“‘Sr. Engenheiro’ Alegadamente Um Musical”, de Henrique Dias, encenação de Rui Melo
Teatro Tivoli BBVA, Lisboa (1 a 19 de abril)
Estreia-se, por fim, o musical sobre a vida de José Sócrates. Trata-se de uma comédia musical que mistura humor, crítica social e canções para revisitar o percurso do ex-primeiro-ministro português, da infância na Covilhã até exato momento em que começa o julgamento por alegada corrupção. A peça segue a tradição de uma crónica de costumes portuguesa, através de uma abordagem humorística a acontecimentos que fazem parte do imaginário coletivo nacional — a saber, um melhor amigo muito generoso, um motorista que sabe demais e licenciaturas ao domingo.

Com texto de Henrique Dias e encenação de Rui Melo, a produção da UAU tem um orçamento de 600 mil euros, o que promete um espetáculo de grande envergadura. A música está nas mãos de Artur Guimarães.
“Torrente”, Teatro do Vestido, Joana Craveiro
ZdB 8 Marvila, Lisboa (9 a 19 de abril)
O Teatro do Vestido, dirigido por Joana Craveiro, continua a debruçar-se sobre a história portuguesa do pré e pós-25 de Abril. Com Torrente, estreado fugazmente em novembro último, a companhia foca-se no período do Processo Revolucionário em Curso, conhecido pelo acrónimo PREC, e assume um tom “mais poético do que documental, mais evocativo do que informativo, e em que a memória surge estendida sobre uma mesa de operações, pronta a ser dissecada”. “Mas conseguiremos?”, questiona Craveiro, na nota que anuncia a peça que, felizmente, torna a mostrar-se em Lisboa, no ZdB 8 Marvila, espaço da Galeria Zé do Bois que fica na zona oriental da cidade.

À mesa, um conjunto de intérpretes vai tirando livros, apontamentos e o guião da própria peça, para revelar ao público as memórias do que foram esses meses únicos do pós-25 de Abril de 1974. O texto e direção é de Joana Craveiro, que assina a co-criação e interpretação do espetáculo com Estêvão Antunes, Diana Ramalho, Inês Minor, Tânia Guerreiro e Tozé Cunha.
“O Ventre do Vulcão”, de Tânia Carvalho
Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos (15 a 16 de abril)
“Como um vulcão, este solo guarda camadas de história sob a superfície, à espera de irromper”. Será um dos grandes pontos de interesse deste DDD — Dias da Dança, o festival que, anualmente, nos brinda com uma série de espetáculos de dança contemporânea em espaços que se estendem ao Porto, a Gaia e a Matosinhos — desta vez, o certame acontece entre os dias 8 e 19 de abril.

Referimo-nos ao novo espetáculo da coreógrafa e bailarina Tânia Carvalho, O Ventre do Vulcão, que se estreou na última Bienal de Dança de Veneza, em 2025, e que se mostra agora em duas datas apenas no Teatro Constantino Nery, em Matosinhos.
“Bérénice”, de Romeo Castellucci a partir de Jean Racine
Teatro Nacional S. João, Porto (17 a 19 de abril)
Dois monstros sagrados do teatro europeu encontram-se no Teatro Nacional S. João, no Porto. Falamos do visionário encenador italiano Romeo Castellucci, galardoado com o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra na Bienal de Veneza, e da atriz Isabelle Huppert, ícone do cinema e do teatro contemporâneo.

Com um monólogo livremente inspirado em Bérénice, de Jean Racine, Castellucci encena Huppert nesta leitura muito pessoal da tragédia francesa, um monumento à solidão e ao abandono. Estreado em março de 2024 no Théâtre de La Ville, em Paris, França, a peça chega a Portugal através de uma colaboração com a companhia italiana Societas e a francesa Cité Européenne du Théâtre – Domaine d’O. O espetáculo é em língua francesa com legendagem em português. As três únicas récitas estão há muito esgotadas.
“A Luminosa Violência da Perfeição”, de Daniel Matos
Teatro das Figuras, Faro (18 de abril)
A nova criação de Daniel Matos inspira-se em Pavana para uma Infanta Defunta, de Maurice Ravel, para explorar a relação entre tempo, corpo e juventude. A partir da ideia de pavana — uma dança lenta e processional — o espetáculo de dança desenvolve um fluxo contínuo de movimento em que a contenção convive com uma sensação de urgência, refletindo sobre o adiamento do fim da juventude e o que fica por viver.

Sem narrativa linear, a peça organiza-se em imagens de resistência e deslocamento, evocando forças em fuga e corpos em transformação, e conta com música ao vivo com Joana Guerra e a Orquestra do Algarve.