A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrar no local sagrado para celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’, “pela primeira vez em séculos”, afirmou o Patriarcado Latino este domingo.
“Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado […] e foram obrigados a voltar para trás”, indica um comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, liderado por Pierbattista Pizzabala.
“Consequentemente, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’ na Igreja do Santo Sepulcro”, acrescenta o comunicado, numa altura em que Israel encerrou todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança.
Para as autoridades religiosas, este impedimento “constitui um grave precedente” e “demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém”.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel reagiu entretanto às várias mensagens de condenação pelo cancelamento das celebrações. Na rede social X, o gabinete de Benjamin Netanyahu escreve que o Governo israelita pediu a “suspensão temporária” de todas as celebrações religiosas na capital “para os proteger” de ataques iranianos.
“Nos últimos dias, o Irão tem tentado atacar os locais de culto das três religiões monoteístas em Jerusalém com mísseis balísticos”, lê-se na publicação na rede social X. O gabinete do primeiro-ministro reforça que “não houve qualquer intenção maliciosa, apenas preocupação com a segurança e a do seu grupo”, relativamente ao caso das celebrações conduzidas pelo cardeal Pizzaballa.
“No entanto, dada a importância sagrada da semana que antecede a Páscoa para os cristãos de todo o mundo, as forças de segurança de Israel estão a elaborar um plano para permitir que os líderes religiosos possam celebrar a missa no local sagrado nos próximos dias”, acrescentam.
https://twitter.com/IsraeliPM/status/2038252865865519479
Contactada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), a polícia escusou-se a fazer comentários. No início da ofensiva conduzida pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro, as autoridades israelitas proibiram grandes ajuntamentos, incluindo nas sinagogas, igrejas e mesquitas, limitando as reuniões públicas a cerca de 50 pessoas.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condena as ações da polícia israelita que conduziram à proibição da celebração religiosa da missa de Domingo de Ramos em Jerusalém por parte do cardeal Pierbattista Pizzaballa.
A governante emitiu um comunicado em que considera o incidente “uma ofensa não só aos fiéis, mas a qualquer comunidade que respeite a liberdade religiosa”.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, António Tajani, garante na rede social X que já deu instruções para convocar o Embaixador de Israel “a fim de obter esclarecimentos sobre a decisão de impedir o Cardeal Pizzaballa de celebrar o Domingo de Ramos”.
https://twitter.com/Antonio_Tajani/status/2038213804081783242?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2038213804081783242%7Ctwgr%5E8baaba2e4f4ba676f45b8082734b72266dfe2eac%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblog-partial-admin%2F
O Presidente francês Emmanuel Macron utilizou a rede social X para condenar a decisão da polícia israelita, que diz somar-se “ao preocupante aumento das violações do estatuto dos lugares santos em Jerusalém”.
https://twitter.com/EmmanuelMacron/status/2038239412484468984
O ‘Domingo de Ramos’, que abre a Semana Santa, comemora a última subida de Cristo a Jerusalém, onde foi recebido triunfalmente por uma multidão em festa poucos dias antes da sua crucificação e da sua ressurreição na manhã da Páscoa, segundo os Evangelhos.
O Patriarcado latino anunciou também o cancelamento da tradicional procissão do ‘Domingo de Ramos’, que normalmente parte do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém e atrai milhares de fiéis todos os anos.
“Os responsáveis das Igrejas agiram com total responsabilidade e, desde o início da guerra, cumpriram todas as restrições impostas”, declarou o Patriarcado.
“Impedir a entrada do cardeal e do custódio, que assumem a mais alta responsabilidade eclesiástica na Igreja Católica e nos Lugares Santos, constitui uma medida manifestamente irrazoável e gravemente desproporcionada”, acrescenta o comunicado.
Segundo estimativas de 2023 do Patriarcado latino de Jerusalém, os cristãos representavam mais de 18% da população da Terra Santa — região que inclui a Jordânia, além de Israel e dos territórios palestinianos ocupados — aquando da criação do Estado de Israel em 1948, mas atualmente são menos de 2%, maioritariamente ortodoxos.