Cédric Prizzon, suspeito de ter matado duas mulheres que raptou de França, foi apanhado pela GNR numa ‘operação STOP’. O francês também transportava no carro os dois filhos das duas mulheres que foram encontradas mortas em Portugal, apurou o Observador junto de fonte ligada à investigação. As vítimas são Audrey Cavalié e Angela, ‘ex’ e atual namorada do detido, respetivamente.
As mulheres foram dadas como desaparecidas na última sexta-feira. Nesse dia, a polícia encontrou vazia a casa onde Audrey vivia com o filho e suspeitou de um desaparecimento involuntário. A atenção virou-se imediatamente para Cédric, ex-polícia e antigo jogador de râguebi, com quem a mulher tinha tido uma longa disputa judicial pela guarda do filho.
Quando a polícia procurou o suspeito, este também estava em paradeiro incerto, tal como a nova mulher, Angela, e o filho de ambos. Os alarmes soaram mais alto e todos os caminhos apontavam para o mesmo suspeito. Temendo uma fuga para fora do país, as autoridades avisaram as polícias dos países vizinhos.

Foi graças a esse alerta que, na terça-feira, a GNR associou Cédric ao crime. Mas não foi por esse crime que foi apanhado. Segundo descreveu fonte da GNR ao Observador, o francês seguia num carro com matrícula francesa na Estrada Nacional 102, quando foi mandado parar no decorrer de uma “ação de fiscalização rodoviária”.
Perceberam que o homem seguia no carro com duas crianças, mas não suspeitaram de nada e seguiram o procedimento habitual, tendo pedido os documentos do condutor. Quando os apresentou, os militares tiveram suspeitas de que seriam falsos, o que acabaram por confirmar. Além disso, encontraram uma arma de fogo sem a devida documentação legal.
Estavam reunidas as condições para que Cédric fosse detido “em flagrante delito” pelos crimes de “falsificação de documentos e de posse ilegal de arma”. No entanto, assim que os militares começaram a verificar a verdadeira identidade do homem que tinham à frente, conseguiram apurar que estava “referenciado como suspeito da prática de crimes graves, designadamente rapto e outros ilícitos criminais de elevada gravidade, incluindo a suspeita de homicídio”.
Atendendo à gravidade do crime, a GNR contactou de imediato a Polícia Judiciária. “Da articulação entre a informação recolhida pelo Comando Territorial da Guarda e a apurada pela Polícia Judiciária, foi possível equacionar a possibilidade de estarmos perante um cenário de duplo homicídio, tendo sido de imediato desencadeadas todas as diligências necessárias”, refere a GNR em comunicado.
Entretanto, a Polícia Judiciária (PJ) confirmou o sucedido numa nota enviada às redações, avaliando em cerca de 17 mil euros o dinheiro encontrado na viatura. Foi acionado o Piquete do Departamento de Investigação Criminal da Guarda e duas equipas, uma de Investigação Criminal e outra de Polícia Científica, foram enviadas para o local.
“Ainda durante a noite de ontem, a PJ obteve robustos elementos de prova que, durante a manhã de hoje, permitiram localizar dois corpos, presumivelmente da companheira e a ex-companheira do referido cidadão, enterradas em local ermo, cuja diligência foi presidida pelo Procurador titular da ação penal. Continuam a ser desenvolvidas as diligências necessárias à identificação das vítimas e à consolidação da prova. Contou-se a todo o momento com a disponibilidade de colaboração das diversas valências do Comando da Guarda da GNR”, sublinha a PJ.
O inquérito está a cargo do Ministério Público de Mêda e o detido será presente a primeiro interrogatório judicial.
Notícia atualizada às 17h54 com a informação do comunicado de imprensa da Polícia Judiciária.