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Polícia israelita impede Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar missa do Domingo de Ramos. Netanyahu rejeita "intenções maliciosas"

Polícia israelita proibiu Pierbattista Pizzabala de celebrar missa do Domingo de Ramos. Meloni diz que proibição é “uma ofensa não só aos fiéis" mas também à "liberdade religiosa”.

Agência Lusa
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Marina Ferreira
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Martim Andrade
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A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrar no local sagrado para celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’, “pela primeira vez em séculos”, afirmou o Patriarcado Latino este domingo.

“Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado […] e foram obrigados a voltar para trás”, indica um comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, liderado por Pierbattista Pizzabala.

“Consequentemente, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’ na Igreja do Santo Sepulcro”, acrescenta o comunicado, numa altura em que Israel encerrou todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança.

Para as autoridades religiosas, este impedimento “constitui um grave precedente” e “demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém”.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel reagiu entretanto às várias mensagens de condenação pelo cancelamento das celebrações. Na rede social X, o gabinete de Benjamin Netanyahu escreve que o Governo israelita pediu a “suspensão temporária” de todas as celebrações religiosas na capital “para os proteger” de ataques iranianos.

“Nos últimos dias, o Irão tem tentado atacar os locais de culto das três religiões monoteístas em Jerusalém com mísseis balísticos”, lê-se na publicação na rede social X. O gabinete do primeiro-ministro reforça que “não houve qualquer intenção maliciosa, apenas preocupação com a segurança e a do seu grupo”, relativamente ao caso das celebrações conduzidas pelo cardeal Pizzaballa.

“No entanto, dada a importância sagrada da semana que antecede a Páscoa para os cristãos de todo o mundo, as forças de segurança de Israel estão a elaborar um plano para permitir que os líderes religiosos possam celebrar a missa no local sagrado nos próximos dias”, acrescentam.

https://twitter.com/IsraeliPM/status/2038252865865519479

Contactada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), a polícia escusou-se a fazer comentários. No início da ofensiva conduzida pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro, as autoridades israelitas proibiram grandes ajuntamentos, incluindo nas sinagogas, igrejas e mesquitas, limitando as reuniões públicas a cerca de 50 pessoas.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condena as ações da polícia israelita que conduziram à proibição da celebração religiosa da missa de Domingo de Ramos em Jerusalém por parte do cardeal Pierbattista Pizzaballa.

A governante emitiu um comunicado em que considera o incidente “uma ofensa não só aos fiéis, mas a qualquer comunidade que respeite a liberdade religiosa”.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, António Tajani, garante na rede social X que já deu instruções para convocar o Embaixador de Israel “a fim de obter esclarecimentos sobre a decisão de impedir o Cardeal Pizzaballa de celebrar o Domingo de Ramos”.

https://twitter.com/Antonio_Tajani/status/2038213804081783242?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2038213804081783242%7Ctwgr%5E8baaba2e4f4ba676f45b8082734b72266dfe2eac%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblog-partial-admin%2F

O Presidente francês Emmanuel Macron utilizou a rede social X para condenar a decisão da polícia israelita, que diz somar-se “ao preocupante aumento das violações do estatuto dos lugares santos em Jerusalém”.

https://twitter.com/EmmanuelMacron/status/2038239412484468984

O ‘Domingo de Ramos’, que abre a Semana Santa, comemora a última subida de Cristo a Jerusalém, onde foi recebido triunfalmente por uma multidão em festa poucos dias antes da sua crucificação e da sua ressurreição na manhã da Páscoa, segundo os Evangelhos.

O Patriarcado latino anunciou também o cancelamento da tradicional procissão do ‘Domingo de Ramos’, que normalmente parte do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém e atrai milhares de fiéis todos os anos.

“Os responsáveis das Igrejas agiram com total responsabilidade e, desde o início da guerra, cumpriram todas as restrições impostas”, declarou o Patriarcado.

“Impedir a entrada do cardeal e do custódio, que assumem a mais alta responsabilidade eclesiástica na Igreja Católica e nos Lugares Santos, constitui uma medida manifestamente irrazoável e gravemente desproporcionada”, acrescenta o comunicado.

Segundo estimativas de 2023 do Patriarcado latino de Jerusalém, os cristãos representavam mais de 18% da população da Terra Santa — região que inclui a Jordânia, além de Israel e dos territórios palestinianos ocupados — aquando da criação do Estado de Israel em 1948, mas atualmente são menos de 2%, maioritariamente ortodoxos.