“Temos de manter a cabeça fria“, afirmou Álvaro Santos Pereira, numa fase em que se especula que o BCE poderá subir as taxas de juro duas, ou mesmo três, vezes até ao final do ano, para conter as pressões inflacionistas associadas ao conflito no Médio Oriente. O governador do Banco de Portugal lembra que a situação na zona euro hoje é “muito diferente” da que existia em 2022, no início da invasão russa da Ucrânia – porém, o BCE deve estar “pronto a reagir a qualquer eventualidade“.
Questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico, Álvaro Santos Pereira recusou especular sobre se o BCE poderá subir as taxas de juro em abril ou em junho. Porém, lembrou que “estamos claramente numa situação melhor do que estávamos em 2022”. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, “a inflação já rondava os 5%, estávamos a sair da pandemia, havia constrangimentos na oferta e cadeias de valor, havia procura económica significativa graças aos estímulos públicos”. Em contraste, agora temos inflação de 2%, salientou Álvaro Santos Pereira.
https://observador.pt/2026/03/25/guerra-e-intemperies-levam-banco-de-portugal-a-cortar-previsao-de-crescimento-e-prever-uma-inflacao-mais-elevada/
Salientando que o “impacto nos produtos energéticos está a ser menor”, pelo menos para já, Álvaro Santos Pereira afirmou que, “como a presidente Lagarde disse, estamos preparados, estamos a olhar para os dados, os preços energéticos, alimentares e outros materiais e vamos ver como as coisas evoluem e certamente no BCE haverá uma discussão sobre aquilo que deve fazer“.
“Estamos preparados para reagir a qualquer eventualidade“, sublinhou, reconhecendo que as previsões macroeconómicas menos positivas já incorporam algum risco de aperto nas condições de financiamento, ou seja, eventuais subidas da taxa de juro pelo BCE e um aumento dos indexantes de crédito.
https://observador.pt/especiais/em-junho-ou-ate-mais-cedo-em-abril-bce-admite-voltar-as-subidas-de-juros-por-causa-da-guerra-no-irao/