O ex-polícia Cédric Prizzon, suspeito de ter matado e escondido a ‘ex’ e a atual mulher, vai aguardar o desenrolar da investigação em prisão preventiva, apurou o Observador junto de fonte judicial. O jogador de râguebi que terá fugido de França com, além das duas mulheres, os seus dois filhos, conheceu hoje as medidas de coação no Tribunal de Vila Nova de Foz Côa. Além de ficar em preventiva, está proibido de contactar com os filhos (pessoalmente ou por telemóvel) e é obrigado a “suspender o exercício das responsabilidades parentais” de ambos.
Cédric foi fortemente indiciado por um crime de sequestro, dois crimes de homicídio qualificado, dois crimes de profanação de cadáver, um crime de violência doméstica, um crime de falsificação de documentos e um crime de detenção ilegal de armas. Se os crimes de homicídio e profanação dizem respeito às duas mulheres, o de violência doméstica terá como vítima a filha mais nova, com menos de dois anos.
A Polícia Judiciária acredita que o duplo homicídio poderá ter ocorrido em Portugal, pelo que é possível que Cédric não seja extraditado para França, de onde fugiu com as mulheres e os filhos na sexta-feira.
https://observador.pt/especiais/cedric-fugiu-de-franca-com-a-namorada-a-ex-mulher-e-os-filhos-escondeu-dois-corpos-na-serra-da-nogueira/
O homem de 41 anos tornou-se suspeito quando as autoridades francesas ainda não tinham real dimensão do suposto crime. A 20 de março, Audrey, de 40 anos, não apareceu no trabalho. O filho, Élio, de 13 anos, não foi à escola. A polícia suspeito logo do ex-colega da gendarmerie, pai da criança desaparecida e ex-companheiro da mulher.
A suspeita tinha fundamentos. Desde que terminaram a relação de dez anos, os dois viveram vários conflitos. Chegaram a envolver-se numa luta com faca, que resultou na condenação de ambos. Cédric, que tinha guarda partilhada de Élio, acabaria por perder o direito de visita do menor quando decidiu fugir para Espanha com ele.
Por esse motivo, a polícia foi, logo nessa sexta-feira, à procura do jogador de râguebi. Mas não o encontraram e perceberam que havia mais desaparecimentos. Não era conhecido o paradeiro de Angela, de 26 anos, nova mulher de Cédric, e da filha dos dois, que tem menos de dois anos.
Com o historial de fuga para o estrangeiro, a polícia alertou os países vizinhos, mas realizou, em simultâneo, buscas nas redondezas.
Mas a fuga de Cédric só terminou em Portugal e numa operação STOP da GNR em Mêda. Os militares mandaram parar o condutor (que já só seguia com duas crianças) e, quando lhe pediram os documentos, suspeitaram que seriam falsos.
No decorrer da operação de fiscalização, encontraram ainda uma arma de fogo (para a qual o condutor não tinha licença) e cerca de 17 mil euros em numerário. Os indícios recolhidos eram suficientes para a GNR deter Cédric por suspeitas dos crimes de falsificação de documentos e de posse ilegal de arma. “No seguimento da ação, e no decurso das diligências subsequentes realizadas pelos mesmos militares, foi possível apurar-se que o detido se encontrava referenciado como suspeito da prática de crimes graves, designadamente rapto e outros ilícitos criminais de elevada gravidade, incluindo a suspeita de homicídio”, explicou a GNR através de um comunicado.
O caso, dada a dimensão do crime, foi delegado à PJ. Os investigadores, com fortes suspeitas de duplo-homicídio, concentraram-se em procurar as mulheres, que temiam já estarem mortas. Confirmou-se, mas sem a colaboração do detido. Terá sido o filho mais velho que, em francês, deu indicações à PJ sobre o local dos corpos.
No dia seguinte, de manhã, a PJ encontrou os corpos de Audrey e de Angela na Serra da Nogueira, em Bragança, desvendando um mistério que tinha começado no sul de França. Entretanto, “uma unidade especializada da Gendarmaria Nacional, dedicada aos casos criminais mais sensíveis, foi enviada a Portugal”, disse o procurador de Montpellier, Thierry Lescouarc’h.