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(A) :: Montenegro diz que artigo de Cavaco "caiu que nem uma luva" e que Portugal "está na Liga dos Campeões da estabilidade"

Montenegro diz que artigo de Cavaco "caiu que nem uma luva" e que Portugal "está na Liga dos Campeões da estabilidade"

Primeiro-ministro celebrou revisão em alta do excedente orçamental. Garante que o Governo não gastou "folgas sem estratégia". Não confirma acordo com o Chega para eleição dos órgãos externos.

Miguel Pereira Santos
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A revisão em alta do excedente orçamental de 2025 levou Luís Montenegro a considerar que Portugal faz parte da “Liga dos Campeões da estabilidade económica e financeira da Europa”. O primeiro-ministro assinalou que os 0,7% de superavit foram atingidos no ano passado sem que o Governo deixasse de parte o “reforço do Estado social” e a redução de impostos às famílias e empresas.

“Fizemos tudo isto sem aumentar um único imposto. Superámos todas as previsões económicas de todas as principais instituições. Não gastámos folgas sem estratégia”, afirmou o primeiro-ministro, numa conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. Luís Montenegro assinalou que este valor valor do excedente permitem ao Estado ter, pela primeira vez em 16 anos, uma dívida pública inferior a 90% do PIB.

Além disso, Montenegro disse que no Conselho de Ministros desta sexta-feira foi “analisada profundamente” a situação do país, não tendo apenas em conta os números revelados esta quinta-feira pelo INE, mas também os impactos da situação geopolítica no Médio Oriente. O chefe de Governo anunciou descontos de combustíveis para os setores mais expostos ao aumento dos preços e ainda a aprovação de medidas para a Habitação. Contudo, excluiu aplicar a medida do IVA zero ao cabaz alimentar, que tem sido reclamada pela oposição.

Montenegro também abordou o artigo de opinião de Aníbal Cavaco Silva publicado no Expresso, que leu com “toda a atenção” e onde encontrou “correspondências com aquilo que o Governo tem vindo a fazer”. Garantindo que “não houve nenhuma articulação” com o antigo primeiro-ministro, defendeu que o artigo “caiu que nem uma luva” nas decisões do Conselho de Ministros desta semana. Montenegro subscreveu o objetivo de Cavaco Silva de atingir um crescimento anual do PIB na ordem dos 3%, admitindo que esta coluna de opinião do ex-Presidente da República incentiva o Governo “a prosseguir”.

Por fim, o primeiro-ministro falou sobre a eleição para os órgãos externos da Assembleia da República, considerando “positivo” a existência de uma nova data para a realização da mesa. Admitiu que o atual quadro parlamentar é mais “desafiante e complexo” para alcançar um acordo, por não existirem dois partidos que concentrem em si dois terços dos deputados.

Montenegro não confirmou nem desmentiu a existência de um acordo com o Chega nesta matéria, ao contrário de André Ventura, que esta quinta-feira anunciou mais quatro nomes que terão sido aceites pelo PSD. “O que seria incompreensível era que não houvesse diálogo com quem tem representação do povo”, acrescentou, defendendo o diálogo com o partido de André Ventura. Ainda assim, o primeiro-ministro não excluiu o PS da solução, garantindo que o diálogo é feito “obviamente com os dois lados”.