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Os novos paradigmas da gestão

Este artigo não é sobre comunicação… é sobre gestão. O Futuro da gestão. 

Salvador da Cunha
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Quem me conhece sabe que sou um apaixonado pelo futuro e pelas tecnologias exponenciais. Ao mesmo tempo que andamos distraídos pelas guerras e pelas estupidezes do presidente dos Estados Unidos, estamos este ano de 2026 a entrar numa das maiores transformações tecnológicas da história — suportada por avanços absolutamente impressionantes nas ferramentas de Inteligência Artificial, por desenvolvimento na robótica de deixar todos de boca aberta (quem não ficou impressionado com a demonstração dos novos robots humanoides do evento de entrada no novo ano chinês), nos avanços na fusão nuclear, na computação quântica ou na medicina personalizada, e pela convergência de todas estas tecnologias em simultâneo, que se autoalimentam e aceleram mutuamente.

O que é que isto significa? Significa que deixámos de estar num ciclo de melhoria incremental de cada uma das tecnologias, e entrámos numa fase de mudança estrutural. Um leapfrog tecnológico. O que quer dizer que a convergência entre várias tecnologias exponenciais permite que cada uma delas dê um salto maior do que correndo em pista própria, num movimento que se vai autoalimentando. Ou seja, quando atingem pontos de inflexão ao mesmo tempo, o resultado é uma alteração profunda das regras do jogo. É isso que está em causa nestes próximos meses.

Lendo a mais recente carta de Peter Diamandis, da Singularity University, há três sinais que tornam isso evidente.

Primeiro, a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta e passou a ser um fator de produção. As empresas já não compram tecnologia apenas para eficiência. Compram capacidade de substituir ou ampliar trabalho humano. Isto já começa a ser uma realidade óbvia e de alguma forma preocupante.

Os números confirmam-no: a Anthropic, dona do Claude, passou de mil milhões de dólares de vendas para 14 mil milhões de dólares em receitas anualizadas, em apenas 14 meses. A OpenAI, dona do ChatGPT, está nos 25 mil milhões de dólares, com um ritmo de crescimento mais baixo, mas uma base muito mais alta. Não há precedente para este ritmo em software empresarial. Nenhum dos unicórnios das décadas de 2000 a 2020 cresceram desta forma, com esta rapidez.

Segundo, o investimento em infraestruturas atingiu uma escala sem precedentes. Os cinco maiores hyperscalers americanos comprometeram cerca de 690 mil milhões de dólares em capex apenas em 2026. O investimento global em IA deverá atingir 2,5 mil biliões de dólares este ano (em americano 2,5 trillion dólares, começa a ser difícil de imaginar), um aumento de 44% face a 2025. Helon Musk prepara a Tesla para fazer uma mega fabrica de chips, a anunciar este mês.

Isto é uma reformulação total e a construção de uma nova infraestrutura global, comparável à eletrificação do século XX.

Jensen Huang, o CEO da Nvidia, que é a mais valiosa empresa global e quem tem maior visibilidade sobre a procura de infraestrutura de IA no mundo, investiu pessoalmente $40 mil milhões na Anthropic e na OpenAI como último movimento antes de ambas irem a bolsa.

Terceiro, a barreira energética está a ser atacada em simultâneo por múltiplas frentes. Os data centers vão mais do que duplicar o consumo elétrico global até 2030. A fusão nuclear, que durante décadas parecia estar “sempre a 30 anos de distância”, está finalmente a sair dos laboratórios. Há um conjunto de empresas privadas que já captaram 10,6 mil milhões de dólares entre 2021 e 2025, e os primeiros reatores nucleares comerciais estão previstos para esta década. A discussão do nuclear deixou de ser “poética”: é uma realidade absolutamente necessária para o exponencial aumento esperado da procura de energia global. Porquê? Porque mais energia = maior capacidade computacional = mais inteligência disponível.

Peter Diamandis anda há anos a dizer que estamos perto de entrar numa economia de abundância relativa em áreas críticas (falta saber para quem é canalizada toda essa abundância, na minha opinião muito excessivamente canalizada para alguns empreendedores fundadores e pouco distribuída por todos os intervenientes. E quais as consequências para as empresas, as nossas empresas e as empresas globais, de passar a existir.)

Inteligência mais disponível e mais barata, energia mais abundante e mais barata, capacidade de execução amplificada por máquinas, aumento da esperança de vida com qualidade. Interligação de tudo isto. O impacto global vai ser profundo.

Para as empresas, os modelos de negócio atuais vão ser pressionados muito mais depressa do que a maioria antecipa. A vantagem competitiva deixa de ser a escala ou eficiência operacional. Passa a ser a velocidade de adaptação e a capacidade de imaginar novos modelos.

Para os líderes, a pergunta central passa a ser o que acontece ao negócio se a inteligência for praticamente gratuita? Se o trabalho qualificado puder ser automatizado em larga escala? Se a barreira de entrada baixar drasticamente?

Para o talento, a lógica também muda. Não faz sentido competir com máquinas. Faz sentido saber trabalhar com elas, amplificar capacidades e construir valor em cima dessa colaboração. Mas também para isso é preciso querer aprender. Querer adaptar-se. Querer entender as novas dinâmicas.

A maioria das organizações ainda está a reagir como se isto fosse mais um ciclo tecnológico. Não é. É uma mudança de paradigma. E como em todas as mudanças deste tipo, quem se mexe cedo define o mercado. Quem espera, adapta-se ao que já foi definido por outros.

A questão relevante não é quando isto vai acontecer. Já está a acontecer.

A questão é: quem está a redesenhar o negócio com base neste novo contexto?

*  Este artigo teve pesquisas feitas com ajuda de IA. Mas não foi escrito por IA.