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(A) :: "Cansam-se menos e trabalham mais depressa". Ucrânia testa exoesqueletos no campo de batalha em Pokrovsk

"Cansam-se menos e trabalham mais depressa". Ucrânia testa exoesqueletos no campo de batalha em Pokrovsk

Para reduzir desgaste e aumentar capacidade de resistência em combate, as tropas ucranianas testaram exoesqueletos, estruturas mecânicas externas e presas ao corpo que reforçam os movimentos humanos.

Manuel Nobre Monteiro
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As forças ucranianas começaram a testar exoesqueletos no teatro de operações da guerra com a Rússia. A informação foi divulgada pelo 7.º Corpo de Resposta Rápida das Forças de Assalto Aéreo da Ucrânia, que publicou imagens nas redes sociais do equipamento a ser utilizado na região de Pokrovsk por militares da 147.ª Brigada Independente de Artilharia.

Os dispositivos surgem no âmbito da aposta ucraniana em tecnologia, com o objetivo de reduzir o desgaste físico dos militares e aumentar a capacidade de resistência em combate. “Todos os dias, os militares que manuseiam artilharia pesada fazem um esforço físico significativo. Transportam 15 a 30 projéteis por dia, cada um com cerca de 50kg. De acordo com os resultados dos testes, [com os exoesqueletos, os soldados] fatigam menos, trabalham mais depressa e mantêm a eficácia em combate durante mais tempo“, afirmou Vitalii Serdiuk, vice-comandante do 7.º Corpo de Assalto Aéreo, citado pelo Ukrainska Pravda.

O exoesqueleto é uma estrutura mecânica externa e presa ao corpo que reforça os movimentos humanos através de uma ativação elétrica alimentada por uma bateria. O sistema apresenta-se como um conjunto de arcos rígidos com articulações ao longo das coxas e dos joelhos, funcionando como uma espécie de suporte motorizado para o esforço físico.

A estrutura reduz a tensão muscular em até 30%, mantém velocidades de movimento de até 20 quilómetros por hora e opera em distâncias de até 17 quilómetros com um único carregamento de bateria.

O equipamento terá ainda, segundo o Ukrainska Pravda, um peso aproximado de dois quilos e será fabricado em ligas de alumínio, o que facilita o transporte e a utilização em cenários operacionais exigentes.

“O exoesqueleto pode ser totalmente utilizado sem recurso a uma aplicação móvel. Tem botões para controlo básico. No entanto, a aplicação permite definições personalizadas. Por exemplo, ativar o modo de IA [inteligência artificial] ou ajustar a potência”, explicou Serhii Lefter, porta-voz do 7.º Corpo de Resposta Rápida, ao mesmo jornal ucraniano.

Na prática, sublinhou Lefter, trata-se de uma tentativa de combinar “capacidade física, mobilidade e automatização” num exército que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a incorporar cada vez mais soluções tecnológicas para compensar as limitações humanas.

https://observador.pt/2022/11/08/agencias-especiais-russas-querem-testar-exoesqueletos-na-ucrania/

O modelo continua, para já, em fase de testes e não há indicação de que tenha sido adotado em larga escala. Em 2022, as tropas russas já tinham mostrado interesse em testar os exoesqueletos, com o intuito de tornar os soldados mais resistentes e colmatar a falta de equipamentos.