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(A) :: Um plano de paz de 15 pontos e trinta mortos no Líbano. O que aconteceu no último dia da guerra?

Um plano de paz de 15 pontos e trinta mortos no Líbano. O que aconteceu no último dia da guerra?

Na diplomacia, surge uma proposta norte-americana e uma contra-proposta iraniana. Israel anuncia a extensão da sua ocupação no Líbano em mais 30 km. E crise faz-se sentir na Ásia.

Cátia Bruno
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Tímidos avanços diplomáticos. Os Estados Unidos apresentaram uma proposta com 15 pontos ao Irão para encetar negociações de paz neste 25.º dia de guerra. Teerão, porém, classificou a proposta como “maximalista” e apresentou uma contra-proposta. Perante este cenário, os mercados reagiram e o preço do barril de petróleo desceu 5%.

A situação no Líbano intensifica-se. Israel anunciou que vai alargar a sua base de ocupação no sul do Líbano em 30 quilómetros, dando ordens de evacuação para mais aldeias. Trinta e três libaneses terão morrido em apenas 24 horas e o secretário-geral da ONU pediu que os combates entre Israel e o Hezbollah não condenem o Líbano ao mesmo destino de Gaza.

Na Ásia, os efeitos da crise energética já se fazem sentir. Enquanto as Filipinas declararam emergência nacional, o Sri Lanka decidiu apagar a iluminação de rua, sinais e cartazes de neón. Mas a guerra também provoca efeitos no Ocidente: o Banco Central português reviu o PIB em baixa, colocando-o agora nos 1,8%.

Pode recordar os acontecimentos de terça-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quarta-feira, dia 25 de março:

No Irão

  • Israel fez uma nova vaga de ataques aéreos a Teerão, atingindo portos e outros alvos militares. O Irão diz que algumas zonas atingidas eram residenciais.
  • As IDF também fizeram ataques a Mashhad, na zona nordeste do Irão. Este é o ponto mais a norte do país alguma vez atingido desde o início da guerra, o que indicia que Israel está a alargar o seu raio de ação dentro do país.
  • EUA e Israel atacaram a base de mísseis Imã Javad.
  • Os norte-americanos atingiram bunkers com munições numa base aérea em Bandar Abbas.
  • De acordo com o New York Times, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou uma intensificação dos ataques à indústria de armamento iraniana nas 48 horas seguintes. No mesmo dia, as IDF atingiram duas fábricas de produção de mísseis navais em Teerão, um local de produção de armamento em Vandar e um centro de investigação de armamento em Esfahan.
  • Os norte-americanos e os israelitas atingiram empresas com ligações ao Ministério da Defesa iraniano em Mehrabad, Alborz. Também atacaram o complexo industrial Shahid Shafi Zadeh, que produz componentes para mísseis balísticos.
  • O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou o envio de mais tropas para o Médio Oriente. O contingente norte-americano na região inclui agora 50 mil tropas, dois porta-aviões e 200 aeronaves de combate e prepara-se para receber mais soldados vindos da 82.ª Unidades Expedicionárias da Força Aérea e da Marinha.
  • Os Estados Unidos da América apresentaram ao Irão uma proposta de negociação com 15 pontos, entregue via Paquistão. O interlocutor paquistanês também contactou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, oferecendo-se para servir como mediador. O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que irá “desencadear o inferno” sobre Teerão se os iranianos não aceitarem um acordo.
  • O Irão confirmou ter recebido a proposta, mas rejeitou-a oficialmente, classificando-a como “extremamente maximalista e nada razoável”. Teerão apresentou uma contraproposta.
  • O embaixador israelita nas Nações Unidas, Danny Danon, declarou que Israel não está incluído nas negociações e irá continuar as suas operações militares.
  • Mais de dois mil barcos estão presos no Estreito de Ormuz. No entanto, pelo menos 26 navios que terão pago uma taxa ao Irão conseguiram passar.
  • Os EUA aliviaram sanções sobre o petróleo iraniano, numa tentativa de controlar a crise energética mundial.
  • O Irão anunciou que cerca de 500 escolas no país terão sido atingidas, com 243 estudantes e professores mortos.

Em Israel e no Líbano

  • A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou uma série de novos ataques a território israelita, anunciando que marca “o início dos ataques a lugares das forças sionistas no norte da Palestina e em Gaza”.
  • Ao todo, o Irão disparou sete vagas de mísseis contra Israel, incluindo um míssil contra a central elétrica de Orot Rabin. O míssil foi intercetado.
  • O Hezbollah anunciou 70 ataques, incluindo 21 de drones, contra território israelita e contra as IDF estacionadas no sul do Líbano. É o maior número de ataques do grupo registados num espaço de 24 horas.
  • Um míssil de fragmentação disparado do Líbano atingiu um bairro em Kiryat Shmona, em Israel.
  • Um ataque israelita durante a noite contra a zona de Nabatieh, no sul do Líbano, matou duas pessoas.
  • As IDF reivindicaram uma série de ataques contra o Hezbollah. Os alvos foram um armazém de armamento no sul do Líbano, um ataque à 1.ª Brigada Golani de Infantaria (que matou um membro do Hezbollah), um conjunto de combatentes do Hezbollah no sul do Líbano, um centro de comando em Beirute e várias estações de gás.
  • Israel fez mais ordens de evacuação em aldeias no sul do Líbano. As IDF dizem estar a aumentar a “zona de segurança” que controlam no sul do Líbano, alargando-a em 30 quilómetros.
  • Um dos líderes do Hezbollah, Naim Qassem, declarou que entrar em negociações com Israel quando continuam sob ataque seria o mesmo que uma “rendição imposta”.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que declare o Hezbollah uma organização terrorista.
  • O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que os combates entre Israel e o Hezbollah não condenem o Líbano ao mesmo destino de Gaza.
  • O Ministério da Saúde israelita anunciou que mais de cinco mil pessoas ficaram feridas desde o início da guerra.
  • O Líbano anunciou que, desde o início do conflito, mais de mil pessoas morreram e quase três mil ficaram feridas. Trinta e três pessoas terão morrido só nas últimas 24 horas.

No Golfo

  • Um ataque com drones atingiu um depósito de combustível no Aeroporto Internacional do Kuwait. Foram ainda disparados nove drones e 20 mísseis balísticos contra o país no mesmo dia.
  • O Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmou vários ataques à zona leste do país, onde se localizam as maiores infraestruturas de produção de petróleo saudita. O país abateu 32 drones e um míssil balístico.
  • O Bahrain foi atingido por 30 drones. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, o Irão estará a aumentar o número de ataques sobre o Bahrain para compensar a pausa que terá feito nos ataques ao Qatar.
  • O Irão disparou nove drones contra os Emirados Árabes Unidos.
  • O Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou os ataques iranianos contra países do Golfo e exigiu “reparações”.
  • O antigo-primeiro ministro do Qatar Hamad al-Thani disse que os países do Golfo devem ser incluídos em quaisquer negociações entre EUA e Irão.
  • O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, declarou que 30 a 40% da capacidade de refinação do Golfo foi danificada ou destruída.

No resto do mundo

  • Registaram-se ataques aéreos no Iraque, a uma centro de comando na província de Anbar que matou sete soldados iraquianos e feriu outros 13. Foi também atingida uma base das milícias pró-Irão na mesma região.
  • A milícia Resistência Islâmica, no Iraque, disse ter conduzido 23 operações contra bases “inimigas” num só dia.
  • O Iraque anunciou que vai convocar o encarregado de negócios norte-americano e o embaixador iraniano. Deu também autorização às milícias para que respondam aos ataques dos EUA.
  • Um responsável do Departamento de Estado norte-americano anunciou que o Governo iraquiano não tem dado aos Estados Unidos informações sobre a localização das unidades iraquianas, apesar dos pedidos reiterados dos EUA.
  • O Reino Unido e França querem conversações militares com 30 países para formar uma coligação para lidar com a situação no Estreito de Ormuz.
  • A Rússia retirou o seu pessoal da central nuclear de Bushehr, no Irão, depois de esta ter sido atingida.
  • Um diplomata chinês avisou o Irão de que “falar é sempre melhor do que combater”.
  • O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou que Israel quer provocar um nível de destruição semelhante ao de Gaza no Líbano. Alertou também para o risco de que “o pesadelo do Iraque se repita” na região.
  • O Canadá condenou os planos israelitas para ocupar o sul do Líbano e pediu ao Hezbollah para que pare os ataques.
  • A Turquia apelou aos países do Golfo para que não se envolvam na guerra.
  • O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Júnior, declarou emergência nacional e tenta agora garantir provisões de combustível e bens essenciais.
  • O Sri Lanka decidiu apagar a iluminação de rua, sinais e cartazes de neón, para lidar com a escassez de energia.
  • O Banco Central português previu uma descida do PIB para 1,8% por causa dos efeitos da guerra no Médio Oriente.
  • As Nações Unidas declararam que os ataques a centrais nucleares iranianas representam um risco de uma “catástrofe absoluta”.
  • O preço do petróleo baixou mais de 5% por causa de entusiasmo com as possíveis negociações EUA-Irão.
  • Contudo, o CEO da Shell avisou que a Europa pode sentir escassez de energia já no próximo mês. Por sua vez, o responsável da Câmara Internacional de Comércio alertou que a guerra pode provocar “a maior crise industrial de que há memória”.