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(A) :: Presidente do México retirada do país por motivos de segurança após morte de El Mencho?

Presidente do México retirada do país por motivos de segurança após morte de El Mencho?

Publicações nas redes sociais acusam Claudia Sheinbaum de ter abandonado o México, por "motivos de segurança", após a morte do narcotraficante El Mencho. Serão verdade?

Tânia Pereirinha
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A frase

“A presidente do México, Claudia Sheinbaum, de 63 anos, foi retirada do país e levada para um navio de guerra da Marinha no Pacífico, por razões de segurança”

— Utilizador do Facebook, 25 de fevereiro de 2026

No dia 22 de fevereiro, Nemesio Oseguera Cervantes — nome de rua “El Mencho” — foi eliminado, numa operação do exército mexicano com o apoio dos Estados Unidos da América. Depois, praticamente todo o país foi assolado por uma vaga de violência — ao que tudo indica, como retaliação pela morte do temido narcotraficante, o mais procurado do país, fundador e líder do cartel Jalisco Nueva Generación.

E, logo a seguir, começaram a aparecer as publicações nas redes sociais que garantiam: alheia ao sofrimento da população, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, tinha sido retirada do país, por “motivos de segurança”.

Um vídeo de 45 segundos, onde pode ver-se Sheinbaum a sair de um helicóptero acabado de aterrar, ao que tudo indica, num navio de guerra mexicano, foi partilhado largos milhares de vezes nas redes sociais. A presidente mexicana, que sai da aeronave sorridente e vestida de preto, é recebida no convés da embarcação por militares que lhe fazem continência. As legendas que têm acompanhado estas publicações acusam a chefe de Estado de estar “escondida” no navio e de ter sido “retirada” do país por motivos de segurança, tendo em conta o aumento da violência associada à guerra aberta das autoridades com o cartel Jalisco Nueva Generación.

Submetidas a detetores de inteligência artificial,  as imagens revelam-se verdadeiras. E também não há dúvidas: o vídeo mostra efetivamente Claudia Sheinbaum a chegar de helicóptero a um navio parado em alto mar. Mas será que a presidente mexicana abandonou mesmo o país em plena onda de violência? Isto depois de ela própria se socorrer do X para pedir “calma” a todos os seus concidadãos?

A resposta é… não. O vídeo é verdadeiro, a narrativa que foi desenvolvida em torno dele nem por isso: uma busca reversa no Google revela que foi publicado pela primeira vez largos dias antes de El Mencho ser sequer apanhado pelas autoridades, entre turistas, num resort a duas horas de carro de Guadalajara. As imagens foram captadas no contexto de uma visita oficial da presidente mexicana à cidade de Guaymas, para a inauguração do Museu Subaquático do estado de Sonora, no passado dia 1 de fevereiro de 2026.

Para além de existirem registos em páginas de Facebook, a própria Marinha mexicana emitiu o evento em direto, no YouTube.

Como se não bastasse, um dia após a morte de El Mencho, e já com as imagens a circular, com este novo “contexto”, Claudia Sheinbaum fez questão de desvalorizar aquilo que considerou um boato. “Ontem disseram que fugi para um navio. Isso não é verdade. É mentira”, disse a presidente mexicana, em conferência de imprensa sobre a situação no país. “É m vídeo de quando fomos a Guaymas”, acrescentou ainda.

Conclusão

Não é verdade que Claudia Sheinbaum tenha fugido do país, na sequência da onda de violência gerada após a morte do narcotraficante El Mencho, em meados de fevereiro. O vídeo que foi partilhado milhares de vezes nas redes sociais como prova dessa deserção, foi captado 21 dias antes de o líder do cartel Jalisco Nueva Generación ter sido eliminado. A própria presidente mexicana chamou a atenção para isso menos de 24 horas de as primeiras publicações terem sido feitas, mas isso não impediu a disseminação da informação falsa.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.