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Sudão. Morreram 28 pessoas em ataques com drones

Um dos ataques atingiu um mercado no estado do Darfur do Norte, fazendo pelo menos 22 mortos e 17 feridos. O outro ataque ocorreu em Kordofan do Norte, matando seis civis e ferindo outros dez.

Marta Ramos
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Pelo menos 28 civis foram mortos em dois ataques distintos com drones no Sudão, de acordo com profissionais de saúde daquele país, numa altura em que a guerra civil no país, entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF), está quase a completar três anos.

Um drone atingiu um mercado na cidade de Saraf Omra, no Darfur do Norte, na quarta-feira, matando “22 pessoas, incluindo um bebé, e ferindo outras 17”, avançou um profissional de saúde de uma clínica local à Agence France-Presse (AFP), citada pelo The Guardian.

“O drone atingiu um camião cisterna estacionado, que se incendiou, assim como parte do mercado”, disse Hamid Suleiman, um comerciante do mercado perto da fronteira com o Chade. Não há ainda certezas sobre qual a origem do drone.

Outro ataque atingiu um veículo que transportava civis em Kordofan do Norte, a cerca de 800 quilómetros a leste de Darfur – área controlada pelo exército. Esta estrada, que atravessa a capital do estado, El Obeid, de leste a oeste, e segue em direção a Darfur, tem sido alvo de inúmeros ataques com drones do exército e das RSF.

“Seis corpos chegaram ao hospital ontem [quarta-feira], três deles carbonizados, para além de 10 feridos”, disse à AFP uma fonte do hospital na cidade de El Rahad, responsabilizando as Forças de Apoio Rápido pelo ataque, embora também ainda não haja confirmação da origem.

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A guerra civil eclodiu a 15 de abril de 2023, quando uma luta pelo poder entre o exército, comandado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e a milícia paramilitar Forças de Apoio Rápido, liderada pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, se transformou num conflito aberto.

Desde então, cerca de 14 milhões de pessoas (numa população de cerca de 51 milhões) foram forçadas a fugir, tanto no interior do país como para o estrangeiro. Múltiplas organizações humanitárias têm descrito o conflito como a pior crise humanitária do mundo. A ONU dá mesmo conta de que cerca 34 milhões de pessoas necessitam de ajuda, das quais 17 milhões são crianças.

Entretanto, o número de civis mortos em ataques com drones aumentou este ano, segundo avançam as Nações Unidas, particularmente na região de Kordofan. Mais de 500 pessoas foram mortas por drones entre 1 de janeiro e 15 de março, afirmou esta semana Marta Hurtado, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Texto editado por Carlos Diogo Santos