Ao segundo dia, novo sprint. Como seria de esperar, o início da 105.ª edição da Volta à Catalunha continua a ser dominado pelas chegadas em grupo, com a etapa desta terça-feira a manter a toada do dia anterior. Ainda assim, os protagonistas foram outros e Ivo Oliveira (UAE Team Emirates-XRG) até entrou na discussão, acabando por “lançar” Magnus Cort Nielsen (Uno-X Mobility), que foi o mais rápido e mais forte. O triunfo acabou por ser insuficiente para o dinamarquês assumir a liderança da prova, embora tenha empatado com Dorian Godon (Ineos Grenadiers). João Almeida viveu um dia complicado na fase final da tirada, já que ficou para trás num corte, mas acabou por reentrar e não perdeu tempo para nenhum dos seus adversários.
https://observador.pt/2026/03/24/magnus-superou-o-purgatorio-para-ditar-a-sua-sentenca-nielsen-bateu-o-arranque-de-ivo-oliveira-e-venceu-segunda-etapa-na-catalunha/
“Acho que ataquei a 500 ou a 400 metros do fim. O Marc Soler colocou-me numa posição muito boa. Ele fez um trabalho incrível e, no final, eu queria surpreender porque não sabia o que ia acontecer na curva. Fui com tudo e tentei surpreender. Tens que te comprometer no final. Comprometi-me e sim, estou super frustrado, mas também estou feliz por ter tentado. No final tentei. Ganhar? Sim, talvez. Disse ‘não’ durante a minha vida toda, mas acho que poderia tentar a vitória, foi a minha decisão fazê-lo e não me posso arrepender. Tentei muitas vezes, fiquei preso mais atrás e, desta vez, estava numa posição muito boa. Por que não?”, explicou Oliveira no final.
“O percurso é muito duro e a lista de inscritos é espetacular. O João está bem, mas temos adversários muito fortes. Temos de acreditar que somos capazes de fazer um bom trabalho. Entramos sempre em prova para ganhar e, se não for possível, tentaremos dar o nosso melhor, mas esta equipa não entra em competição para nada que não seja a vitória. O percurso favorece o João, tal como favorece Remco [Evenepoel] ou Jonas [Vingegaard]. Temos de tentar tirar o máximo partido das circunstâncias. E temos a vantagem de poder contar não só com o João, mas também com alternativas, como o Brandon McNulty, o Jay Vine, o Marc Soler ou o Adrià Pericas. Vamos tentar tirar partido da força do grupo, tal como já fizemos outras vezes. Nesta equipa não pensamos em fazer quinto ou sexto”, assumiu Matxín, diretor desportivo da Emirates, em declarações ao Mundo Deportivo.
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Esta quarta-feira, a Volta à Catalunha rumou à Costa Dourada, numa ligação de 159,5 quilómetros entre Mont-roig del Camp e Vila-seca, com passagem pelas Montanhas de Prades e pela Serra de Montsant. No final, o cenário voltava a ser favorável aos sprints, que, ainda assim, tinham de ultrapassar um primeira metade da etapa bastante exigente. Guillermo Thomas Silva (XDS Astana), quinto classificado da geral, acabou por não partir para a etapa devido a fadiga. Assim, a fuga do dia voltou a ter em Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché) o principal destaque, já que o francês venceu as duas primeiras contagens e consolidou a liderança da montanha. A acompanhar o Lotto estavam o companheiro Reuben Thompson, Diego Uriarte (Kern Pharma), Yago Aguirre (Euskaltel-Euskadi), Josh Burnett (Burgos Burpellet BH) e Mark Stewart (Modern Adventure).
A neutralização da fuga, a cerca de 30 quilómetros da chegada, coincidiu com o momento em que o pelotão se partiu devido ao vento, deixando João Almeida e a Emirates para trás, já depois de Ivo Oliveira ter caído com Jay Vine, que abandonou. Nessa fase, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) aproveitaram para atacar e, aquando do reagrupamento, conseguiram colocar a vantagem acima dos 20 segundos. Com Brandon McNulty a trabalhar no pelotão e o campeão olímpico a assumir as despesas da fuga a diferença manteve-se nos 24 segundos, baixando apenas quando NSN e EF Education-EasyPost se juntaram à Emirates. Já dentro dos cinco quilómetros finais, Enric Mas (Movistar) furou, sem impacto na classificação geral.
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A 500 metros do fim, na aproximação à reta da meta, Evenepoel caiu antes de uma rotunda, alegadamente por conta de um buraco na estrada, Vingegaard foi alcançado logo a seguir e, ao sprint, Dorian Godon (Ineos Grenadiers) voltou a não dar hipóteses a Ethan Vernon (NSN) e somou a segunda vitória nesta Volta à Catalunha e a terceira nesta temporada. João Almeida terminou no 41.º lugar, com o mesmo tempo do francês, que lidera agora a prova com 11 segundos de vantagem para Remco Evenepoel, 16 para Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) e 18 para Jonas Vingegaard. O português está no 23.º posto, a 20 segundos.
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