A candidata de direita Keiko Fujimori, líder nas sondagens para as presidenciais de abril no Peru, afirmou que “tem força” para governar e vencer o crime, mas os adversários acusam-na de liderar “pacto mafioso” que governa o país.
Durante a terceira sessão do debate presidencial no Peru, na qual participaram os últimos 12 candidatos que ainda não tinham intervindo, Fujimori disse que o Peru “não aguenta mais improvisações” e que o partido que lidera, Força Popular, “é o único que tem a força, a experiência e, acima de tudo, a equipa para derrotar estas pragas”.
A candidata do Força Popular aludiu em várias ocasiões às ações do governo do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), afirmando que este lhe ensinou na infância que, “perante o terrorismo, nunca se recua”.
Fujimori afirmou também que vai retirar o país da Corte Interamericana dos Direitos Humanos (Corte IDH) se for necessário, mas não será para aplicar a pena de morte, embora pretenda voltar a utilizar os juízes “sem rosto” (secretos), regime que foi implementado durante o governo do pai.
Em resposta, a herdeira política foi alvo de críticas de todos os candidatos presentes, que recordaram a corrupção vigente na administração do pai e a crise política, pela qual a culpam ao não ter aceitado as derrotas nas duas últimas eleições.
Ronald Atencio, da aliança de esquerda Venceremos, acusou Fujimori de ser “uma digna representante das organizações criminosas” e afirmou que a criminalidade “tem origem na Constituição fujimontesinista”, em alusão a Alberto Fujimori e ao assessor Vladimiro Montesinos.
Mesías Guevara, do partido Morado (centro), apelou ao resgate do Peru, “porque Fujimori nunca mais”. “Se hoje há criminalidade é porque ela [Fujimori], os seus congressistas e os parceiros do pacto mafioso fizeram leis pró-crime”, enfatizou.
Jorge Nieto, do partido do Bom Governo, afirmou que os criminosos têm “os parceiros numa coligação pela impunidade no Governo e nos diferentes órgãos” do Estado, após o que disse a Fujimori que a política, na prática, “governa a partir do Congresso”.
“Este é o resultado do seu governo, porque a senhora governa a partir do Congresso, numa coligação que é de puro interesse; querem preservar a impunidade”, salientou.
Por sua vez, Mario Vizcarra, irmão do ex-presidente Martín Vizcarra (2018-2020), do partido de centro-direita Peru Primeiro, recordou a Fujimori a compra de congressistas e meios de comunicação por parte de Montesinos.
Em resposta, a líder do Força Popular afirmou que “através do Congresso podem ser aprovadas leis, mas para recuperar a segurança é preciso conquistar a Presidência”. “Nos últimos 25 anos o fujimorismo não governou”, lembrou.
Keiko chegou ao debate em primeiro lugar nas intenções de voto, mas em empate técnico com Rafael López Aliaga, do partido ultraconservador Renovação Popular, com cerca de 12% das preferências, de acordo com as sondagens.
Mais de 27 milhões de peruanos são chamados a votar no dia 12 de abril para renovar as autoridades nacionais, incluindo a Presidência, um cargo marcado pela crise persistente, tendo o país tido oito dirigentes numa década.