(c) 2023 am|dev

(A) :: O Falcão voltou a voar: Miguel Oliveira faz bingo de pódios no Algarve (e só não teve jackpot pelas motos da Ducati)

O Falcão voltou a voar: Miguel Oliveira faz bingo de pódios no Algarve (e só não teve jackpot pelas motos da Ducati)

Não houve duas sem três: depois do terceiro lugar na corrida 1 e na superpole, português fechou o pódio na corrida 2 atrás das Ducati de Bulega e Lecuona. Português ascendeu a quarto do Mundial.

Bruno Roseiro
text

Pode um nome ser tão grande ou maior do que uma prova? Em condições normais, não. No Autódromo do Algarve para o Grande Prémio de Portugal com Miguel Oliveira, sim. E enquanto os mais saudosistas ainda olham para o que se passa no Mundial de MotoGP “reclamando” a evidência de que o “problema” na Prima Pramac era tudo menos o piloto português que deixou o principal escalão este ano, milhares de fãs voltaram a rumar ao sul do país para apoiar o Falcão no novo desafio que tem ao serviço da BMW no Mundial de Superbike. A estreia acabou por ser discreta na Austrália, com um sétimo e um oitavo lugares sempre a correr de trás para a frente fruto das qualificações menos conseguidas, mas a nova etapa estava apenas a começar.

O bingo foi mesmo feito, o jackpot acabou por ficar nas mãos da Ducati: num remake que marcou todo o fim de semana, Miguel Oliveira fechou a corrida 2 da segunda prova do Mundial na terceira posição, tal como tinha acontecido na corrida 1 e na corrida superpole, e só não conseguiu chegar mais à frente pelo domínio de Nicolò Bulega e Iker Lecuona, pilotos oficiais da marca italiana que fizeram 1-2 nas três provas no Algarve. Desta forma, o português conseguiu ascender ao quarto lugar do Mundial, atrás da dupla da Ducati e do italiano Axel Bassani, da Bimota, a quem ganhou 19 pontos nas três corridas realizadas agora no Algarve.

Este sábado, e depois de uma queda aparatosa mas sem danos na terceira sessão de treinos livres, Miguel Oliveira partiu da quarta posição e conseguiu terminar no pódio na corrida 1, a 4.8 segundos do vencedor Nicolò Bulega e a cerca de dois segundos de Iker Lecuona, tendo também uma vantagem sólida de cinco segundos sobre o quarto classificado, Alex Lowes (Bimota). “É especial fazê-lo em casa, por brindar o público com este pódio. Era sem dúvida um dos objetivos para este fim de semana. O meu objetivo real era estar no top 5 e lutar pelo pódio. As intuições têm batido certo. Temos tido algumas dificuldades também com a moto, sobretudo no último setor, onde não conseguimos ser tão rápidos, mas, no resto da pista, consigo mais ou menos defender bem. Agora vou tentar sacar algum coelho da cartola”, apontara o português.

Mudou o dia, mudou a prova, não mudou o resultado. Numa repetição daquilo que tinha acontecido antes mas numa corrida mais curta, Miguel Oliveira voltou a segurar a terceira posição atrás das duas Ducati com Bulega na frente e Lecuona na perseguição, ficando bem mais próximo do espanhol mas também com o britânico Alex Lowes bem mais na roda do que se tinha visto na véspera. Valeu o resultado, valeu a terceira posição na grelha para a corrida 2, valeu a confiança de que ainda era possível fazer algo mais para coroar um fim de semana de regresso à luta pelos pódios mesmo que numa categoria diferente, valeram as indicações de que seria possível fazer acertos numa moto que ganhava na travagem mas perdia depois em velocidade, com tudo o que isso poderia condicionar a luta pelas Ducati ou a “defesa” das duas Bimota.

Esse duelo acabou por ser o grande fator de interesse na corrida 2, na tarde deste domingo. Nicolò Bulega assumiu de imediato a liderança, disparou e somou a terceira vitória quase em ritmo de “passeio”, Lecuona ainda rodou atrás do português mas cedo assumiu a segunda posição. Assim, as atenções voltavam a ficar 100% centradas na luta pelo último lugar do pódio, com Miguel Oliveira a ter mais dificuldades em segurar Alex Lowes mas a conseguir com mestria controlar os ataques do britânico para voltar a segurar a terceira posição, de novo muito festejada no Autódromo do Algarve por muitos milhares de adeptos.

De recordar que, depois das duas prometedoras épocas na Tech3 da KTM e de mais duas temporadas como piloto da equipa de fábrica da KTM, Miguel Oliveira não conseguia chegar a um pódio desde 2022, ano em que começou a ganhar na Indonésia e venceu depois na Tailândia. A partir daí, entre os dois anos na Aprilia e ao último ano na Yamaha, o melhor que o português conseguiu foi terminar três vezes no top 5, todas pela equipa italiana e no ano de 2023. Sete anos depois, o Falcão saiu mesmo do MotoGP e passou para o Mundial de Superbike, regressando agora aos pódios em versão tripla no Algarve ao serviço da BMW.

“O Alex [Lowes] manteve a pressão em cima de mim várias voltas. Tentei aguentar, segurar o terceiro lugar e foi isso que aconteceu. Agora é divertir-me e olhar para a próxima prova”, começou por dizer na zona de entrevistas rápidas. “Já estava a prever que fosse uma corrida dura, não tinha muito mais no tanque para dar. Senti-me um bocadinho pior em relação a ontem [sábado], não sei se pelo vento ou se pelas condições diferentes, senti mais problemas no pneu traseiro que ficou todo na pista, dei tudo e conseguimos segurar este terceiro lugar. Agora é continuar”, acrescentou depois, neste caso em declarações à SportTV.

Em termos de Mundial, e depois de ter feito o segundo pleno noutros tantos fins de semana, Nicolò Bulega passa a liderar a classificação com 124 pontos, quase o dobro do companheiro na Ducati, Iker Lecuona (68). Segue-se o italiano Axel Bassani (60) e, agora, Miguel Oliveira, que ascendeu à quarta posição do Mundial a cinco pontos do terceiro lugar (55). Alex Lowes, também da Bimota, segue em quinto com 48 pontos. A próxima prova realiza-se entre 17 e 19 de abril, com o Grande Prémio dos Países Baixos em Assen.