O excedente orçamental atingiu 0,7% do PIB, anunciou o INE. O Governo estimava 0,3% do PIB, mas Miranda Sarmento já tinha indicado que seria superior. Consegue assim um saldo superior em 0,4 pontos, ou seja, mais 1.177 milhões de euros. O saldo atingiu os 2.059 milhões de euros. Face a 2024, o saldo melhorou 196 milhões.
“O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 pontos percentuais que o observado no trimestre anterior”, indica o INE.
Já no ano passado o Governo tinha estimado um saldo orçamental inferior ao que efetivamente foi alcançado. Tinha estimado 0,4% e ficou nos 0,6%, segundo a revisão anunciada esta quinta-feira pelo INE (face aos anteriores 0,5%).
Segundo os dados divulgados para 2025, o crescimento da receita das administrações públicos superou a evolução da despesa. A receita subiu 6,7%, ou mais 8,3 mil milhões de euros, e a despesa subiu 6,6%, mais 8,1 mil milhões. Além disso, a receita de impostos superou não apenas a de 2024, como as estimativas apresentadas pelo Governo na proposta de Orçamento. A receita atingiu os 133 mil milhões de euros, quando no Orçamento o Governo apontava para 129,7 mil milhões. A receita fiscal superou os 75 mil milhões de euros, quando no orçamento o Governo previa que ficasse pelos 74,4 mil milhões de euros. E isto mesmo com a descida operada no IRS. As contribuições sociais atingiram os 38,7 mil milhões de euros, face a uma projeção de 34,7 mil milhões.
Com mais impostos arrecadados e mais contribuições sociais pagas — por via do emprego –, a carga fiscal, indica o INE, aumentou de 35,2% para 35,4%. A carga fiscal é um rácio entre as receitas fiscais arrecadadas e o PIB. Com o PIB nominal a crescer 5,9% em 2025, a receita aumentou acima.
A despesa, por outro lado, ficou abaixo do projetado. A despesa total ficou nos 130,9 mil milhões de euros, quando em outubro se antecipava para 2025 uma despesa de 134,2 mil milhões de euros. Inclusive o investimento público voltou a ficar abaixo da projeção. Totalizou 9,081 mil milhões, quando se antecipava 10,2 mil milhões de euros. No conjunto as despesas de capital ficaram em 11.856 milhões, quando se apontava para 13.751 milhões, mais 1.895 milhões.
O saldo primário, que não contabiliza as despesas com juros, cresceu 225,9 milhões de euros, fixando-se em 8.023,2 milhões de euros em 2025. Com a dívida pública a ter ficado abaixo de 90%, em 2025, a pressão de juros far-se-á por via da subida das taxas, antecipando-se já três aumentos pelo BCE.