O senador norte-americano John Curtis, do Partido Republicano, apoiou esta segunda-feira o Governo de Taiwan na tentativa de aumentar a despesa militar através de legislação que permanece bloqueada há meses no parlamento, controlado pela oposição.
“Taiwan está a fazer progressos reais no reforço da sua defesa, na preparação de toda a sociedade e na segurança energética, especialmente durante o último ano”, afirmou Curtis, durante um encontro com o líder taiwanês, William Lai Ching-te, no Palácio Presidencial.
“Esse grau de empenho é reconhecido em Washington, e os vossos esforços em torno do orçamento especial de Defesa também são valorizados e apoiados”, acrescentou o senador republicano.
Curtis, que chegou esta segunda-feira a Taipé acompanhado por outros três senadores norte-americanos, afirmou que a estabilidade e a segurança de Taiwan “são importantes” para os Estados Unidos, sublinhando que as relações entre ambas as partes “estão cada vez mais fortes”.
William Lai assegurou que Taiwan “compreende plenamente que a paz só pode ser garantida através da força” e destacou que a ilha tem aumentado de forma sustentada a sua despesa militar nos últimos anos, com um orçamento de Defesa que ultrapassará 3% do PIB este ano e deverá atingir 5% em 2030.
Neste contexto, Lai voltou a apelar aos principais partidos da oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular de Taiwan (PPT), que detêm a maioria dos lugares no parlamento, para aprovarem a versão do orçamento especial de Defesa apresentada pelo executivo no final de 2025.
“Temos de aprovar o orçamento na totalidade e sem mais atrasos”, afirmou Lai.
Estas declarações surgem num contexto de crescentes tensões entre o Governo e a oposição, que ainda não chegaram a consenso quanto ao montante nem ao alcance do referido orçamento.
A proposta do Executivo, enviada ao legislativo em novembro e apoiada pela Administração norte-americana, abrange oito anos (2026-2033) e prevê um orçamento total de 1,25 biliões de dólares taiwaneses (cerca de 34 mil milhões de euros).
O plano visa financiar aquisições de armamento — tanto já anunciadas como futuras — e programas de produção conjunta com os Estados Unidos para reforçar a defesa aérea da ilha, a capacidade antiblindagem e os sistemas de veículos aéreos não tripulados (“drones”).
A proposta do PPT, apresentada a 26 de janeiro, limita a despesa em armamento a 400 mil milhões de dólares taiwaneses (10,9 mil milhões de euros) até 2033, enquanto a do também opositor KMT, revelada a 5 de março, fixa um teto de 380 mil milhões de dólares taiwaneses (10,3 mil milhões de euros) até 2028.
A falta de acordo em torno destas propostas ocorre num contexto de crescente pressão militar da China continental, que considera Taiwan como “parte inalienável” do seu território e não excluiu o uso da força para assumir o seu controlo.