O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair acusou este domingo a esquerda do Reino Unido de ser antissemita por ser demasiado complacente com o islamismo político.
Num artigo intitulado “Devemos acabar com a aliança profana da esquerda com os islamitas”, publicado no jornal The Times e citado pela agência de notícias espanhola EFE, o ex-primeiro-ministro britânico (1997-2007) considerou que é legítimo criticar o Estado de Israel, mas que, frequentemente, isso resulta em antissemitismo.
“Partes da esquerda apresentam as comunidades judaicas como defensoras de Israel, tornando os judeus alvo legítimo [de ataques]”, assinalou, sem especificar a que “partes” se refere.
Tony Blair justificou-se com o aumento dos incidentes de índole antissemita no Reino Unido, o mais grave um ataque contra uma sinagoga de Manchester em outubro de 2025, em que o agressor matou duas pessoas e provocou vários feridos.
Para Blair, que nos últimos anos tem defendido o Estado de Israel, existe agora “um antissemitismo moderno” que se instalou em muitos países europeus e que tem feito com que parte das comunidades judaicas com raízes seculares em países como o Reino Unido e a França estejam a preferir emigrar para Israel, por se sentirem inseguras na Europa.
O antigo primeiro-ministro considerou que o antissemitismo assume “novas formas” e sugeriu haver uma “versão da esquerda” em que é feita “uma aliança com os islamitas”.
Segundo Blair, este novo antissemitismo foi catapultado por a esquerda se recusar a reconhecer as razões de Israel para começar uma guerra em Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2022.
Na sua defesa de Israel, Blair reitera as acusações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de que a proibição da entrada de bens e mercadorias em Gaza (incluindo alimentos), se deve a Israel temer “que esses materiais sejam utilizados com o objetivo de construir uma infraestrutura terrorista”.