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Quatro filmes para ver esta semana

O documentário "Eu Sou Martin Parr", o filme de terror "Eles Matam-te", o alemão "O Rapaz da Ilha de Amrum" e a animação "Marcel e Monsieur Pagnol" são as escolhas de Eurico de Barros esta semana.

Eurico de Barros
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“Eu Sou Martin Parr”

Um dos participantes neste documentário de Lee Shulman sobre o notável fotógrafo inglês Martin Parr, falecido há pouco tempo, um artista seu amigo, fustiga, entre risos, as interpretações “filosóficas e complicadas” sobre a sua obra. Eu Sou Martin Parr oferece precisamente o oposto delas (e em pouco mais de 60 minutos), uma série de depoimentos certeiros e análises sintéticas de amigos, colegas, colaboradores, galeristas e do próprio Parr (sempre bonómico e sorridente) sobre as suas fotografias, desde o tempo em que só trabalhava a preto e branco. E filma-o a fotografar e a falar descontraidamente com as pessoas que captava nas suas deambulações. O resto, é dito pelas fotos: o sentido único do instantâneo insólito, do pormenor humano e do detalhe kitsch ou excêntrico, o humor e a sátira (mas jamais cruéis ou vulgares), a discreta qualidade documental e o nunca sublinhado ou exibido significado social, a revelação do que estava à espera para ser mostrado, mas que só o brilhante e atento Parr notava e registava.

https://www.youtube.com/watch?v=Yiz-ptG0oVA

“Eles Matam-te”

Asia (Zazie Beetz), uma rapariga que fugiu de casa, arranja emprego como criada num velho edifício de luxo de Manhattan controlado por um culto satânico que faz sacrifícios humanos, e que tenta matá-la logo na primeira noite. Mas Asia sabe ao que vai: está numa missão de salvamento. Escrito e realizado por Kirill Sokolov, Eles Matam-te é um filme de terror e de ação ultraviolenta do qual está ausente toda e qualquer subtileza, e que se limita à acumulação de gore cartoonesco, disparando referências, piadas e piscadelas de olho em várias direcções, dos Kill Bill de Quentin Tarantino aos Evil Dead de Sam Raimi, até às fitas sobrenaturais e de artes marciais asiáticas. É frenético e disparatado, é barulhento e repetitivo, e  cansa rapidamente, apesar de durar apenas hora e meia. Patricia Arquette, Heather Graham e Tom Felton também aparecem no elenco, mas as suas personagens não são mais do que bonecos grotescamente maléficos. Esqueça-se.

https://www.youtube.com/watch?v=s0PGrtw0X1Q

“O Rapaz da Ilha de Amrum”

O novo filme do cineasta turco-germânico Fatih Akim é uma adaptação do livro Amrum, de Hark Bohm, actor, realizador, dramaturgo e colaborador de Rainer Werner Fassbinder, baseado nas suas memórias de infância (Bohm morreu pouco depois da estreia da fita na Alemanha, aos 86 anos). A história passa-se em 1945, nos últimos dias da II Guerra Mundial, na pequena ilha de Amrum, situada junto à costa alemã do Mar do Norte. Nanning, de 12 anos, o filho mais velho da sua família, pesca, apanha madeira e trabalha nos campos de batatas da quinta vizinha para ajudar a mãe, uma nazi convicta, e que está grávida, a alimentar os seus. O rapaz, a mãe, os irmãos e uma tia tiveram de fugir da bombardeada Hamburgo para a ilha, enquanto que o pai, um oficial das SS, está a combater na guerra. E à medida que o conflito chega ao fim e a paz se pressente, Nanning vai ter que enfrentar novos e insuspeitados desafios.

https://www.youtube.com/watch?v=-izT0MKkvZY

“Marcel e Monsieur Pagnol”

O francês Sylvain Chomet, autor das celebradas longas-metragens animadas Belleville Rendez-Vous e o Mágico, assina, em Marcel e Monsieur Pagnol, uma animação biográfica sobre o grande  escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol, encomendada pelo seu neto Nicolas, para marcar o 130º aniversário do nascimento do autor de peças de teatro e filmes (que ele próprio rodou) como Topaze, César ou A Mulher do Padeiro. O filme começa em 1955, em Paris, quando o já célebre e premiado Pagnol, muito deprimido com o falhanço das suas duas últimas obras dramáticas e a pensar abandonar a escrita, é convidado para fazer uma crónica mensal para a revista Elle sobre recordações de infância. E vai ser ajudado pelo pequeno Marcel, o seu “eu” desses tempos distantes. Marcel e Monsieur Pagnol foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.