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Irão diz que irá "facilitar e acelerar" a ajuda humanitária através do Estreito de Ormuz

Teerão aceitou o pedido da ONU para que a via marítima fosse utilizada para o transporte de carregamentos agrícolas e ajuda humanitária, que estiveram impossibilitados com o bloqueio.

Agência Lusa
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O Irão concordou em “facilitar e acelerar” a ajuda humanitária através do Estreito de Ormuz, disse esta sexta-feira o embaixador iraniano nas Nações Unidas em Genebra, num momento em que o país enfrenta ataques às suas instalações nucleares.

Ali Bahreini afirmou que Teerão aceitou um pedido da ONU para permitir que a ajuda humanitária e os carregamentos agrícolas passem por aquele canal vital, por onde circula habitualmente um quinto das remessas de petróleo do mundo e quase um terço do comércio mundial de fertilizantes.

O plano de ajuda seria a primeira conquista naquele ponto de estrangulamento do transporte marítimo após um mês de guerra.

Embora os mercados e os governos se tenham concentrado principalmente nas restrições ao fornecimento de petróleo e gás natural, o bloqueio de ingredientes e comércio de fertilizantes ameaça a agricultura e a segurança alimentar em todo o mundo.

“Esta medida reflete o compromisso contínuo do Irão em apoiar os esforços humanitários e garantir que a ajuda essencial chegue aos necessitados sem demora”, disse Bahreini numa publicação na rede social X.

A ONU anunciou antes uma força-tarefa para enfrentar os efeitos dominó que a guerra do Irão teve na entrega de ajuda.

O anúncio surgiu apenas algumas horas depois de os meios de comunicação estatais iranianos terem noticiado que duas das instalações nucleares do país tinham sido atacadas.

Israel, que ameaçava “escalar e expandir” a sua operação militar contra Teerão, reivindicou a responsabilidade, e o Irão ameaçou rapidamente retaliar.

“O ataque contradiz o prazo alargado do POTUS para a diplomacia”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no X, referindo-se ao Presidente dos EUA, Donald Trump.

“O Irão vai exigir um preço elevado pelos crimes israelitas”, afirmou o ministro.

A Organização de Energia Atómica do Irão afirmou que o Complexo de Água Pesada Shahid Khondab, em Arak, e a fábrica de produção de yellowcake de Ardakan, na província de Yazd, foram alvo de ataques, informou a IRNA.

Os ataques não causaram vítimas e não houve risco de contaminação, referiu.

A central de Arak não está operacional desde que Israel a atacou em junho passado. Água pesada é usada como moderador em reatores nucleares.

O exército israelita disse mais tarde que as matérias-primas são processadas para enriquecimento na fábrica de Yazd e que o ataque foi um grande golpe ao programa nuclear do Irão.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica avisou que o Irão retaliaria, noticiou a IRNA.

Seyed Majid Moosavi, comandante da Força Aeroespacial do IRGC, declarou que os empregados de empresas ligadas aos EUA e a Israel devem abandonar os seus locais de trabalho.

Desta vez, a equação já não será ‘olho por olho’, esperem só,” acrescentou.

Esta noite, o exército de Israel disse que o Irão tinha lançado mísseis contra o país. Sirenes alertaram as pessoas para se abrigarem na cidade de Beer Sheba e em zonas próximas ao principal centro de investigação nuclear de Israel, que foram alvo de ataques iranianos, que feriram dezenas no último fim de semana.

A notícia dos ataques ao Irão surgiu depois de Trump ter afirmado que as negociações para acabar com a guerra estavam a correr “muito bem” e que tinha dado ao Teerão mais tempo para reabrir o Estreito de Ormuz.

O Irão mantém que não participou em quaisquer negociações.

Com os mercados bolsistas a vacilar e os impactos económicos da guerra a estenderem-se muito para além do Médio Oriente, Trump está sob crescente pressão para acabar com o controlo do Irão sobre a importante via marítima.

Um bloco árabe do Golfo afirmou na quinta-feira que o Irão tem estado a cobrar portagens aos navios para garantir uma passagem segura.

O enviado de Trump, Steve Witkoff, disse que Washington entregou ao Irão uma “lista de ação” com 15 pontos para um possível cessar-fogo, utilizando o Paquistão como intermediário.

Os EUA propõem restringir o programa nuclear do Irão e reabrir o Estreito de Ormuz.

O Irão rejeitou a oferta dos EUA e apresentou a sua própria proposta de cinco pontos que incluía reparações e reconhecimento da sua soberania sobre o estreito vital.

Trump disse que se o Irão não reabrir o estreito a todo o tráfego até 6 de abril, ordenará a destruição das centrais energéticas do Irão.