra o petróleo… não queríamos fazer isso, mas vamos fazê-lo”, afirmou numa conferência de imprensa de acordo com a Time. “Basta uma simples palavra e os oleodutos também desaparecerão, mas levará muito tempo a reconstruí-los”, advertiu.

Apesar dos ziguezagues retóricos, um ex-responsável da defesa, familiarizado com os planos, garantiu que nada está a ser improvisado e que decorre um planeamento extenso por detrás das cortinas. “Isto já foi analisado. Houve simulações. Não é uma decisão de última hora”, disse. Tomar território iraniano poderia pressionar Teerão e reforçar a posição de Washington em futuras negociações, mas traz um problema imediato: proteger as tropas destacadas no terreno.

Outro antigo elemento das autoridades militares dos EUA acredita que a Guarda Revolucionária iraniana se prepara para resistir e transformar a ilha petrolífera de Kharg (apelidada por Trump como a “joia da coroa do Irão”) no epicentro da defesa do país. Pessoas próximas dos planos militares norte-americanos dizem ao jornal que a ilha pode ser conquistada com relativa facilidade — o verdadeiro desafio será manter as tropas seguras depois da chegada. “É preciso dar cobertura às pessoas na ilha de Kharg”, afirmou um dos ex-responsáveis. “Conquistá-la não é difícil. Proteger os homens depois de chegarem lá, sim.”

https://observador.pt/especiais/uma-unidade-de-fuzileiros-pode-invadir-kharg-mas-nao-a-consegue-ocupar-operacao-para-colocar-botas-no-terreno-ainda-e-muito-arriscada/

No domingo, o presidente do parlamento iraniano, Mohamed-Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de planear secretamente uma ofensiva terrestre contra o Irão, mesmo enquanto declaravam publicamente esforços diplomáticos para acabar com o conflito. No Telegram da Press TV, rede iraniana que transmite em inglês e francês, o antigo comandante da Guarda da Revolução afirmou: “O inimigo dá sinais públicos de que está disposto a negociar, enquanto planeia secretamente uma invasão terrestre. (…) As nossas forças estão preparadas para enfrentar quaisquer tropas terrestres dos EUA, e a nossa resposta é clara: nunca aceitaremos a humilhação”.

Ainda não se sabe quais planos do Pentágono Donald Trump vai aprovar — se todos, alguns ou nenhum. Nos últimos dias, a Casa Branca alternou entre sinais de desaceleração do conflito e alertas sobre uma possível escalada militar. Embora o Presidente tenha mostrado interesse no avanço das negociações, a porta-voz Karoline Leavitt avisou que, caso o Irão não abandone o seu programa nuclear e continue a ameaçar os EUA e aliados, Trump estará “preparado para desencadear o inferno”, segundo o jornal. “É função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade. Isso não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão.”