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A ajuda de Moscovo ao esforço de guerra do Irão contra os Estados Unidos e Israel estará cada vez mais evidente no campo de batalha. Esta semana, milícias iraquianas apoiantes e a apoiadas pelo regime iraniano publicaram imagens de um ataque contra um helicópetro Black Hawk e um radar de defesa aérea norte-americanos. Estas imagens, segundo o Wall Street Journal, foram captadas por drones de perspetiva de primeira pessoa (FPV, na sigla em inglês), que têm sido utilizados pela Rússia contra a Ucrânia durante os últimos três anos.
Os FPV são drones de fibra ótica, ou seja, drones controlados por um fino cabo de fibra ótica em vez de um sinal de rádio. Esta característica torna-os imunes a interferências externas e aos bloqueadores de sinal que os Estados Unidos têm nas suas bases no Médio Oriente, incluindo na base de Bagdade que foi atacada por milícias.
Para além de implementarem a utilização destes drones pelas forças iranianas — a Guarda Revolucionária terá um numeroso arsenal de FPV —, a Rússia também terá modernizado e atualizado os drones Shahed, de fabrico iraniano, implementando novas tecnologias de ponta na sua ação, como o mesmo jornal norte-americano já tinha noticiado.
https://observador.pt/2026/03/18/a-ajuda-secreta-da-russia-ao-irao-ataques-iranianos-passaram-a-refletir-as-taticas-usadas-por-moscovo-dizem-analistas/
Se as capacidades ofensivas do Irão são comparáveis às da Rússia, o mesmo não se pode dizer das capacidades defensivas dos Estados Unidos, quando comparadas com as da Ucrânia. Para além dos bloqueadores de sinal — inúteis contra os FPV —, os Estados Unidos não têm outros equipamentos anti-drones no Médio Oriente, destacam os especialistas ouvidos pelo Wall Street Journal.
As limitações das forças norte-americanas não se limitam às capacidades defensivas. Os Estados Unidos também não têm drones navais, que têm sido muito bem-sucedidos nas operações ucranianas no Mar Negro, e só nos últimos meses é que os fuzileiros começaram a implementar FPV nas suas operações. Isto são apenas “passos de bebé”, avisam os analistas.