“Que cada bala encontre o seu alvo”. Foi este o desejo expresso pelo secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante uma missa no Pentágono, em que também rezou por uma “violência esmagadora contra os que não merecem misericórdia”.
Foi durante a primeira missa no Pentágono desde o início da guerra no Irão, esta quarta-feira — a cerimónia, feita para militares e funcionários, acontece mensalmente — que Hegseth rezou dizendo que, se todos os meses é “adequado” participar ali na missa, “ainda o é mais neste momento”, dado o que “centenas de milhares” de norte-americanos estão a fazer agora, em defesa do país.
Segundo a Associated Press, o responsável pela Defesa leu uma oração que disse ter sido lida, em primeiro lugar, às tropas que capturaram Nicolás Maduro na Venezuela.
“Que cada bala encontre o seu alvo contra os inimigos da Justiça e da nossa grande nação”, rezou. “Que tenham sabedoria em cada decisão, resiliência nas dificuldades que aí vêm, uma união inquebrantável e uma violência esmagadora contra os que não merecem misericórdia”.
“Persegui os meus inimigos e derrotei-os, e não virei as costas até estarem destruídos“, prosseguiu.
Como a AP recorda, Hegseth invoca frequentemente a sua fé evangélica enquanto está a executar as suas funções na administração norte-americana e desde o princípio da ofensiva contra o Irão que tem havido um “escrutínio renovado” a declarações suas, incluindo em defesa das cruzadas. Hesgeth pertence à Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas, uma rede conservadora fundada pelo autoproclamado “cristão-nacionalista” Doug Wilson.
Fontes do Pentágono têm lembrado exemplos históricos, como os do antigo Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt, que decidiu oferecer a Bíblia às tropas do país, para justificar as declarações de Hegseth e as frequentes referências religiosas em intervenções públicas.
Na segunda-feira, o grupo Americanos Unidos pela Separação de Estado e Igreja interpôs um processo para tentar impedir este tipo de missas promovidas pela administração norte-americana. “Estão a abusar do poder das posições governamentais e recursos dos contribuintes para imporem as suas religiões aos trabalhadores federais”, escreveu em comunicado Rachel Laser, presidente do grupo, falando em “pressão” sobre os funcionários para que participem nas missas.