A vasta maioria dos imigrantes que entraram em Portugal nos últimos anos “está cá para trabalhar” e está a contribuir para a segurança social, defendeu Álvaro Santos Pereira, sustentando-se num estudo do Banco de Portugal para dizer que os imigrantes recebem, proporcionalmente, menos apoios estatais como subsídios de desemprego.
Numa análise aprofundada publicada no Boletim Económico de março, divulgado nesta quarta-feira, o Banco de Portugal salienta que “nos últimos anos, o crescimento do emprego tem sido sustentado, em larga medida, pelos trabalhadores de nacionalidade estrangeira“.
Contudo, afirma o supervisor, “o seu contributo tem vindo a diminuir e as projeções apresentadas neste Boletim assumem que os fluxos de imigração se continuarão a reduzir”, em parte devido às políticas lançadas pelo Governo que irão, previsivelmente, ter esse impacto.
Na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico, Álvaro Santos Pereira falou sobre o “grande afluxo de imigração que houve nos últimos anos”: “entre 2010 e 2024 entraram quase 1,5 milhões de trabalhadores estrangeiros, dos quais 1,1 milhões como trabalhadores por conta de outrem”, afirmou o governador do Banco de Portugal.
Só desde 2018, houve 1,2 milhões de entradas, “evidenciando uma aceleração significativa dos fluxos de entrada no período mais recente”, afirma o Banco de Portugal.

São pessoas, sobretudo, oriundas do Brasil, do sul da Ásia e dos países africanos de língua portuguesa – e que têm uma idade média de 33 anos, ou seja, estão em idade ativa e disponíveis para trabalhar. E é isso que a larga maioria está a fazer, afiançou Álvaro Santos Pereira, salientando que, proporcionalmente, há mais cidadãos nacionais a receber apoios sociais como subsídio de desemprego do que estrangeiros.
Os trabalhadores nacionais com idades entre os 29 e os 46 anos apresentam, em termos comparativos, uma proporção ligeiramente maior de beneficiários de prestações sociais e de pensões da Segurança Social”, afirma o Banco de Portugal no estudo.
Santos Pereira, lembrando que ele próprio foi um emigrante muitos anos (imigrante noutros países), recomendou que, nesta fase, “talvez valha a pena Portugal ter uma política ativa de imigração, verificar quais são os setores que precisam de mais mão de obra e tentar atrair pessoas para esses setores”.
Por outro lado, deve-se fazer esforços para “atrair imigrantes qualificados, porque isso aumenta a produtividade da economia portuguesa”, defendeu o governador do Banco de Portugal.