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(A) :: Trump com "todo o petróleo do Irão" e a polémica da missa de Domingo de Ramos. O que aconteceu no último dia de guerra?

Trump com "todo o petróleo do Irão" e a polémica da missa de Domingo de Ramos. O que aconteceu no último dia de guerra?

Trump assumiu que houve mudança de regime em Teerão e assinalou que a sua "coisa favorita" era ficar com o petróleo iraniano. Netanyahu deu ordens para expandir zona de segurança no sul do Líbano.

José Carlos Duarte
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“Estamos a lidar com pessoas diferentes” que são “mais razoáveis”. Ao fim de um mês de guerra, o Presidente norte-americano, Donald Trump assumiu que houve uma mudança de regime no Irão, após a morte de vários altos dirigentes do regime iraniano. O líder dos Estados Unidos disse que “talvez em breve” se possa chegar a um acordo de paz com a nova liderança e afirmou que Washington pode também ficar com “todo o petróleo” do Irão.

Por sua vez, Israel manteve-se focado em atacar posições iranianas e continuou a ser alvo de ataques do Irão. Este domingo, uma empresa agroquímica foi atacada perto da cidade israelita de Beersheba e levou as autoridades a ordenar que população não entrasse num raio de 800 metros da fábrica, devido aos gases que poderiam ser libertados para a atmosfera. Além disso, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou que o sul do Líbano continua a ser foco, anunciando a expansão da “zona de segurança” em território libanês. O país está a contar com uma longa ofensiva para liquidar as capacidades militares do Hezbollah.

No Domingo de Ramos, um dos dias mais importantes para os católicos, a polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrar na Basílica do Santo Sepulcro para celebrar a missa. Formou-se rapidamente um coro de críticas internacionais, com o Presidente da República, António José Seguro, a condenar a ação de Israel. O primeiro-ministro israelita justificou que se tratou de questões de segurança e assegurou que deu depois ordens para dar a missa.

Pode recordar os acontecimentos de sábado aqui.

https://observador.pt/2026/03/29/guerra-do-irao-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-9/

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste domingo, dia 29 de março:

No Irão

  • Os Estados Unidos e Israel intensificaram os ataques contra o centro industrial militar iraniano em Teerão. Foram atingidos locais de produção de motores de mísseis do Ministério da Defesa, unidades de fabrico de drones e centros de armazenamento de sistemas de defesa aérea. As Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) asseguraram que “estão a dias” de atingir todos os alvos da região.
  • Os dois países atacaram ainda uma escavadora que estaria a tentar limpar os destroços num local em que o Irão desenvolve mísseis, em Dezful. Com o recurso a um ataque aéreo, a 2 de março, os Estados Unidos e Israel tentaram bloquear o acesso aos túneis desse local e o Irão estará a tentar recuperar o acesso.
  • Edifícios da Guarda Revolucionária iraniana foram novamente atacados, como em Yazd e em Isfahan. Nesta última cidade, foi bombardeada uma universidade que os iranianos usavam para desenvolver armamento.
  • Em Teerão, no subúrbio de Saadat Abad, houve o registo de feridos na sequência de um bombardeamento.
  • Numa aldeia próxima de Shaft, no norte do país, pelo menos duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas depois de um ataque a uma zona residencial.
  • As autoridades iranianas confirmaram apagões em diversas partes de Teerão e na cidade de Karaj resultantes dos ataques ao complexo militar de Parchin.
  • Israel e Estados Unidos atacaram um edifício que servia de escritórios a um jornal do Qatar, Al Araby em Teerão.
  • Diante a iminência terrestre norte-americana, o regime lançou a campanha de recrutamento Janfada (Sacrifício pela Vida, em português) via SMS, apelando ao nacionalismo da população.
  • Prosseguiu a missão de eliminar figuras de topo no regime iraniano. Desta vez, Israel e Estados Unidos tentaram sem sucesso assassinar o líder da Organização de Pesquisa e Inovação Defensiva, Ali Fuladvand.
  • O chefe da Marinha iraniana, Shahram Irani, declarou que o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln será um dos alvos do Irão se a ofensiva terrestre for colocada em marcha.
  • O novo Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, enviou uma mensagem de agradecimento às milícias xiitas iraquianas aliadas com Teerão pelo apoio prestado ao Irão na guerra contra os Estados Unidos e Israel.
  • Agudizou-se a crise entre a Guarda Revolucionária e o Presidente Masoud Pezeshkian. O chefe de Estado tem alertado para os riscos de uma crise económica e dos custos sociais da guerra, estimando que a economia iraniana possa ficar dizimada entre três a quatro semanas. A Guarda Revolucionária discorda e quer continuar com o conflito.
  • Em resposta a ataques a universidades iranianas, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou que poderia atacar universidades norte-americanas localizadas no Médio Oriente. Em consequência, várias instituições de ensino superior da região reforçaram a segurança. 

Em Israel e no Líbano

  • O Irão voltou a atacar território israelita com sete vagas de mísseis. Vários alvos ocorreram dos ataques iraniano estavam concentrados em Beersheba, no sul de Israel. Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas naquela cidade.
  • Destroços de um míssil atingiram uma empresa agroquímica sino-israelita a 13 quilómetros de Beersheba. Deflagrou um incêndio no local e as autoridades de Israel pediram que a população não entrasse num raio de 800 metros da fábrica, devido aos gases que poderiam ser libertados para a atmosfera.
  • O Hezbollah deu conta de que levou a cabo 57 ataques contra as forças israelitas entre o norte de Israel e o sul do Líbano. A milícia xiita sublinhou que levou a cabo uma emboscada em Ainata, em território libanês.
    Na mesma medida, as IDF voltaram a atacar várias posições militares do Hezbollah no sul do Líbano.
  • Um ataque aéreo israelita atingiu uma ambulância no sul do Líbano, matando um médico e um paciente que estava a ser transportado.
  • A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) anunciou que um dos seus capacetes azuis foi morto após um rocket atingir uma posição no sul do Líbano.
  • As Forças de Defesa de Israel confirmaram a morte de um soldado nas operações do Líbano, após o Hezbollah ter lançado um rocket. Três militares também ficaram feridos.
  • Israel atacou vários edifícios em Beirute e emitiu vários avisos de evacuação para várias partes no sul da capital libanesa.
  • A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para celebrar a missa do Domingo de Ramos, pela primeira vez em séculos.
  • O primeiro-ministro de Israel admitiu que o Patriarca Latino de Jerusalém não pôde celebrar a missa num primeiro momento e justificou com motivos de segurança. Benjamin Netanyahu garantiu, no entanto, que “assim que se deu conta do incidente com o Cardeal Piazzabala”, deu ordens para “permitir ao Patriarca” dar a missa.
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deu ordens para as IDF expandirem a “zona de segurança israelita” no sul do Líbano. O objetivo consiste em diminuir as capacidades de o Hezbollah ter capacidades para lançar mísseis contra território do Estado judaico. A imprensa israelita noticia que Telavive está a preparar-se para ocupar território libanês nos próximos anos, numa operação militar que pode demorar meses.
  • O embaixador iraniano no Líbano, Mohammad Reza Sheibani, ter-se-á oposto a sair do país após o Governo libanês lhe ter retirado a acreditação diplomática e o ter considerado persona non grata, avança a AFP. O Hezbollah estará a pressionar o governo a mantê-lo no Líbano.
  • O Ministério da Saúde do Líbano deu nota de que mais de 1.200 pessoas morreram no Líbano nas últimas quatro semanas.

Nos países do Golfo

  • Como retaliação contra os ataques israelo-americanos às suas fábricas de aço e para pressionar economicamente os países do Golfo, o Irão atacou durante o fim de semana fábricas de alumínio nos países do Golfo: nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein.
  • No Dubai, a Emirates Global Aluminum foi atacada e o edifício ficou com danos significativos.
  • As autoridades dos Emirados Árabes Unidos contabilizaram a interceção de 16 mísseis balísticos e 42 drones.
  • No Bahrain, o ataque à Alba Aluminum Factory fez dois feridos ligeiros.
  • O Bahrain anunciou um recolher obrigatório marítimo nas suas águas territoriais. São proibidas todas as atividades marítimas entre as 18h00 e às 04h00 para todas as embarcações.
  • No Kuwait, o Ministério da Defesa deu conta de que 14 mísseis e 12 drones iranianos foram intercetados.
  • O Ministério da Defesa da Arábia Saudita referiu que destruiu dez drones oriundos do Irão.
  • Anwar Gargash, conselheiro diplomático do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, assinalou que qualquer solução política para o conflito com o Irão deve incluir garantias firmes de não-agressão e de prevenção de futuros ataques aos países do Golfo.

No resto do mundo

  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou que já houve uma mudança de regime em Teerão. “Estamos a lidar com pessoas diferentes de todas as que já lidámos antes” e que são “mais razoáveis”, afirmou.
  • Nas mesmas declarações a bordo do Air Force One este domingo, o líder republicano disse que “vê um acordo” com a nova liderança iraniana “talvez em breve”.
  • Donald Trump também sinalizou que o Irão está prestes a permitir a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz nos próximos dias. Tratam-se de 20 navios com a bandeira paquistanesa, sendo que o Irão já veio garantir que vai manter um controlo rígido sobre a rota.
  • Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump disse que os Estados Unidos podem ficar com “todo o petróleo do Irão”. “Era a minha coisa favorita”, destacou.
  • O líder norte-americano também admitiu ao Financial Times que os Estados Unidos podem controlar a ilha iraniana de Kharg. “Temos muitas opções.”
  • Chegaram ao Médio Oriente cerca de 3.500 fuzileiros navais dos Estados Unidos, num reforço militar norte-americano que já tinha sido anunciado.
  • O Paquistão intensificou os seus esforços diplomáticos para travar a escalada da guerra. Em Islamabad, as delegações da Arábia Saudita, do Egito, do Paquistão e da Turquia participaram nas conversações.
  • No Iraque, a embaixada norte-americana em Bagdade foi alvo de um ataque com dois drones, ambos abatidos. O Aeroporto Internacional de Bagdade e a refinaria de Baiji também foram alvos das milícias iraquianas pró-Irão.
  • No total, as milícias iraquianas aliadas a Teerão declaram que conduziram 41 ataques com rockets e drones contra posições “inimigas” no Iraque e na região.
  • Os Estados Unidos e Israel voltaram também a atacar posições e bases militares das milícias xiitas pró-iranianas no Iraque.
  • A refinaria de petróleo em Baiji, no Iraque, foi atacada com um recurso a um drone. Nenhuma das partes reivindicou o ataque.
  • O vice-ministro da Defesa da Síria, Sipan Hamo, anunciou que as forças do seu país repeliram no domingo um ataque com drones proveniente do Iraque, que tinha como alvo uma base norte-americana no nordeste da Síria.
  • Os preços do petróleo registaram uma subida acentuada, chegando ao preço por barril dos 115 dólares (cerca de 100 euros).
  • Vários líderes internacionais, incluindo o Presidente da República António José Seguro, criticaram  o impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém.