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(A) :: Amnistia alerta para riscos das políticas de imigração abusivas dos EUA

Amnistia alerta para riscos das políticas de imigração abusivas dos EUA

Amnistia Internacional denuncia EUA, dizendo que "introduziram uma série de restrições arbitrárias e discriminatórias nos vistos que ameaçam o espírito inclusivo do Mundial".

Agência Lusa
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As “políticas de imigração abusivas e mortíferas” dos Estados Unidos são um risco para os adeptos e para os futebolistas que estarão no Mundial2026, denunciou a Amnistia Internacional, alertando ainda para restrições severas à liberdade de expressão.

O relatório “A Humanidade Tem de Vencer: Defender os direitos, combater a repressão no Campeonato do Mundo da FIFA de 2026” apresenta o contexto do próximo Mundial e detalha riscos significativos e o impacto sobre adeptos, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais nos três países anfitriões, com particular incidência nos Estados Unidos.

“Os EUA, sob a presidência de Trump — onde serão disputados três quartos dos jogos do Mundial — enfrentam uma emergência em matéria de direitos humanos marcada por políticas de imigração discriminatórias, detenções em massa e prisões arbitrárias por agentes da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) e de outras agências”, alerta.

Para a Amnistia Internacional, estas agências representam “uma ameaça assustadora para as pessoas que vivem nos EUA, para quem viaja para ver um jogo e para os próprios jogadores”.

“Adicionalmente à aplicação abusiva das leis de imigração e das detenções em massa, os Estados Unidos introduziram uma série de restrições arbitrárias e discriminatórias nos vistos que ameaçam o espírito inclusivo do Mundial”, denuncia.

De acordo com esta organização não-governamental, as proibições impostas pela administração norte-americana também impedirão adeptos da Costa do Marfim, do Haiti, do Irão e do Senegal de entrar no país, “a menos que possuam vistos válidos antes de 1 de janeiro de 2026”.

“Outros adeptos enfrentam uma vigilância intrusiva, com propostas para obrigar os visitantes a disponibilizar as suas contas nas redes sociais para verificação e triagem de “antiamericanismo”, acrescenta o relatório.

Contudo, os problemas não se concentram apenas nos Estados Unidos, com a Amnistia Internacional a assumir que também no Canadá e México “tem havido restrições à liberdade de expressão e à reunião pacífica” e a alertar para ameaças à comunidade LGBTQI+, que não considera “seguro” para ter “uma presença visível no torneio”.

“A poucas semanas do início do Campeonato do Mundo, a premissa da FIFA de que o “Futebol une o Mundo” contrasta flagrantemente com as práticas divisórias e repressivas dos governos que acolherão o torneio. A alegria que os fãs desejam experienciar durante seis semanas de celebração do futebol é ofuscada pela realidade de detenções violentas e massivas, deportação e uma política discriminatória de vistos”, alerta.

A Amnistia Internacional considera que perante “esta emergência em matéria de direitos humanos, o Mundial já não é o torneio de ‘risco médio’ que a FIFA outrora considerou que fosse”, sendo necessárias “medidas urgentes” para atenuar a brecha entre “a promessa original do torneio e a realidade de hoje”.

“Ainda há tempo para evitar que o Mundial2026 se torne num palco de repressão e uma plataforma de práticas autoritárias”, defende.

A organização insta a FIFA a tomar medidas claras para garantir os direitos de adeptos e participantes, nomeadamente trabalhando em conjunto com os governos dos três países organizadores e assegurando que os Estados Unidos não reforçarão a atividade das suas agências durante a competição.

“A FIFA, as federações nacionais e os patrocinadores têm uma responsabilidade clara de respeitar os direitos humanos e de usar a sua significativa influência para proteger fãs, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais”, acrescenta.

O Mundial2026 vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.

Portugal está integrado no Grupo K, juntamente com o Uzbequistão, a Colômbia e um adversário ainda a definir, que vai sair do play-off intercontinental entre República Democrática do Congo e Jamaica.