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(A) :: Rei da Dinamarca pede a Mette Frederiksen que forme novo governo após eleições sem maioria e demissão

Rei da Dinamarca pede a Mette Frederiksen que forme novo governo após eleições sem maioria e demissão

O Rei Frederik X incumbiu a primeira-ministra demissionária de formar governo após reunir os 12 líderes parlamentares. Negociações podem durar semanas.

Sâmia Fiates
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O Rei Frederik X, da Dinamarca, pediu a Mette Frederiksen, a primeira-ministra demissionária, que lidere as negociações para a formação de um novo governo. A recomendação foi anunciada através de um comunicado emitido pelo palácio, após o monarca receber em Amalienborg, a residência oficial da realeza dinamarquesa, os líderes dos 12 partidos políticos com representação parlamentar. Horas antes, Frederiksen apresentou a sua demissão, depois de a coligação de esquerda que lidera ter vencido no dia 24 de março as eleições legislativas sem maioria absoluta. Espera-se que as negociações para a formação do governo possam durar semanas.

Os líderes dos partidos encontraram-se com Frederik X individualmente ao longo da tarde da última quarta-feira, quando informaram sobre quem queriam nomear para atuar como “explorador real”, a pessoa responsável por dirigir as negociações para formar governo. De acordo com o comunicado do Palácio, as negociações devem contar “com a participação do socialista Esquerda Verde e Partido Social Liberal. Tendo isto em consideração, a primeira-ministra em exercício comunicou ao Rei que aceita a responsabilidade de liderar as negociações.

Ainda de acordo com o comunicado, assinado pelo Diretor Administrativo da Casa Real na Dinamarca, Christian Schønau, Frederiksen foi indicada pelos líderes dos sociais democratas, do Partido Socialista Popular, da Aliança Vermelho Verde, do Partido Social Liberal e da Alternativa, que juntos ocupam 84 assentos no Parlamento, mas com ressalvas. O Partido Socialista Popular diz que vai apresentar um voto de confiança se não fizer parte do governo, enquanto a Aliança Vermelho Verde diz que só aprova um governo sem a presença de partidos da direita conservadora, como o Partido Liberal, Conservadores, Democratas Dinamarqueses, Aliança Liberal, Partido do Povo Dinamarquês e Partido dos Cidadãos. Já a Alternativa também apresentou condições, afirmando apoiar apenas um bloco vermelho-verde.

Além de Frederiksen, outros dois nomes foram citados pelos líderes parlamentares. Troels Lund Poulsen, atual vice-primeiro-ministro, ministro da Defesa e líder do Partido Liberal da Dinamarca, foi indicado pelo próprio partido, pela Aliança Liberal, Partido do Povo Dinamarquês, Partido Conservador e Democratas Dinamarqueses, que representam 73 assentos. Já o líder dos Moderados, Lars Løkke Rasmussen, recomendou-se a si mesmo para o papel. O partido conta com 14 assentos no Parlamento. Já o Partido dos Cidadãos, de extrema-direita, indicou que acreditava que a maioria dos partidos escolheriam Mette Frederiksen, entretanto optou por não apontar nenhum nome.

Num debate envolvendo todos os líderes parlamentares em Copenhaga, Frederiksen já tinha dito que iria começar a explorar a possibilidade de formar um Governo de esquerda com o apoio dos Moderados de centro-direita de Lars Løkke Rasmussen, recorda o The Guardian. 

Apesar da vitória nas urnas, as legislativas desta terça-feira significaram uma derrota política para Frederiksen. O Partido Social Democrata teve o pior resultado desde 1903, conquistando apenas 38 lugares no parlamento — uma grande queda em relação aos 50 conquistados há quatro anos. Os partidos de esquerda somaram 48,1% dos votos e dependem agora dos centristas (que conseguiram 7,7% da votação) para alcançar uma maioria. A coligação de direita alcançou 44,2% dos votos nestas eleições.