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(A) :: Governo diz que apoio fiscal aos combustíveis chega aos 20 cêntimos por litro. Mais de metade deste apoio foi decidido no tempo do PS

Governo diz que apoio fiscal aos combustíveis chega aos 20 cêntimos por litro. Mais de metade deste apoio foi decidido no tempo do PS

Governo diz que apoio fiscal acumulado é de 19 a 20 cêntimos nos combustíveis. Mais de metade foi decidido no tempo de António Costa. Gasolina deverá descer pela primeira vez este ano, mas pouco.

Ana Suspiro
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O preço dos combustíveis vai finalmente ter um alívio na próxima semana depois de várias semanas consecutivas sempre a subir. No caso da gasolina será mesmo a primeira descida desde que começou o ano, já que em todas as semanas até agora este combustível sofreu aumentos de preço. Na segunda-feira, o preço médio poderá cair entre 1 a 2 cêntimos por litro, segundo fontes do mercado.

Já no gasóleo, a descida que chegou a estar prevista é menos garantida. Com as cotações desta sexta-feira, o preço médio do gasóleo até pode subir um cêntimo por litro. Mas também pode ficar na mesma. O diesel é o combustível mais castigado pela crise no Médio Oriente e acumula já um aumento de 52 cêntimos por litro desde o início do ano. A gasolina acumula um aumento 27 cêntimos por litro. A maior fatia deste agravamento aconteceu depois dos ataques ao Irão, mas os combustíveis já estavam a subir há várias semanas.

O Ministério das Finanças confirma a previsão de uma “ligeira descida” dos preços, sem apontar valores, e indica que não irá, na próxima semana, alterar o desconto fiscal que tem sido aplicado desde que começou o conflito no Irão.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o Ministério das Finanças salienta que a descida extraordinária do imposto petrolífero para anular o aumento do IVA totaliza 9,4 cêntimos por litro no gasóleo e 5,1 cêntimos na gasolina. E vai buscar o corte de imposto aprovado pelo PS por causa da guerra na Ucrânia em 2022, e que ainda não tinha sido totalmente revertido quando rebentou o conflito no Médio Oriente, para apresentar números mais expressivos de alívio fiscal. Com estas contas, o apoio fiscal acumulado no gasóleo é de 20,8 cêntimos e na gasolina totaliza 19,3 cêntimos por litro.

Mais de metade deste corte nos impostos foi aplicado durante o último Governo de António Costa, sobretudo a partir da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. O alívio fiscal dado então foi muito mais expressivo, nomeadamente quando se reduziu o imposto petrolífero de forma extraordinária para replicar o efeito no preço de uma passagem do IVA da taxa normal para a taxa intermédia de 13%. A par desta descida, o Governo socialista congelou a atualização da taxa de carbono.

A reversão destes apoios começou ainda no tempo de António Costa e prosseguiu com Luís Montenegro, mas sempre de forma progressiva e aproveitando a folga dada pela baixa dos preços para repor o imposto. Mesmo quando a Comissão Europeia pressionou Portugal para por fim a estes apoios que foram aprovados como extraordinários e temporários.

Quando o conflito no Irão rebentou ainda faltava reverter mais de 10 cêntimos por litro do imposto na gasolina e no gasóleo, o que pode ajudar a explicar a intervenção limitada que o atual executivo está a ter na contenção do disparo dos preços. Até agora, baixou o imposto apenas na medida dos lucros que está a ter na cobrança do IVA sobre os combustíveis. A medida não traz perda fiscal, ao contrário do desconto que vem do tempo de António Costa e que custou ainda em 2025 cerca de 600 milhões de euros, segundo cálculos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental do Parlamento.

Esta sexta-feira, Luís Montenegro anunciou medidas de apoio dirigidas a setores mais expostos ao custo dos combustíveis, como os transportes e a agricultura, mas afastou para já uma intervenção mais musculada, considerando que o Governo já está a atuar “ao nível do IVA” e que até foi o primeiro a fazê-lo na União Europeia.