6 de abril. O Presidente norte-americano, Donald Trump, estendeu o prazo que deu ao Irão para chegar a um acordo com os Estados Unidos da América (EUA). Os iranianos tinham até esta sexta-feira para encetar negociações com Washington antes de as suas infraestruturas energéticas serem atacadas “como nunca”, mas a Casa Branca decidiu dar mais dez dias, negando as informações de que Teerão tenha rejeitado negociar — aliás, nas palavras do chefe de Estado, é o Irão que está a “implorar” para que a guerra termine.
Entre avanços e recuos, o Irão mantém a posição de que não deseja negociar e deu conta de que os Estados Unidos ainda não responderam à contraproposta de cinco pontos. Entretanto, o regime iraniano voltou a sofrer mais uma baixa: o chefe da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, foi morto por Israel num ataque que também matou o vice-diretor dos serviços de informações navais, Behnam Rezaei.
No terreno, Israel e os Estados Unidos voltaram a atacar vários pontos da infraestrutura militar iraniana, incluindo fábricas de munições e de armamento. Para fazer face às baixas e às dificuldades de recrutamento, a Guarda Revolucionária baixou a idade mínima para recrutar na Basij — milícia paramilitar que garante a segurança do regime e vigia as ruas — para os 12 anos, destinando aos mais novos as tarefas de patrulha e logística.
Pode recordar os acontecimentos de quarta-feira aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 26 de março:
No Irão
- As IDF confirmaram a morte do chefe da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana, Alireza Tangsiri, num ataque na cidade costeira de Bandar Abbas. No mesmo incidente, foi morto o vice-diretor dos serviços de informações navais, Behnam Rezaei. Os dois homens foram acusados por Israel de serem os principais responsáveis pelos bloqueios no Estreito de Ormuz.
- Os Estados Unidos e Israel realizaram fortes ataques em Mashhad, a segunda cidade mais populosa do país, visando o Aeroporto Internacional, que alberga bases aéreas e de aviação do Exército.
- Houve mais ataques às fábricas de armamento: Israel atacou o complexo militar de Parchin e uma fábrica de munições em Esfahan.
- As Forças de Defesa de Israel atacaram locais onde as Forças Quds (unidade de tropas de elite da Guarda Revolucionária) desenvolvem armas.
- Israel levou a cabo um ataque contra um dos maiores locais onde o Irão produz armas em Esfahan, que depois exporta para os membros do seu Eixo de Resistência, como os Houthis e o Hezbollah.
- EUA e Israel atacaram a base aérea Artesh em Shiraz, com o objetivo de continuar a manter a superioridade no ar em todo o Irão.
- Washington e Telavive também atacaram uma das sedes da Guarda Revolucionária em Hamedan, onde as autoridades do regime iraniano planeiam como combater ameaças internas.
- O Irão deu conta de 87 mil edifícios civis danificados pelos ataques israelo-americanos.
- O regime iraniano denunciou que os ataques de Israel e dos EUA causaram a destruição de quatro edifícios residenciais em Urmia, morrendo ainda uma pessoa em Teerão.
- Em termos diplomáticos, o Irão alega que os Estados Unidos ainda não responderam às cinco contrapropostas apresentadas em resposta ao alegado plano de 15 pontos norte-americanos.
- O Presidente norte-americano disse que os negociadores iranianos “são muito diferentes e estranhos”, estando a “implorar” por um acordo, contrariando a versão de Teerão. Ainda assim, o líder dos Estados Unidos avisou que o Irão tem de “manter a seriedade” ou será bombardeado intensamente.
- Sublinhando que as negociações estão a correr bem, Donald Trump deu mais dez dias ao regime iraniano antes de atacar as infraestruturas energéticas do Irão. Os Estados Unidos estão a planear um “último grande ataque” ao Irão.
- Face às dificuldades em mobilizar homens, a Guarda Revolucionária baixou oficialmente a idade mínima de recrutamento na Basij — milícia paramilitar que garante a segurança do regime e vigia as ruas — para os 12 anos, destinando aos mais novos tarefas de patrulha e logística.
- Os Estados Unidos atacaram já dois terços das fábricas em que o Irão produz mísseis e drones.
- Segundo avança a Reuters, a ala mais dura do regime intensificou internamente os apelos para o desenvolvimento imediato de armas nucleares e a retirada do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, considerado uma linha vermelha para Israel e para os Estados Unidos.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, falou ao telefone com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para defender a posição de que o bloqueio do Estreito de Ormuz é um direito legal de Teerão.
- Temendo uma invasão terrestre norte-americana, as Forças Armadas iranianas reforçaram a defesa da Ilha de Kharg com sistemas de defesa aérea portáteis, assim como minas terrestres e navais.
- Sob intermediação do Paquistão, Israel e Estados Unidos removeram da lista de alvos a abater o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e o porta-voz do Parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf. O objetivo consiste em continuar a ter intermediários no regime de Teerão, ainda que as IDF tenham insistido esta quinta-feira que vão continuar a eliminar altos dirigentes do regime iraniano.
Em Israel e no Líbano
- O Irão lançou oito vagas de mísseis contra Israel. Duas pessoas ficaram feridas em Telavive por causa de uma bomba de fragmentação.
- O Hezbollah anunciou que lançou 73 ataques contra alvos israelitas, resultando na morte de um civil em Nahariya, no norte de Israel.
- Um soldado israelita morreu no sul do Líbano, segundo avança o Hezbollah.
- Registaram-se confrontos violentos em cidades no sul do Líbano, como Qantara e Deir Seryan, onde o Hezbollah utilizou mísseis antitanques e granadas para deter o avanço dos veículos blindados israelitas.
- Israel prepara o destacamento da 98.ª Divisão de Paraquedistas para o sul do Líbano, sendo esta a sexta divisão empenhada na criação do que as autoridades israelitas designam como nova zona de segurança.
- As IDF anunciaram que eliminaram um alto comando da unidade antitanque do Hezbollah, responsável por ataques a comunidades do norte de Israel nos últimos dois anos.
- Telavive voltou a bombardear a capital do Líbano, Beirute. Pelo menos cinco pessoas morreram na sequência dos ataques.
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No Líbano, o número de mortos subiu para mais de 1.110.
No Golfo
- O Irão disparou 37 drones contra território da Arábia Saudita.
- Contra o Bahrain, o Irão levou a cabo 19 ataques com drones e um míssil. Na sequência da “agressão iraniana”, as autoridades do reino deram conta de um incêndio na província de Muharraq.
- No Kuwait, o Irão atacou o emirado com um drone e seis mísseis balísticos. As Forças Armadas do país disseram que caíram em áreas inabitadas.
- As autoridades do Kuwait detiveram seis pessoas ligadas ao Hezbollah que estariam a planear assassinar líderes do país.
- O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos deu conta de que intercetou 11 drones iranianos e 15 mísseis.
- O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, acusou o Irão de “terrorismo económico”.
- Duas pessoas morreram na sequência dos ataques iranianos contra a capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi.
- Os Estados Unidos e Israel voltaram a bombardear bases militares das milícias pró-Irão em território iraquiano.
- As milícias aliados do Irão no Iraque referiram que levaram a cabo 23 ataques com drones contra as bases “inimigas” em território iraquiano.
- A embaixada norte-americana no Iraque apelou aos seus cidadãos para abandonarem o país.
- O Pentágono está a considerar enviar mais 10 mil homens para o Médio Oriente.
- Donald Trump voltou a atacar a NATO pela sua não-intervenção na guerra do Irão. O Presidente dos Estados Unidos criticou os Estados-membros da Aliança transatlântica por não fazerem “absolutamente nada” para ajudar Washington contra a “nação lunática”. “Os EUA não precisam de nada da NATO, mas nunca se vão esquecer deste ponto muito importante.”
- Na chegada à cimeira do G7 em Paris, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assinalou que é “do interesse” dos europeus ajudarem os Estados Unidos. E lembrou que o país ajudou a Ucrânia, mesmo não sendo uma “guerra da América”.
- O Presidente norte-americano confirmou que a CIA suspeita que o novo Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, seja homossexual. “Eu acho que muitas pessoas estão a dizer isso, o que o coloca numa má posição”, atirou Donald Trump.
- O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, descreveu a guerra na Ucrânia como uma “catástrofe para as economias mundiais”.
- O chefe das Forças Armadas francês, Fabien Mandon, organizou uma chamada por videoconferência com mais de 35 países para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz.
- O preço do petróleo voltou a subir 5% após o impasse nas negociações entre Irão e Estados Unidos.