A artista portuguesa Joana Vasconcelos vai apresentar o seu trabalho este ano em duas exposições em Marselha e Villefranche-sur-Mer, em França, dedicadas aos temas da maternidade, do sonho e do surrealismo.
Conhecida por transformar objetos do quotidiano em instalações monumentais, o seu trabalho cruza artesanato, cultura popular e crítica social, abordando temas como identidade, género, memória coletiva e herança cultural, com uma estética marcadamente barroca.
Uma das exposições é uma coletiva com o título de Bonnes Mères, que foi inaugurada em meados deste mês e estará patente no Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha, até ao final de agosto de 2026.
Trata-se de uma mostra coletiva centrada no tema da maternidade, que explora diferentes perspetivas culturais e históricas, na qual Joana Vasconcelos participa em diálogo com outros artistas, contribuindo com essa sua abordagem, que “consegue ligar o íntimo ao espetacular, o doméstico ao arquitetónico”.
Paralelamente, a artista está a preparar L’Absurde et le Rêve, uma grande exposição de verão, que a junta ao belga Arne Quinze e que decorrerá em Villefranche-sur-Mer, entre junho e outubro de 2026.
Este projeto, realizado em colaboração com o escultor belga Arne Quinze, propõe uma experiência imersiva baseada no diálogo entre surrealismo, natureza e imaginação poética, pode ler-se num texto da Forbes, que inclui uma entrevista a Joana Vasconcelos.
Nessas suas declarações, a artista sublinha que o ponto de partida das suas obras é sempre conceptual e emocional, e que só avança quando acredita que a peça tem significado e que “vai tornar o mundo um lugar melhor”.
A escala, apesar de frequentemente monumental, surge apenas numa fase posterior do processo, e a inspiração vem do quotidiano – pessoas, experiências, cultura –, materializando-se em obras como a série “Valquírias”, que combina têxteis e elementos industriais para criar ligações entre tradição e contemporaneidade, homenageando figuras femininas e revitalizando espaços e memórias esquecidas, explicou.
Joana Vasconcelos, nascida em 1971, conta com uma carreira de mais de três décadas, que se caracteriza pela descontextualização de objetos do quotidiano e pela apropriação do artesanato tradicional, que adapta ao século XXI para questionar temas como o papel da mulher, a sociedade de consumo e a identidade cultural.
Vasconcelos representou oficialmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza, em 2013, levando um cacilheiro transformado pela azulejaria ao recinto principal da mostra internacional contemporânea.
Foi a primeira artista mulher e a criadora mais jovem a apresentar o seu trabalho no Palácio de Versalhes (França), numa mostra individual que bateu recordes de visitantes, e tem levado a sua produção a instituições como o Museu Guggenheim Bilbao (Espanha), o Palácio Pitti e as Galerias Uffizi (Florença, Itália), entre outras.
Joana Vasconcelos, primeira artista a vencer o Prémio Novos Artistas Fundação EDP, em 2000, começou a expor na década de 1990, tendo o seu trabalho sido projetado internacionalmente em 2005, quando participou na Bienal de Veneza com a peça A Noiva, um lustre monumental composto por tampões de higiene íntima feminina.