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Um militar indonésio da força de paz da ONU no Líbano (FINUL) morreu esta segunda-feira após um segundo ataque contra um comboio sob comando de militares espanhóis que também integram a missão, indicou a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles.
Trata-se da segunda baixa registada entre os “capacetes azuis” (como são conhecidos os militares que integram as missões da ONU) da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL). O outro militar morto também era da Indonésia.
Margarita Robles falava à imprensa no Ministério da Indústria espanhol, depois de questionada sobre os ataques contra a FINUL, força destacada no sul do Líbano desde março de 1978, tendo manifestado “solidariedade e carinho” para com os familiares dos dois mortos, de nacionalidade indonésia.
“[A situação] é muito preocupante, pois, além do ataque que ocorreu ontem [domingo], no qual morreu um militar indonésio e outro ficou gravemente ferido, há poucos minutos ocorreu outro ataque contra um comboio, tendo morrido outro militar indonésio e ficado outro gravemente ferido”, sublinhou a ministra espanhola.
Robles recordou que a Indonésia está sob comando espanhol nesta missão e, por isso, adiantou ter pedido à ONU que ponha termo a esta situação, que “se respeite a missão de paz” e que sejam exigidas responsabilidades a Israel ou ao grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, uma vez que a autoria do ataque ainda é desconhecida.
Por sua vez, a missão confirmou “um incidente” perto da localidade de Bani Hayyan, “no qual estiveram envolvidos membros das forças de manutenção da paz nas proximidades”, disse à agência espanhola Europa Press a porta-voz da FINUL, Kandice Ardiel, indicando que há “feridos”, mas evitando, para já, falar de vítimas mortais.
“Ocorreu um incidente envolvendo soldados da FINUL perto de Bani Hayyan, e há feridos”, precisou Ardiel.
No domingo, a FINUL anunciou que um elemento indonésio das forças de manutenção da paz morreu quando um projétil explodiu numa posição da missão no sul do Líbano. A Indonésia já pediu a abertura de uma investigação.
O “capacete azul” foi “tragicamente morto na noite passada quando um projétil explodiu numa posição da FINUL perto de Adchit Al Qusayr. Outro ficou gravemente ferido. Ninguém deve perder a vida a servir a causa da paz”, referiu a força da ONU em comunicado.
O sul do Líbano está a ser bombardeado pelas forças israelitas desde que o movimento xiita libanês Hezbollah começou a disparar foguetes em direção ao norte de Israel, a 2 de março, em solidariedade com o Irão, alvo de uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos desde 28 de fevereiro.
A força da ONU indicou desconhecer a origem do projétil e ter iniciado uma investigação “para apurar todas as circunstâncias”.
A FINUL reafirmou o apelo “a todos os intervenientes para que cumpram as suas obrigações perante o direito internacional e garantam a segurança do pessoal e dos bens da ONU em todos os momentos”, acrescentando que “os ataques deliberados contra membros das forças de manutenção da paz são graves violações do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, podendo constituir crimes de guerra”.
Aquela força da ONU sublinhou ainda que “não há solução militar” para o conflito na zona.
O primeiro-ministro israelita disse no domingo que “ordenou a expansão da zona de segurança existente” no sul do Líbano, o que levará a uma maior ocupação militar israelita do país vizinho.
Benjamin Netanyahu justificou a decisão com a necessidade de “frustrar a ameaça de invasão e impedir o lançamento de mísseis antitanque na fronteira”, argumentando que o Hezbollah ainda conserva “uma capacidade residual de lançar foguetes”.
Mais de 1.200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3.500, segundo o Ministério da Saúde libanês.
A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o seu mandato este ano.