Depois de ter abandonado a Marinha e de ter falhado a eleição para Presidente da República (tendo ficado pela primeira volta, em quarto lugar, a mais de 10% do segundo classificado), Henrique Gouveia e Melo quer edificar “um grande cluster de robótica militar” em Portugal e Espanha, revela o Expresso.
Esse cluster, disse o almirante ao semanário num artigo que só será publicado na próxima semana, servirá para alimentar “a robótica de duplo uso militar e civil”. Com este esforço, pretende promover uma “visão integradora” do investimento na Defesa, em cooperação com as empresas portuguesas, visando a exportação.
“Juntei a minha experiência operacional com a parte tecnológica”, explicou. “A guerra está aqui e o desenvolvimento tem de ser mesmo muito rápido. (…) Às vezes, as empresas têm a tecnologia, mas não sabem o que fazer com ela, porque o mundo militar é muito específico”.
O almirante na reserva entende que, por conhecer as necessidades dos militares, quer ajudar as empresas a desenvolver produtos mais adequados. Esta estrutura empresarial, descreve o Expresso, será financiada por fundos nacionais ou estrangeiros e deverá contribuir como “acelerador” da indústria. Na Marinha, Gouveia e Melo apoiou o exercício REPMUS (o maior exercício de drones militares do mundo) e impulsionou o navio multifunções ‘D. João II’, o primeiro porta-drones do mundo — que deverá estar pronto ainda este ano.
“Em Portugal há menos de dez empresas desta área”, denuncia, dando o exemplo da Tekever, “a coqueluche” portuguesa que exporta muito para a Ucrânia e está avaliada em mais de mil milhões de dólares. Gouveia e Melo quer que este unicórnio português não seja um caso único. Quer “multiplicar esse valor [de faturação da Tekever] para mais de mil milhões no conjunto”, com o “desenvolvimento de projetos verticais, convertidos em produtos concretos”. Como “uma Autoeuropa das novas tecnologias, na robótica, mecânica, informática e química”.
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O almirante tem identificadas as áreas tecnológicas mais urgentes para desenvolver, para “responder à necessidade de defesa”: “comando e controlo, comunicações, inteligência artificial e sensores” que permita construir sistemas não tripulados aéreos, terrestres, aquáticos de superfície e subaquáticos, prossegue o Expresso.
“A única coisa que quero do Estado é que não atrapalhe. (…) O Estado devia fazer mais, mas não consegue”, remata.
A preocupação de Gouveia e Melo com o investimento português (e em Portugal) na Defesa terá a concordância do Governo. Recentemente, quando foi ouvido no Parlamento, Nuno Melo mencionou a importância do SAFE — o Instrumento de Ação para a Segurança da Europa.
“Não nos vamos limitar a adquirir fragatas, vamos transformar o arsenal do Alfeite. (…) Vamos instalar uma fábrica de munições em Portugal. Não vamos apenas lançar satélites no espaço. vamos produzir satélites em Portugal”, disse o ministro da Defesa na comissão da Defesa.
Para Nuno Melo, Portugal não podia desperdiçar “uma oportunidade única” de avançar com uma “modernização das Forças Armadas adiada há décadas” — Portugal candidatou-se com um plano de 5,8 mil milhões de euros, até 2030, ao abrigo deste programa.
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