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(A) :: A guerra com o Senegal, as seis "contratações" em três dias, o objetivo 2030... ou 2026: Marrocos quer conquistar o Mundial já este ano

A guerra com o Senegal, as seis "contratações" em três dias, o objetivo 2030... ou 2026: Marrocos quer conquistar o Mundial já este ano

No meio da polémica relativa ao vencedor da CAN, Marrocos "inscreveu" seis novos jogadores na FIFA em apenas três dias e definiu o objetivo para os próximos anos: conquistar o Campeonato do Mundo.

Tiago Gama Alexandre
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Nos últimos meses, Marrocos tem sido um dos destaques no que respeita ao futebol. Depois de terem sido quartos classificados na última edição do Campeonato do Mundo, na qual eliminaram Espanha nos oitavos e Portugal nos quartos, os Leões do Atlas sagraram-se campeões mundiais de Sub-20 em outubro e, em janeiro, estiveram presentes na polémica final da Taça das Nações Africanas (CAN), disputada em casa. Mais de dois meses depois de o Senegal ter conquistado o troféu em campo, com um triunfo pela margem mínima no prolongamento, a Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu atribuir o título aos marroquinos, considerando que os senegaleses abandonaram o jogo antes do fim do tempo regulamentar.

Essa decisão foi tomada a 17 de março e promete não ficar por aqui, já que a Federação Senegalesa de Futebol (FSF) apresentou um recurso no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) contra a decisão da CAF. “O TAS está perfeitamente equipado para resolver este tipo de litígios com a ajuda de árbitros especializados e independentes”, disse o diretor-geral do tribunal de Lausanne, na Suíça, Matthieu Reeb, que garantiu que a decisão vai ser tomada “no prazo mais curto”. Para além de querer anular o veredito da CAF, a FSF pediu para suspender o prazo de fundamentação do recurso, considerando que a CAF não apresentou os fundamentos que levaram à sua decisão. Por entre hipotéticas decisões finais e recursos, o Senegal continua com o troféu na sua posse e vai apresentá-lo em Paris no sábado, antes do amigável frente ao Peru.

Enquanto o litígio entre Marrocos, Senegal e a entidade que tutela o futebol africano continua, o objetivo da Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) já está definido: lutar para poder conquistar o Mundial… já deste ano. A garantia foi dada por Mohamed Ouahbi, selecionador da equipa de Sub-20 que venceu o Mundial da categoria e que acabou por substituir Walid Regragui na seleção principal durante o último mês: “Não queremos esperar pelo Mundial-2030 para sermos campeões do mundo. Marrocos vai tentar já em 2026. Estamos a ver os frutos de todo o trabalho. As academias, com as suas infraestruturas, com os centros federais… É uma visão que vem de há muito tempo”.

“Podemos ganhar o Campeonato do Mundo de 2026. Depois de chegarmos às meias-finais no Mundial do Qatar, em que perdemos contra França devido a alguns detalhes, alguns dos quais decisivos, não podemos esperar até 2030 para realizar esse sonho. Vamos disputar o Mundial não apenas para passar da primeira fase. Podemos vencer em 2026, por que não? Já não somos a seleção de Marrocos que celebra a qualificação… Esse tempo acabou. Hoje, só celebramos as vitórias. Os marroquinos consideram o apuramento como algo totalmente normal e que já não causa surpresa. Se observarmos o que as seleções marroquinas conquistaram nos últimos anos, descobrimos que o denominador comum entre elas é o estado mental. No Mundial, nos Jogos Olímpicos, no futsal e na CAN, a vitória sempre foi fruto de espírito e força de vontade”, afirmou Faouzi Lekjaa, presidente da FRMF, no ano passado. De recordar que a competição de 2030 será organizada por Marrocos, em cooperação com Portugal e Espanha, com a fase final a passar ainda por Argentina, Paraguai e Uruguai.

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O crescimento de Marrocos na última década deriva do trabalho de formação que tem vindo a ser desenvolvido pela Federação do país, mas também de captação. Nos últimos anos, a Academia de Futebol Mohammed VI produziu inúmeros talentos, como é o caso de Youssef En-Nesyri, Nayef Aguerd ou Azzedine Ounahi. Mais recentemente, Yassir Zabiri, que marcou um dos golos da final do Mundial de Sub-20, frente à Argentina, numa competição em que até foi um dos melhores marcadores. O avançado estava, na altura, ligado ao Famalicão, que o contratou aos marroquinos do Union Touarga, em 2024, por 600 mil euros. Na última janela de transferências, os famalicenses despediram-se de Zabiri, que rumou ao Rennes a troco de dez milhões de euros…

Por outro lado, o scouting marroquino tem trabalhado intensamente em países como Espanha, França, Itália, Alemanha ou Bélgica para encontrar talento que aporte qualidade à sua seleção. “Tentamos que não nos escape nada”, assumira Rabie Takassa, membro do departamento de scouting da FRMF, em 2022. “Há certos processos que ainda não estão concluídos e que, se há jogadores que não constam na nossa lista, é porque estamos a proceder a várias alterações de nacionalidade desportiva e algumas demoram o seu tempo”, explicara Regragui antes de deixar os Leões do Atlas.

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Apesar da recente mudança no comando técnico da seleção marroquina, o processo de procura de talento tem continuado e, nos últimos três dias, Marrocos inscreveu seis jogadores na plataforma de alteração de federação da FIFA. Nenhum deles tem mais de 20 anos, pelo que o objetivo é assegurar o futuro da sua seleção e lutar por títulos num futuro que pode estar bem mais perto do que se esperava. Tratam-se de Oualid Agougil, médio defensivo de 20 anos do Utrecht; Rayane Bounida, avançado de 20 anos do Ajax; Saif Eddien Lazar, avançado de 19 anos do Genk; Benjamin Khaderi, médio de 18 anos do PSV; Ayoub Ouarghi, avançado de 18 anos do Feyenoord; e Sami Bouhoudane, ponta de lança de 18 anos do PSV. À exceção de Bounida e Lazar, que representavam a Bélgica, todos os outros “trocaram” os Países Baixos por Marrocos.

Para já, apenas Bounida está convocado para a seleção principal, podendo estrear-se frente a Equador (sexta-feira) ou Paraguai (terça-feira). Na presente temporada, o avançado do Ajax participou em 24 jogos da equipa principal dos neerlandeses, tendo atuado essencialmente como médio ofensivo ou extremo direito. No total marcou dois golos e fez oito assistências. Para além disso, participou em dez partidas da equipa B, onde anotou dois golos e três assistências. Outro dos nomes que poderá representar Marrocos no futuro é o de Thiago Pitarch, médio de 18 anos que tem sido titular no Real Madrid, que possui a nacionalidade marroquina por conta do avô. Também Ayyoub Bouaddi, médio de 18 anos do Lille, tem dupla nacionalidade e está debaixo do radar da FRMF.

https://twitter.com/EnMaroc/status/2036964932374102518?s=20