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(A) :: Teoria da conspiração sobre troca de bebés operada pelas secretas é uma das moções setoriais levadas ao Congresso do PS

Teoria da conspiração sobre troca de bebés operada pelas secretas é uma das moções setoriais levadas ao Congresso do PS

Pela segunda vez consecutiva, ex-deputado municipal conseguiu levar uma moção setorial ao Congresso do PS que pede que secretas parem, intencionalmente, de trocar bebés nas maternidades.

Rui Pedro Antunes
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José Luís Carneiro elogiou, no discurso de abertura do XXV Congresso, a apresentação de 50 moções setoriais como prova da vitalidade do PS. Há, no entanto, a insistência numa moção no mínimo insólita: “Contra a troca de bebés em Portugal, por via de ordem de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República”. A moção já foi rejeitada há dois anos, mas o autor da mesma, o militante Luís Pedro Gonçalves, conseguiu agora submetê-la de novo a votos.

A moção denuncia que o Estado português, através das secretas, tem um esquema de troca intencional dos bebés nas maternidades de forma a que os recém-nascidos sejam afastados dos pais biológicos e sejam entregues a outras pessoas que também acabam de ser pais e ficam sem os seus bebés.

A moção pretende deliberar, por exemplo, o “posicionamento do PS, de forma clara e inequívoca, contra a troca de bebés em Portugal” e “expressar a sua Excelência o Senhor Presidente da República o descontentamento por esta prática ser realizada em Portugal, e reivindicar a Sua Excelência, enquanto Chefe Supremo das Forças Armadas Portuguesas, uma ordem direta e dada de forma pública, na direção dos serviços secretos portugueses, para que se pare imediatamente com a troca de bebés em Portugal”. A mesma moção propõe ao PS que informe os “partidos nossos parceiros espalhados pelo mundo, da tomada de posição, alertando para as evidências de trocas de bebés pelo mundo”.

A moção, que tem como principal dinamizador Luís Pedro Gonçalves, diz que deve ser informada a ONG “Não Troquem Os Nossos Bebés”. Ora, essa organização é do próprio Luís Pedro Gonçalves, que já foi deputado municipal do PS no Seixal e diz ter criado essa ONG em 2016.

O Observador falou com vários delegados que se sentem envergonhados pelo facto desta teoria da conspiração (já levada em forma de moção setorial ao Congresso de 2024) estar no rol das moções setoriais, mas não há nada a fazer a partir do momento em que a mesma foi subscrita por, pelo menos, 10 militantes com as quotas em dia.

Existe também uma página do Facebook da ONG de Luís Pedro Gonçalves em que apresenta teses mirabolantes em como Rita Ferro Rodrigues não é filha de Eduardo Ferro Rodrigues e Maria Filomena Aguilar. Ou, por exemplo, que os filhos de Duarte Pio e de Isabel de Herédia não são verdadeiramente filhos dos duques de Bragança.