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(A) :: As mudanças trouxeram um Roberto infiel ao seu jogo e longe de desvendar o segredo mais bem guardado (a crónica do México-Portugal)

As mudanças trouxeram um Roberto infiel ao seu jogo e longe de desvendar o segredo mais bem guardado (a crónica do México-Portugal)

Num duelo que não passou do caráter amigável, Martínez mexeu no seu plano e tentou ter mais mobilidade, mas a Seleção pouco conseguiu mostrar, apresentando pouca intensidade e muitas indecisões (0-0).

Tiago Gama Alexandre
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A 74 dias do pontapé de saída do Campeonato do Mundo, Portugal fez as malas e embarcou para o outro lado do oceano Atlântico. Nos últimos dias, a Seleção Nacional rumou à América do Norte e instalou-se no México para fazer parte da inauguração do remodelado Estádio Azteca, que vai receber a competição no verão. Para lá de todo o simbolismo a envolver o jogo entre o campeão norte-americano e o vencedor da Liga das Nações, esta partida marcava o início da preparação para o Mundial, antecedendo o jogo com os EUA, na madrugada de quarta-feira, e a convocatória final de Roberto Martínez. Para já, a grande ausência era Cristiano Ronaldo, que está lesionado, embora Diogo Costa, Rúben Dias, Bernardo Silva e Rafael Leão também tenham ficado de fora deste estágio.

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Em sentido inverso, Ricardo Velho, Mateus Fernandes, Ricardo Horta e Gonçalo Guedes ganharam espaço na equipa das quinas, para lá do inevitável Paulinho, que tem estado em destaque na presente temporada e foi mais um “aperitivo” português em solo mexicano. Contudo, haviam poucas certezas sobre as ideias do selecionador nacional, que, na véspera, do duelo com os mexicanos, garantiu que José Sá e Rui Silva vão fazer um jogo cada. Por outro lado, o técnico podia fazer dez substituições este domingo, podendo testar as novas ideias que pretende instalar no modelo de jogo da Seleção Nacional. Um ponto assente era o historial positivo frente ao México, já que Portugal partia para este duelo com três vitórias e dois empates, sendo que o último triunfo datava da última partida: julho de 2017, no jogo pelo bronze da Taça das Confederações (2-1 no prolongamento). No outro lado da bitola, o momento negativo continuava a ser o Caso Saltillo.

“No futebol adoramos memórias e momentos especiais e jogar no Azteca é um momento especial para qualquer jogador. Lembro-me de ser um menino e olhar para o Azteca, no Mundial-1986, e para toda a magia que aconteceu nesse mítico estádio. México? É uma seleção mítica e os jogadores também adoram vestir a camisola da seleção mexicana. É uma equipa agressiva, da CONCACAF, muito ofensiva e com muita qualidade. É um bom desafio. O nosso estágio está a correr muito bem, estou a adorar a dinâmica e o nível do treino, o sangue novo com responsabilidade e respeito, mas também com muita confiança. Vamos gerir os minutos com responsabilidade e preparar o futuro. Vai ser uma festa do futebol no Azteca. O México não perde em casa há muito tempo [outubro de 2018, ndr], por isso é o tipo de teste que estamos à procura. Quanto aos minutos, posso dizer que todos merecem jogar”, revelou o treinador espanhol na antevisão a este jogo.

Ficha de jogo

México-Portugal, 0-0

Jogo de preparação para o Campeonato do Mundo-2026

Estádio Banorte (Cidade do México, México)

Árbitro: Walter López (Guatemala)

México: Raúl Rangel; Israel Reyes, César Montes, Johan Vásquez; Roberto Alvarado (Richy Ledezma, 60’), Álvaro Fidalgo (Erick Sánchez, 60’), Erik Lira (Armando González, 77’), Obed Vargas (Carlos Rodríguez, 46’), Jesús Gallardo (Everardo López, 77’); Brian Gutiérrez (Julián Quiñones, 46’) e Raúl Jiménez (Germán Berterame, 60’)

Suplentes não utilizados: Guillermo Ochoa, Carlos Acevedo; Jesús Angulo, Jorge Sánchez, Denzell García, Orbelín Pineda, Alexis Vega e Guillermo Martínez

Treinador: Javier Aguirre

Portugal: José Sá; Matheus Nunes (Diogo Dalot, 46’), António Silva (Tomás Araújo, 46’), Renato Veiga, Nuno Mendes (João Cancelo, 46’); Rúben Neves (João Neves, 46’), Samu Costa (Vitinha, 46’); Francisco Conceição (Pedro Neto, 46’), Bruno Fernandes (Francisco Trincão, 81’), João Félix (Gonçalo Guedes, 46’); Gonçalo Ramos (Paulinho, 64’)

Suplentes não utilizados: Ricardo Velho, José Sá; Gonçalo Inácio, Pedro Gonçalves, Mateus Fernandes e Ricardo Horta

Treinador: Roberto Martínez

Golos: nada a registar

Ação disciplinar: amarelo a Neto (54’) e Gallardo (54’)

Para lá de todas as condicionantes à volta da equipa e dos poucos treinos feitos ao longo da semana, a Seleção portuguesa tinha ainda de lidar com o fator altitude, já que o maior estádio da América Latina encontra-se 2.200 metros acima do nível médio do mar. Como era de esperar, Roberto Martínez enfrentou o México com um onze praticamente novo, mantendo apenas Renato Veiga, Bruno Fernandes e Gonçalo Ramos, que foram titulares frente à Arménia. Na baliza, Rui Silva foi o escolhido para completar a sua segunda internacionalização pela Seleção, pela qual não jogava desde 2021. Na defesa, Matheus Nunes, que não jogava desde março de 2024, atuou à direita, ao passo que António Silva (não jogava desde novembro de 2024) com Nuno Mendes na esquerda. A principal novidade foi Samu Costa, que foi titular pela primeira vez, juntando-se a Rúben Neves e Bruno Fernandes no miolo. No ataque, João Félix e Francisco Conceição apoiaram o avançado do PSG.

O início jogo ficou bastante aquém daquilo que se esperava, já que as duas equipas pouco fizeram em termos ofensivos, limitando-se a trocar a bola fora do bloco do adversário. Ainda assim, Portugal tentou ter mais bola frente a um México a organizar-se num compacto 5x4x1 sem bola, deixando apenas o ex-Benfica Raúl Jiménez na frente, à procura de um lance de transição. A primeira oportunidade nasceu num canto curto de Chico, que serviu Bruno, o capitão cruzou largo para o segundo poste e, depois de dominar, Félix atirou em balão ligeiramente por cima da trave de Raúl Rangel (14′). Pouco depois, Conceição teve espaço para desequilibrar pela primeira vez pela asa direita, colocou em Bruno Fernandes à entrada da área e, de primeira, o médio serviu Ramos, só que o remate do ponta de lança esbarrou no poste esquerdo da baliza mexicana (26′).

Na parte final do primeiro tempo, o jogo continuou lento e com uma intensidade muita baixa, ainda que Portugal tenha continuado a criar oportunidades, principalmente através de um futebol apoiado, com toques curtos, a meio-campo. Foi assim que nasceu a jogada que resultou num falhanço de Ramos, que apareceu sozinho na área a finalizar, mas acabou por falhar o esférico, depois de Félix e Fernandes desenharem a jogada ao primeiro toque (33′). Na resposta, Israel Reyes desferiu mais um remate de fora da área para a primeira defesa de Silva (36′). Até ao intervalo ainda houve tempo para Samu desferir um remate forte de muito longe, para defesa incompleta de Raúl Rangel (45+1′).

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2038071716656595273?s=20

Ao intervalo, Roberto Martínez mexeu em sete peças do seu onze, colocando Vitinha, Gonçalo Guedes, Tomás Araújo, Pedro Neto, João Cancelo, Diogo Dalot e João Neves nos lugares de Samu Costa, João Félix, António Silva, Francisco Conceição, Nuno Mendes, Matheus Nunes e Rúben Neves. Já Javier Aguirre optou por lançar apenas Carlos Rodríguez e Julián Quiñones no ataque, retirando Obed Vargas e Brian Gutiérrez. A entrada dos médios do PSG acabou por subir o nível da Seleção Nacional, aportando qualidade e controlo com bola. Na primeira tentativa, Bruno Fernandes ganhou espaço à entrada da área e desferiu um remate forte que saiu por cima (48′), seguindo-se uma deambulação de Roberto Alvarado da direita para o meio, com o remate em arco do 25 a sair para fora (55′). Pouco depois, Richy Ledezma, Germán Berterame e Erick Sánchez foram lançados em campo, com Paulinho a render Gonçalo Ramos na frente de ataque, recebendo uma das ovações da noite.

Com o passar dos minutos, Portugal voltou a quebrar em termos de energia, pelo que a partida prosseguiu enfadonha e a um ritmo pouco veloz. Já com Everardo López e Armando González em campo, os mexicanos ganharam espaço na esquerda, a bola viajou até ao segundo poste e, com tudo para marcar, González apareceu completamente sozinho a cabecear para fora (80′). A seguir a essa ocasião, Martínez respondeu com Francisco Trincão a entrar para o lugar de Bruno e Cancelo ganhou espaço ao segundo poste, mas o seu cabeceamento teve o mesmo desfecho (83′). Nos descontos, Neto ainda tentou evitar o nulo com uma arrancada na meia-direita, mas Raúl Rangel foi ao solo para negar-lhe o golo com uma grande defesa junto ao poste (90+2′). Deste modo, a Seleção Nacional começou a preparação com um nulo num jogo bastante aquém do esperado (0-0).

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