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(A) :: Sabe o que é queering? Não é o que a IA diz, não começou nos anos 90. Outro feminismo e outra paz.

Sabe o que é queering? Não é o que a IA diz, não começou nos anos 90. Outro feminismo e outra paz.

Queering é a forma mais científica de política inclusiva para assegurar práticas que determinam o feminismo como uma forma de paz que vai além do típico feminismo.

Sandra Figueiredo
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Queering é a forma mais científica de política inclusiva para assegurar práticas que determinam o feminismo como uma forma de paz que vai além do típico feminismo: defesa de direitos iguais para homens e mulheres. O queering é outra coisa: a outra forma de defender as mulheres e só as mulheres que integram a comunidade LGBTQ+.  Ou seja, todas (também) têm direito igual na sociedade e na política que governa um país: direito à saúde específica que requerem pelas suas características emocionais e anatómicas, e um tipo de serviço social à medida. Também queering é a nova forma de política sexual que está a mitigar o impacto negativo da descolonização nas mulheres, lésbicas, queer, trans e outras pessoas cuja identidade de género seja a não hegemónica: hétero. Queering é uma forma de educarmos uma sociedade de paz e tem sede na ciência, na nossa rede de investigação europeia (onde também sou membro) com um claro objetivo, mas muitos obstáculos.

Começou na Colômbia onde a repressão de minorias LGBTQ+ sempre teve maior história, apesar de se associar essa repressão a países de matriz islâmica. Admire-se que é num país latino que surge o queering e um kit de ferramentas e de ideologias para combater a insegurança e os maus-tratos contra a comunidade referida. Uma das ferramentas é apoio jurídico, outro é, por exemplo, apoio a cirurgias de mudança de sexo, acesso gratuito a hormonas controladas por prescrição médica, acesso ao casamento e à adoção de crianças para exercer a parentalidade.

E tal como o tamanho S não é igual em todas as culturas, também aplicar o queering em todas as culturas não pode ser igual e seria invasivo e violento impor determinada linguagem sem perguntar primeiro aos interlocutores/país-alvo como prefere o tratamento para as mulheres LGBTQ. Qualquer palavra mal aplicada pode enterrar a missão de queering: o apoio estruturado e politicamente assegurado para estas mulheres que não se identificam com a heteronormatividade.

Esse apoio visa sobretudo a segurança: detenção prisional e aplicação de penas consideráveis a agressores de mulheres LGBTQ, com justiça igual como no mundo hétero. As mulheres trans são as mais afetadas, considerando o grupo LGBTQ, por serem mais visíveis nas vestes e no tom de voz (leu bem), sobretudo pela transfobia que acontece em países opressores e teocráticos (Irão, por exemplo). Afinal, quem e onde começa o queering: logo nos serviços de imigração, à entrada do país, para sinalizar possíveis vítimas que são da comunidade; nos serviços de apoio à saúde mental, informando como tratar as mulheres LGBTQ através das sensibilidades da sua língua materna (o quão as palavras importam e magoam!).