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(A) :: O recorde de Kimi, as primeiras voltas de Piastri, o cavalinho sempre no pódio e uma Red Bull sem asas: o que fica do GP do Japão

O recorde de Kimi, as primeiras voltas de Piastri, o cavalinho sempre no pódio e uma Red Bull sem asas: o que fica do GP do Japão

Kimi Antonelli partiu mal mas bateu Piastri, Leclerc e Russell, ganhando no Japão e tornando-se o mais novo a liderar Mundial. Max não passou de oitavo atrás de Gasly. Bearman teve acidente violento.

Bruno Roseiro
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Terceira corrida do ano, segunda vitória para Kimi Antonelli, um recorde de precocidade na Fórmula 1. Na antecâmara de uma paragem de cerca de um mês no Mundial devido ao cancelamento das provas no Bahrein e na Arábia Saudita pela tensão que se vive no Médio Oriente (o que levou a uma perda estimada de mais de 170 milhões de euros), a Mercedes voltou a colocar-se no lugar mais alto do pódio no Grande Prémio do Japão, confirmando os sinais positivos desde o início da época em contraponto com o que se passa com a Red Bull, de novo a anos luz dos concorrentes mais diretos. Já Oscar Piastri, que até agora só fizera pontos na sprint da China, não só chegou ao seu primeiro pódio da temporada como deu o primeiro top 3 à McLaren.

Kimi Antonelli, o mais novo de sempre a liderar o Mundial de Fórmula 1

Apesar de partir da pole position, Kimi Antonelli não teve propriamente um bom arranque, caindo quatro posições para fazer uma corrida de trás para a frente. Conseguiu depois superar o campeão mundial Lando Norris, beneficiou das primeiras paragens nas boxes para se colocar na frente com o companheiro George Russell, teve depois o mérito de aproveitar a entrada do safety car em pista na sequência do violento despiste de Oliver Bearman (Haas) para se colocar na frente e chegar a um ritmo que não deu quaisquer hipóteses a toda a concorrência. Com o triunfo, o segundo consecutivo depois da segunda posição na Austrália, o jovem piloto italiano de 19 anos tornou-se o mais novo de sempre a liderar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, superando nesse registo Lewis Hamilton, britânico que tinha rendido na equipa da Mercedes.

Oscar Piastri fez as primeiras voltas. Tantas que segurou o segundo lugar

Apesar da sexta posição na sprint da China, Oscar Piastri não tinha ainda concluído sequer uma volta neste Mundial de 2026, depois de ter falhado a largado na Austrália na sequência de um toque numa barreira na volta inicial de reconhecimento que provocou danos no carro e de um problema elétrico na unidade de potência antes da saída para o Grande Prémio da China. Agora, tudo mudou de forma radical: o australiano, que na última temporada entrou na derradeira corrida ainda com hipóteses de sagrar-se campeão mundial (embora num cenário realisticamente complicado), assumiu a liderança da prova após o mau arranque de Kimi Antonelli, não conseguiu suster o ritmo de Antonelli sobretudo depois do safety car mas agarrou-se ao segundo lugar até ao final, terminando à frente de Charles Leclerc e George Russell para o primeiro pódio do ano, ficando apenas a quatro pontos do Mundial do companheiro Lando Norris (quinto).

Charles Leclerc volta ao pódio e Ferrari consegue o que não fez em 2025

Depois de um ano de 2025 que ficou aquém das expetativas numa equipa que se reforçou com a chegada de Lewis Hamilton para ser companheiro de Charles Leclerc, a Ferrari tem deixado agora sinais de uma maior competitividade nas primeiras três provas realizadas e conseguiu aquilo que na última temporada nunca tinha atingido: três pódios consecutivos, com Leclerc a ser terceiro na Austrália, Hamilton a voltar aos pódios na China em terceiro e agora de novo Leclerc a ser terceiro no Japão. Mais: a formação transalpina colocou os seus dois pilotos sempre entre o terceiro e o sexto lugares, numa regularidade que apenas a Mercedes consegue ter nesta fase. Embora sejam apenas três corridas numa longa época, a Ferrari soma nesta fase mais do dobro dos pontos de McLaren e Red Bull juntas, sinal da fiabilidade dos carros em 2026.

Max Verstappen em oitavo e uma Red Bull que não consegue sair da espiral

Os sinais que Max Verstappen ia deixando nas semanas que antecederam o arranque do Mundial não eram os melhores, a esperança que tinha de uma viragem naquilo que era o rendimento do carro também se tem vindo a esfumar. A Red Bull foi mais uma vez a grande deceção no Japão, já depois de uma qualificação em que o neerlandês não chegou sequer ao top 10, e o tetracampeão mundial não foi além da oitava posição, atrás do Alpine de Pierre Gasly. Isack Hadjar, novo companheiro de equipa, também não fez melhor, saindo do oitavo lugar da grelha para terminar num modesto 12.º posto. Foi a primeira vez que os dois carros da Red Bull acabaram a corrida, ainda não foi desta que os dois carros pontuaram na mesma corrida.

O acidente de Bearman, o rasgo de Gasly e a corrida fiável da Audi

O acidente de Oliver Bearman na 20.ª volta acabou por ser um dos grandes factos deste Grande Prémio do Japão. O jovem britânico da Haas, que tinha sido sétimo na Austrália e quinto na China, não conseguiu estar a rodar tão rápido no fim de semana nipónico, teve uma qualificação mais modesta (18.º) e teve agora uma raríssima saída de pista, embatendo com violência contra as proteções e saindo a coxear da perna direita (os exames mostraram que evitou lesões graves). Nota também para mais uma grande corrida de Pierre Gasly, que fez o terceiro top 10 da temporada agora na sétima posição, e para uma prova fiável dos Audi, com Nico Hulkenberg em 11.º e Gabriel Bortoleto em 13.º. Quanto aos Aston Martin, mais do mesmo…