Com uma moção de censura marcada para a próxima segunda-feira, 30 de março, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, continua a arrumar a casa para evitar a destituição no Parlamento e a perda de popularidade, que caiu a pique com a rejeição da reforça da Justiça. Esta quarta-feira, dois dias depois desse revés político, a ministra do Turismo italiana, Daniela Santanchè, apresentou a demissão, após ser pressionada publicamente nesse sentido por Meloni.
“Prezada Giorgia, conforme solicitado oficialmente, apresento a minha renúncia ao cargo de ministra que a senhora desejou confiar-me e que acredito ter desempenhado da melhor maneira possível”, anunciou a governante num comunicado em que renuncia ao cargo ministerial, citado pelo Corriere della Sera.
“Não quero ser um bode expiatório. A derrota no referendo não foi minha culpa e o meu registo criminal é imaculado“, afirmou também. Na noite de terça-feira, o Governo italiano tinha emitido uma nota à comunicação social pegando nos exemplos de Giusi Bartolozzi, chefe de gabinete do ministério da Justiça, e Andrea Delmastro Delle Vedove, subsecretário da Justiça, que apresentaram demissão na terça-feira, para defender que Santanchè deveria tomar uma “decisão semelhante” em consonância com as “mesmas sensibilidades institucionais”.
Há mais de um ano que a ministra italiana enfrentava o escrutínio público devido a uma série de acusações judiciais. Está acusada da falência fraudulenta da Visibilia, a empresa que detinha antes de ser governante, entre outros crimes económicos e de manipulação de contabilidade empresarial.
Como destaca a Reuters, Santanchè, que é membro do partido de direita Irmãos da Itália, de Meloni, resistiu inicialmente à exigência pública, sem cancelar a agenda pública desta quarta-feira. Foi questionada durante todo o dia pelos jornalistas que a conseguiram abordar e horas depois acabou por apresentar a demissão.
Vários jornais italianos definem este apelo público de Meloni para a renúncia da ministra como bastante incomum por parte de um chefe de governo. Isto porque de acordo com a Constituição italiana, os ministros não podem ser demitidos diretamente pelo próprio Governo.
Na sequência da derrota do referendo da reforma da Justiça, a primeira-ministra italiana já tinha sido citada na imprensa a dizer que não estava disposta a continuar a segurar “aliados desacreditados”. Na segunda-feira, 54% dos italianos disseram “não” às mudanças propostas para o sistema judicial italiano.