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A verdade da guerra no Líbano

O governo israelita percebeu o óbvio. O governo libanês e a ONU não conseguem desarmar o Hezbollah. Tem que ser Israel a fazê-lo. Qualquer governo europeu faria o que faz o governo israelita.

João Marques de Almeida
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A actual guerra no Líbano é um excelente exemplo sobre o modo como organizações terroristas como o Hezbollah e o Hamas actuam. No dia em que começou a guerra no Irão, no passado 28 de Fevereiro, o governo israelita avisou o Hezbollah para não atacar Israel porque a guerra nada tinha a ver com o Líbano. O governo libanês também pediu ao Hezbollah para não atacar Israel. Até clãs xiitas se juntaram no apelo ao Hezbollah. O grupo terrorista do Líbano ignorou todos os avisos e pedidos, e atacou Israel. Por uma simples razão: defende os interesses iranianos e não os interesses libaneses.

Israel, obviamente, respondeu aos ataques. Mas só o fez, depois de ser atacado pelo Hezbollah. Como o poder militar israelita é superior, provoca mais baixas e uma destruição maior. Depois, durante a guerra, o Hezbollah mostra imagens de mortes e de destruição, que as televisões repetem por todo o mundo.  Ou seja, o Hezbollah é o agressor, mas porta-se como a vítima, e muitos à volta do mundo deixam-se enganar pela farsa do grupo xiita.

Muitos condenam Israel pelos ataques a “alvos civis” no Líbano. Mas, aparentemente, não notam nos alvos civis em Israel atacados pelo Hezbollah. Os terroristas libaneses atacam escolas, hospitais e kibutzes israelitas. São alvos civis, não são alvos militares. A diferença reside, mais uma vez, na capacidade militar israelita. As suas defesas são muito superiores às do Hezbollah. É a única razão por que há menos baixas civis em Israel do que no sul do Líbano. Vejo muitos políticos europeus e portugueses atacarem Israel pela guerra no sul do Líbano. Mas nunca vejo dizerem o que fariam, perante ataques do Hezbollah, se fossem PM de Israel.

Mas a situação de guerra entre Israel e o Hezbollah tem um passado. Não precisamos de recuar ao início, basta ir ao verão de 2006. Na altura, houve uma guerra entre Israel e o Hezbollah, de cerca de um mês. No dia 11 de Agosto de 2006, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, uma Resolução, 1701, para o cessar-fogo e para uma força de manutenção da paz da ONU, a UNIFIL. A Resolução fez três apelos:

  • Retirada das tropas de Israel do território libanês.
  • Desarmamento do Hezbollah.
  • Desmilitarização da região do sul do Líbano, entre o rio Litani e a fronteira de Israel.

As tropas israelitas abandonaram o território libanês. Mas o Hezbollah continuou armado e a operar a sul do rio Litani. Estamos em 2026, passaram quase 20 anos e o Hezbollah, ao contrário de Israel, nunca cumpriu a Resolução da ONU. Mais: a UNIFIL nada fez para impor a Resolução 1701, pelo contrário, foi muitas vezes cúmplice do Hezbollah.

O governo israelita percebeu o óbvio. O governo libanês e a ONU não conseguem desarmar o Hezbollah. Tem que ser Israel a fazê-lo. Qualquer governo europeu faria o que faz o governo israelita. Aliás, desde o dia 28 de Fevereiro, o próprio governo libanês já apelou mais uma vez ao desarmamento do Hezbollah. E há umas semanas expulsou o embaixador iraniano do país.

Esta é a verdade da guerra entre Israel e o Hezbollah. O governo libanês, todos os governos europeus e todos os governos dos países do Médio Oriente conhecem muito bem a verdade, mas ninguém tem a coragem de a defender. Mais: alguns desses governos criticam Israel em público, mas desejam em privado que Israel destrua, finalmente, o Hezbollah. A começar pelo governo libanês. No Líbano, o estado não tem o monopólio da violência legítima, e o Hezbollah representa o poder iraniano no país. O sul do Líbano é um mini-Irão.

O Líbano só voltará a ser um país normal, virado para o desenvolvimento económico, para a justiça social e para a democracia quando o Hezbollah desaparecer. Até lá, os libaneses viverão sempre em insegurança. A estabilidade e o desenvolvimento do Líbano interessam à Europa. Os países europeus deveriam estar a ajudar militarmente o governo libanês a derrotar o Hezbollah, juntamente com Israel. Mas a maioria dos governos europeus não está preparada para perceber que a força militar voltou a ser um instrumento da política externa. Nem sequer conseguem dizer às suas populações a verdade sobre o que se passa no Líbano. Para a Europa esta fraqueza é dramática. Para os libaneses, só Israel os pode ajudar a viver num país melhor, mais seguro e mais desenvolvido.