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O primeiro-ministro de Israel garantiu no domingo que deu instruções para que o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, tivesse acesso “imediato” à Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Ramos.
“Instruí as autoridades competentes a concederem ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino, acesso total e imediato à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém“, assegurou Benjamin Netanyahu num comunicado no X.
https://twitter.com/netanyahu/status/2038363314732867896
Netanyahu disse que nos últimos dias o Irão tem lançado ataques dirigidos a locais religiosos católicos, judaicos e muçulmanos. “Para proteger os fiéis, Israel pediu aos membros de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de praticar o culto nos locais sagrados cristãos, muçulmanos e judaicos na Cidade Velha de Jerusalém”, afirmou. Acrescentou que, “por especial preocupação” pela segurança do cardeal, lhe foi “pedido” para não celebrar a missa de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro.
“Apesar de entender esta preocupação, assim que ouvi falar do incidente com o cardeal Pizzaballa, instruí as autoridades a permitir o Patriarca a celebrar a missa como entender”, garantiu Netanyahu.
A polícia israelita impediu o patriarca de aceder à Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, celebração católica que se realiza uma semana antes do domingo de Páscoa e celebra a entrada de Jesus em Jerusalém.
A decisão foi tomada apesar de Pizzaballa ter respeitado as restrições de segurança que limitam os aglomerados a 50 pessoas devido à guerra com o Irão. “É verdade que a polícia tinha dito que as ordens do comando interno impediam qualquer tipo de reunião em locais sem abrigo, mas não tínhamos solicitado nada público, apenas uma breve e pequena cerimónia privada para preservar a ideia da celebração no Santo Sepulcro”, explicou o clérigo, em declarações transmitidas pela emissora italiana TV2000.
https://observador.pt/2026/03/29/sem-precedentes-e-uma-ofensa-paises-criticam-israel-por-ter-impedido-patriarca-latino-de-celebrar-domingo-de-ramos-em-jerusalem/
O cardeal também deixou claro que o incidente ocorreu “sem confrontos” e que foi tratado de forma educada. “Não houve confrontos, tudo decorreu de forma muito cortês”, acrescentou.
Além disso, Pizzaballa indicou que compreende que se deva garantir a segurança em plena guerra, mas também a oração face à celebração da Semana Santa. O Patriarca Latino de Jerusalém afirmou que pretende aproveitar o impedimento de que foi alvo para que se preserve o direito à oração, “respeitando a segurança de todos”.
Benjamin Netanyahu assegurou que as forças de segurança israelitas estavam a “elaborar um plano para que os líderes eclesiásticos possam celebrar os seus cultos no local sagrado durante os próximos dias”.
Segundo o governante israelita, o Irão tem atacado “repetidamente” os locais sagrados das três religiões monoteístas, numa referência à queda de destroços da interceção de um míssil no bairro judeu, a apenas 400 metros da Esplanada das Mesquitas ou do Muro das Lamentações. Não há indícios, até ao momento, de que estes locais (entre os quais a Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islão) fossem o alvo específico dos mísseis disparados pelo Irão.
Autoridades de países como Itália, França, Espanha, Brasil e até mesmo Estados Unidos manifestaram rejeição à decisão israelita. Também o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, reprovou no domingo o impedimento da celebração da missa de Domingo de Ramos, assim como o Governo, que através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, condenou a ação da polícia israelita.
“O impedimento do acesso do Cardeal Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X.