Matt Brittin, antigo executivo da Google, foi confirmado esta quarta-feira como o novo diretor-geral da BBC, substituindo Tim Davie, que anunciou a demissão em novembro, na sequência da polémica em torno da forma como o programa Panorama editou um discurso de Donald Trump.
Em comunicado citado pela própria estação britânica, o presidente da empresa, Samir Shah, afirmou que Brittin tem “uma vasta experiência em liderar uma organização complexa e de grande visibilidade em processos de transformação”.
Na mesma nota, Shah considerou Brittin “um líder excecional” com “as competências necessárias para conduzir a organização através das muitas mudanças que estão a acontecer no mercado dos media e nos comportamentos do público”.
“A paixão de Matt pela BBC, um profundo entendimento dos desafios que enfrenta e uma clara determinação em preservar a sua independência e o seu papel como um dos maiores ativos nacionais do Reino Unido foram fatores importantes na decisão do Conselho de o nomear como 18º diretor-geral”, explicou.
O presidente da BBC sublinhou, porém, que Matt Brittin chega “num momento crítico”, em que “é evidente a necessidade de uma reforma radical da BBC, do seu modelo de financiamento e da estrutura em que opera”. “O Conselho e eu acreditamos que Brittin é a pessoa certa para liderar a BBC na sua luta por um futuro sustentável num mundo incerto, para benefício do público e do Reino Unido”, concluiu.
Brittin — que foi responsável pelas operações da Google para a Europa, África e Médio Oriente — reagiu à nomeação, afirmando que “mal pode esperar para começar este trabalho”, descrevendo-o como “um momento de risco, mas também de oportunidade”.
“Agora, mais do que nunca, precisamos de uma BBC forte que sirva todos num mundo complexo e em rápida mudança. É uma instituição extraordinária, com mais de 100 anos de inovação em narrativa, tecnologia e criatividade. Estou honrado e entusiasmado por ter sido convidado para ser como diretor-geral”, sublinhou.
Brittin acrescentou, ainda, que “a BBC precisa do ritmo e da energia para estar onde as histórias estão e onde o público está. Para desenvolver o alcance, a confiança e os pontos fortes criativos de hoje, enfrentar os desafios com coragem e prosperar como um serviço público adequado para o futuro”.
Em novembro do ano passado, o então diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a CEO da BBC News, Deborah Turness, demitiram-se após críticas de que um documentário do programa Panorama enganou os telespectadores ao editar um discurso de Donald Trump, em janeiro de 2021, em que ele parece incentivar explicitamente os distúrbios no Capitólio.
No mesmo documento, era também revelado um viés anti-Israel na emissora, bem como alegações de que questões críticas ao género teriam sido minimizadas pelo órgão de comunicação social.
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“Os principais responsáveis da BBC, incluindo Tim Davie, o chefe, estão todos a demitir-se/a ser despedidos, porque foram apanhados a adulterar o meu excelente (PERFEITO!) discurso de 6 de janeiro. Obrigado ao The Telegraph por expor estes ‘jornalistas’ corruptos”, escreveu, na altura, Donald Trump na Truth Social.