Está em todo o lado, mas ninguém sabe onde está fisicamente. A omnipresença não tem a ver com divindade, mas sim com a influência que d’Artagnan tem na cultura pop. Agora o mistério sobre o local onde estão os restos mortais de Charles de Batz-Castelmore, mais conhecido pela sua alcunha, pode estar perto do fim, avança a emissora neerlandesa L1Nieuws. A possibilidade surge após a descoberta de ossadas que poderão pertencer ao mais famoso mosqueteiro do mundo sob o piso da Igreja de São Pedro e São Paulo, em Wolder, na cidade neerlandesa de Maastricht.
Wim Dijkman, o arqueólogo por trás da descoberta, apesar de se sentir entusiasmado, ainda tem algumas reservas. O investigador estuda Charles de Batz-Castelmore há 28 anos e prefere esperar pelos testes de ADN. “Sou cientista e só direi que se trata de d’Artagnan quando tiver certeza absoluta“, esclarece.
A jornada é melhor que o destino: esta podia ser a moral da estória de mais um capítulo de Os Três Mosqueteiros. A viagem da procura pelo quarto mosqueteiro poderá ter chegado ao fim. Mas, como uma boa estória, teve um final épico. O piso da Igreja de São Pedro e São Paulo colapsou, o que obrigou a obras, marcadas para o mês de fevereiro. O diácono Jos Valke estava presente no momento em que o piso foi aberto. “Durante os trabalhos de restauração, descobrimos um esqueleto”, lembra o diácono. “Liguei imediatamente para o Wim, uma vez que trabalha com d’Artagnan há mais de vinte anos”, relata Valke.
O esqueleto foi, mais tarde, tratado pelo arqueólogo. Quando o solo começou a ser aberto em volta dos restos mortais, a primeira coisa a aparecer foi o crânio, que terá sido atingido por alguma coisa. “Infelizmente estava estilhaçado, porque algo lhe tinha caído em cima”, disse Wim Dijkman. Mais tarde, foi possível perceber que as vértebras cervicais e das costelas estavam na posição original.
Foi então que o arqueólogo descobriu um elemento forte na teoria de que este pode ser o esqueleto de D’Artagnan: uma bala junto do peito. Em 1673, o Rei Luís XIV de França decidiu invadir os Países Baixos e pretendia fazer um cerco a Maastricht. D’Artagnan, líder dos mosqueteiros, foi enviado para comandar o ataque na linha da frente. Durante um contra-ataque neerlandês no dia 25 de junho de 1673, o mosqueteiro foi atingido mortalmente por uma bala na garganta. “As evidências são muito fortes”, afirma o diácono Jos Valke.
“Estou ansioso por receber uma confirmação oficial, que deverá chegar dentro de algumas semanas“, assume Wim Dijkman. A amostra de ADN será comparada com outras fornecidas por descendentes do pai de D’Artagnan, para analisar eventuais correspondências. “Neste momento, estão a decorrer todo o tipo de análises e investigações, tanto a nível nacional como internacional. Tornou-se realmente uma investigação de alto nível. Queremos ter a certeza absoluta de que se trata de D’Artagnan”, afirmou.
O rumor de que D’Artagnan pode estar sepultado nesta igreja não é novo. Há “fortes suspeitas de que d’Artagnan e outros membros do estado-maior militar do rei que morreram no ataque foram enterrados na igreja de Wolder”, lê-se num documento divulgado pela Liga Equestre de Valónia-Bruxelas, citando a historiadora Odile Bordaz, uma das principais investigadoras sobre a vida de D’Artagnan, que em 2008 defendeu essa tese.
Antes de quaisquer futuras questões, uma das mais colocadas — o paradeiro de d’Artagnan — pode estar prestes a ser respondida. Mas o arqueólogo ressalva: “Vamos esperar pelos resultados da investigação. Precisamos de um pouco mais de paciência”.