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(A) :: Suspeito da morte de dois polícias abatido na Austrália após meses em fuga

Suspeito da morte de dois polícias abatido na Austrália após meses em fuga

Freeman conseguiu escapar às autoridades durante sete meses, escondendo-se em zonas montanhosas e florestais. Buscas visaram mais de 100 propriedades e envolveram helicópteros e unidades especiais.

Agência Lusa
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A polícia da Austrália anunciou esta segunda-feira que matou a tiro um fugitivo suspeito de ter assassinado dois agentes em agosto, no sudeste do país.

“Um homem foi morto a tiro pela polícia numa propriedade no nordeste de Victoria esta manhã, como parte de uma operação para localizar Desmond Freeman”, disse a polícia estadual.

Em comunicado, as autoridades de Victoria disseram que a operação decorreu às 8h30 (21h30 de domingo em Lisboa), sem que nenhum agente tivesse ficado ferido.

A operação policial pôs fim a uma intensa caça ao homem que durou sete meses.

O homem de 56 anos, adepto de teorias da conspiração, era procurado desde um tiroteio fatal, a 26 de agosto, durante uma busca à sua casa, na pequena cidade de Porepunkah, no sudeste do país.

O detetive Neal Thompson e o agente Vadim de Waart, que cumpriam um mandado de busca relacionado com alegados crimes sexuais, foram mortos no tiroteio, enquanto um terceiro agente ficou ferido e recuperou após ter sido submetido a uma cirurgia.

https://observador.pt/2025/08/26/dois-policias-mortos-a-tiro-e-um-3-o-ferido-grave-na-australia-atirador-esta-em-fuga-e-autoridades-aconselham-moradores-a-ficarem-em-casa/

Desde então, Freeman conseguiu escapar às autoridades escondendo-se em zonas montanhosas e florestais, o que dificultava a sua localização devido à sua experiência de sobrevivência no exterior.

Durante a operação de busca, que incluiu o recurso a helicópteros, unidades especiais e a busca em mais de uma centena de propriedades, as autoridades indicaram que o suspeito poderia estar fortemente armado.

A mulher de Freeman e o filho adolescente foram brevemente detidos pelos investigadores antes de serem libertados. Amalia Freeman fez um apelo público para que este se entregue.

No início de setembro, a polícia de Victoria ofereceu uma recompensa no valor de um milhão de dólares australianos (560 mil euros) por informações que levassem à detenção de Freeman, um valor sem precedentes para a força policial.

Os meios de comunicação australianos descreveram o suspeito como um adepto radical do movimento “Cidadãos Soberanos”, cujos membros rejeitam a autoridade do Estado, incluindo da polícia.

Surgido nos Estados Unidos na década de 1970, este movimento tem-se espalhado através da Internet, particularmente na rede social Facebook, em grupos onde ativistas se juntam a oportunistas, que procuram, por exemplo, uma forma de evitar o pagamento de determinadas contas.

Em França, os seguidores do movimento acreditam que o Estado não existe como uma entidade pública, mas sim como uma empresa privada criada em 1947, à qual não têm de se submeter sem consentimento.

Um deles foi condenado em abril de 2025 a cinco meses de prisão por se ter recusado a passar por uma verificação policial.

O último polícia a ser baleado e morto em serviço na Austrália tinha sido em 2023 no estado da Austrália Meridional, de acordo com o portal do Memorial Nacional da Polícia.

Em 2022, dois polícias foram mortos a tiro por extremistas cristãos numa propriedade rural no estado de Queensland.