Com o México a atravessar uma onda de violência e de mortes de políticos, um baile de estudantes de uma escola do ensino secundário em Michoacán está a causar polémica a nível local. Tudo por culpa de uma atuação que levou ao palco jovens alunos encapuzados, com coletes à prova de balas, calças de camuflagem e espingardas de assalto como adereços, acompanhados de um cartaz com a imagem de um autarca com a legenda “assassinado”.
O jornal El País relata que os jovens responsáveis pela performance, de caráter político e surrealista, acabaram por vencer o concurso “Bailes de Sectoriales”, organizado por um colégio do município de Contepec, em Michoacán. No entanto, na sequência da controversa atuação, o colégio decidiu afastá-los da participação no concurso estadual.
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Ao longo de cerca de seis minutos, os jovens efetuaram movimentações táticas, como se estivessem envolvidos num ataque, integradas numa coreografia. Em fundo, o rosto de Enrique Velázquez Orozco, presidente do município de Contepec e que foi assassinado no início de 2022, enquanto uma voz narra a performance, explicando quem era e as circunstâncias da morte, com duas jovens a apontarem as armas e fingir que disparavam.
Depois de Enrique Velázquez Orozco, os estudantes e a narração replicaram o desempenho com a referência a outros políticos mexicanos assassinados nos últimos anos: Cesar Arturo Valencia Caballero, presidente da Câmara de Aguililla; Yolanda Sánchez Figueroa, presidente do município de Cotija; Salvador Bastida García, autarca de Tacámbaro; e Carlos Manzo, presidente da Câmara de Uruapan, assassinado no passado dia 1 de novembro, em público, durante as populares celebrações do ‘Dia de Los Muertos’ no país.
Mais à frente no espetáculo ouve-se ainda a voz da Presidente do México, Claudia Shienbaum, a propósito de um plano de segurança e justiça. O final coincide com a queda dos jovens, como se tivessem sido abatidos, e no palco surge uma estudante vestida de branco e com asas, como se fosse um anjo.
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“[Desaprovamos] qualquer manifestação que faça referência à violência ou que possa ser interpretada como apologia ao crime. (…) Exorta-se a comunidade educativa a privilegiar expressões que promovam valores positivos e a evitar aquelas que possam ser percebidas como promoção, aceitação ou normalização da violência”, referiu o colégio, num comunicado citado na imprensa.
Já o estado de Michoacán deixou um apelo público e impôs algumas limitações sociais: “Ficam estritamente proibidas as manifestações que façam apologia ao crime em qualquer evento académico, cívico, cultural ou desportivo realizado no Cobaem [Colegio de Bachilleres do Estado de Michoacán]. (…) Quem provocar publicamente a prática de um crime, incitar ao consumo de substâncias ilícitas ou fazer apologia a estas será punido com pena de prisão de três a seis meses e multa”.