O Masters 1.000 de Miami trouxe duas surpresas espanholas no decorrer desta semana. A primeira acabou por ser mais negativa do que positiva, já que Carlos Alcaraz, líder do ranking ATP e primeiro cabeça de série do torneio norte-americano, caiu na terceira ronda, depois de ter eliminado João Fonseca (6-4 e 6-4). O obreiro da eliminação do número 1 mundial foi Sebastian Korda, que precisou de três sets e de mais de duas horas para se apurar os oitavos de final (6-3, 5-7 e 6-4). Contudo, o norte-americano voltou a surgir no caminho dos tenistas espanhóis, envolvendo-se na emergência de mais um talento. Na terça-feira, Martín Landaluce vingou a derrota do compatriota frente a um Korda que beneficiou de um match point no tie break do segundo set. Contudo, o espanhol virou o resultado e tornou-se no primeiro tenista nascido em 2006 a chegar aos quartos de final de um Masters 1.000.
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“Match point? Precisava de uma jogada decisiva e consegui um ponto importante. É uma sensação fantástica conseguir salvar o jogo assim. Todos os espanhóis têm este espírito de luta. [Juan Carlos] Ferrero, [David] Ferrer, [Rafa] Nadal, Carlitos [Alcaraz]… Tenho-os visto ao longo da minha carreira e agora estou aqui. Por isso, tinha de tentar. Dedico a vitória à minha avó, que morreu há três e que, na semana passada, teria completado 101 anos. Acho que torneios como este são muito importantes. No final, melhora-se em muitos aspetos e trabalha-se dia após dia. No meu caso, não tenho grandes objetivos, tento simplesmente melhorar a minha versão a cada dia”, explicou Landaluce, que tem como alcunha “La cabra”, por conta do seu apelido: Lacambra.
Depois de Rafael Nadal se ter despedido dos courts, em 2024, Carlos Alcaraz assumiu o domínio do ténis mundial, pelo que Espanha acabou por não sentir a ausência de uma das lendas da modalidade. Para além de Carlitos, Alejandro Davidovich Fokina despontou e assumiu como um dos melhores tenistas do planeta. Nos últimos anos foi a vez de a nova geração espanhola começar a triunfar nos torneios juniores, primeiro com Dani Rincón, depois com Martín Landaluce e, mais recentemente, com Rafael Jódar. Em comum, os três jovens têm o facto de terem vencido o US Open júnior nos últimos cinco anos (2021, 2022 e 2024).
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E é precisamente com ligações a Nadal e a Alcaraz que Landaluce tem despontado. Com apenas 12 anos, o seu talento foi notado por Albert Molina, agente do número um do mundo e líder da IMG, com quem começou a trabalhar. Por outro lado, o tenista nascido em Madrid mudou-se, em 2018, para Manacor, em Maiorca, para fixar a sua base de treinos na Rafa Nadal Academy, onde treina com o vencedor de 22 Grand Slams. Ao seu lado, Martín conta com o importante apoio do pai, Alejandro, que é um dos melhor tenista do mundo em termos de veterano, que é o responsável por tratar de toda a sua programação desportiva. A irmã Alejandra também se encontra ao lado do irmão, que tem como preparadores Óscar Burrieza e Esteban Carril. Apesar de ter apenas 20 anos, Landaluce conta ainda com o apoio de cinco grandes marcas: Lotto, Wilson, Cupra, Red Bull e Isdin.
“Com o Carlitos e com o Rafa falo de vez em quando. Com o Rafa falei em Lledà. Tivemos uma conversa que me ajudou bastante. Ao Carlos vi-o há alguns dias. São duas pessoas muito simpáticas, sempre dispostas a apoiar e a fazer com que o ténis espanhol continue a crescer. Nestas últimas rondas não me disseram nada, mas sei que estão lá, sei que estão contentes com o que estou a fazer e espero continuar a encontrar-me com eles para aprender o máximo possível”, contou o jovem tenista ao AS.
Nascido em Madrid em janeiro de 2006, Martín Landaluce tem 1,93 metros e caracteriza-se pelo seu acerto no serviço e por ser regular nos dois flancos do court. Burrieza, o principal responsável pelo seu crescimento, compara-o a Alexander Zverev, Juan Martín del Potro, Marat Safin e Andrey Rublev. “Como qualquer tenista muito jovem, ainda lhe falta definir a sua identidade. Vai combinar algumas coisas, aprender aquilo que funciona melhor e eliminar o que não dá bons resultados”, explicou o técnico ao El Mundo. Fora das quadras, Landaluce é conhecido pela sua alcunha, “Tintim”, que surgiu por ser parecido com a mítica personagem fictícia. Curiosamente, o primeiro torneio que venceu aconteceu em Portugal, em fevereiro de 2024, altura em que o espanhol ganhou o ITF M25 de Vila Real de Santo António.
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Na próxima fase do Open de Miami, o jovem de 20 anos vai enfrentar Jiri Lehecka, que eliminou Taylor Fritz em três sets (6-4, 6-7 e 6-2). O jogo está marcado para as 19 horas (em Portugal continental) desta quarta-feira.